No momento, estamos um pouco em um padrão de espera com ele
No cruzamento entre poder político e independência monetária, Donald Trump deixou em suspenso o destino de Jerome Powell à frente do Federal Reserve, recusando-se a demiti-lo imediatamente, mas sem afastar essa possibilidade. Uma investigação criminal sobre custos exorbitantes em obras na sede histórica do Fed serve de pano de fundo para uma tensão mais antiga: a resistência de Powell em cortar juros no ritmo que Trump deseja. O desfecho, prometido para as próximas semanas, poderá redesenhar a relação entre a Casa Branca e a instituição que guarda a política monetária americana.
- Uma investigação criminal do Departamento de Justiça sobre gastos de US$ 2,5 bilhões em reformas no Fed coloca Powell sob pressão sem precedentes.
- Powell rejeita as acusações e as interpreta como instrumento de coerção para forçá-lo a baixar os juros mais rapidamente.
- Trump oscila entre a cautela pública e a ameaça velada, dizendo estar 'em padrão de espera' enquanto avalia suas opções legais e políticas.
- Kevin Warsh e Kevin Hassett surgem como favoritos para suceder Powell, com um anúncio formal prometido nas próximas semanas.
- A tensão ressoa nas urnas: pesquisas indicam que eleitores responsabilizam Trump pelo custo de vida elevado, aumentando a pressão sobre sua estratégia econômica.
Donald Trump deixou em aberto o futuro de Jerome Powell no Federal Reserve, afirmando não ter planos imediatos de demiti-lo, mas recusando-se a descartar qualquer decisão definitiva. Em entrevista à Reuters, o presidente disse estar 'em padrão de espera' diante de uma investigação criminal recém-aberta pelo Departamento de Justiça, que apura custos excessivos em um projeto de reforma de US$ 2,5 bilhões nas instalações históricas da sede do Fed em Washington.
Powell reagiu publicamente no domingo, negando qualquer irregularidade e caracterizando a investigação como pretexto — uma forma de pressioná-lo a reduzir as taxas de juros com mais velocidade e profundidade do que considera prudente. A tensão entre os dois não é nova: desde o primeiro mandato de Trump, quando ele próprio nomeou Powell, o presidente tem cobrado cortes mais agressivos nos juros, acreditando que taxas menores impulsionariam sua agenda econômica.
O calendário oferece a Trump múltiplas saídas. O mandato de Powell como chair expira em maio, mas ele pode permanecer no Conselho de Diretores até 2028. Para a sucessão, Trump já sinalizou preferência pelos 'dois Kevins': o ex-diretor do Fed Kevin Warsh e Kevin Hassett, atual chefe do Conselho Econômico Nacional. O secretário do Tesouro Scott Bessent foi descartado, a pedido do próprio. Um anúncio formal está previsto para as próximas semanas — e suas consequências para a política monetária americana prometem ser duradouras.
Donald Trump deixou em aberto na quarta-feira a questão do futuro de Jerome Powell à frente do Federal Reserve, dizendo que não tem planos imediatos de demiti-lo, mas que é cedo demais para comprometer-se com qualquer decisão final. A declaração veio em meio a uma investigação criminal do Departamento de Justiça contra Powell, relacionada a custos que explodiram em um projeto de reforma de dois bilhões e meio de dólares nas instalações históricas da sede do Fed em Washington.
Em entrevista à Reuters, Trump foi direto quando perguntado se tentaria remover Powell do cargo: não tinha planos para isso. Mas quando questionado se a investigação criminal lhe dava razão para agir, o presidente adotou uma postura mais cautelosa. "No momento, estamos um pouco em um padrão de espera com ele, e vamos determinar o que fazer", disse Trump. "Mas não posso entrar no assunto. É muito cedo. Muito cedo."
O timing técnico oferece espaço para essa ambiguidade. O mandato de Powell como chair termina em maio, mas ele não é obrigado a deixar o Conselho de Diretores até 2028, o que significa que Trump teria várias opções sobre como proceder. Trump já sinalizou seus candidatos preferidos para suceder Powell: o ex-diretor do Fed Kevin Warsh ou Kevin Hassett, que atualmente dirige o Conselho Econômico Nacional. Ele descartou o secretário do Tesouro Scott Bessent para o cargo, explicando que Bessent prefere permanecer em sua posição atual. "Os dois Kevins são muito bons", disse Trump. "Vocês também têm outras pessoas boas, mas anunciarei algo nas próximas semanas."
A investigação criminal que paira sobre Powell é recente. O governo Trump abriu o processo por causa dos custos excessivos no projeto de dois bilhões e meio de dólares para reformar os prédios históricos do complexo do Fed. Powell divulgou a investigação no domingo e negou categoricamente qualquer irregularidade. Ele caracterizou as ações como um pretexto — uma maneira de pressionar o chair por não ter reduzido as taxas de juros tão rapidamente ou tão profundamente quanto Trump deseja.
Essa tensão entre Trump e Powell não é nova. Durante seu primeiro mandato, Trump nomeou Powell para o cargo de chair, mas desde então exerceu pressão pública constante sobre ele para cortar juros mais agressivamente. Trump acredita que taxas mais baixas beneficiariam a economia e, por extensão, sua agenda política. Powell, porém, tem mantido uma postura mais cautelosa, priorizando a estabilidade de preços e o mandato duplo do Fed. Antes das eleições de meio de mandato para o Congresso em novembro, pesquisas mostraram que os eleitores veem o custo de vida como uma questão fundamental e avaliam mal a forma como Trump está lidando com a inflação e os preços.
Trump rejeitou as críticas, inclusive de parlamentares cujo apoio ele precisará para confirmar seu escolhido para suceder Powell. "Não me importo", disse ele. "Eles devem ser leais. É isso que eu digo." A declaração reflete sua disposição de contornar a oposição legislativa tradicional em questões que considera prioritárias. Nos próximas semanas, Trump deverá anunciar sua decisão final sobre o futuro de Powell e quem o sucederá — um anúncio que terá implicações profundas para a política monetária americana e para a dinâmica entre a Casa Branca e o Federal Reserve.
Notable Quotes
Não tenho nenhum plano para fazer isso— Donald Trump, sobre demitir Powell
No momento, estamos um pouco em um padrão de espera com ele, e vamos determinar o que fazer. Mas não posso entrar no assunto. É muito cedo.— Donald Trump, à Reuters
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Trump não simplesmente demite Powell agora, se tem essa investigação criminal como justificativa?
Porque tecnicamente Powell ainda é o chair até maio, e há questões legais e políticas em jogo. Além disso, Trump está sinalizando que quer parecer medido — que não está agindo por pura vingança. Mas a porta está aberta.
Powell realmente fez algo errado com esse projeto de reforma?
Powell nega qualquer irregularidade. O que está claro é que os custos subiram muito — dois bilhões e meio de dólares é uma quantia enorme. Mas Powell vê a investigação como uma pressão política, não como uma investigação legítima sobre má conduta.
E se Trump nomeia um dos Kevins? O que muda?
Muda tudo. Um novo chair que seja mais alinhado com Trump provavelmente cortaria juros mais agressivamente. Isso poderia aquecer a economia no curto prazo, mas também poderia reignitar a inflação. É uma aposta política, não uma decisão técnica.
Os parlamentares podem bloquear a confirmação?
Teoricamente sim, mas Trump está deixando claro que não se importa com a lealdade tradicional. Ele quer alguém que o ouça. Se os parlamentares se opuserem, ele pode tentar contorná-los ou exercer pressão.
Qual é o verdadeiro problema aqui — a investigação ou os juros?
Os juros. A investigação é o instrumento. Trump quer juros mais baixos, Powell não quer dar isso, e agora há uma investigação criminal. Conecte os pontos.