Nem eu nem a Itália jamais imploramos
Nas redes sociais de um domingo, Donald Trump voltou suas críticas a dois líderes europeus — o britânico Keir Starmer e a italiana Giorgia Meloni —, exigindo lealdade em torno da questão iraniana e prevendo o colapso político de quem hesita. O episódio não é isolado: revela uma fissura crescente entre Washington e seus antigos aliados continentais, alimentada por tarifas, guerras não comunicadas e expectativas de reciprocidade que a Europa reluta em cumprir. O que começou como uma aliança ideológica promissora entre Trump e Meloni em 2022 agora se desfaz em acusações públicas, cancelamentos diplomáticos e uma pergunta sem resposta clara sobre o futuro do Ocidente como bloco coeso.
- Trump atacou Starmer e Meloni em sequência, exigindo que aliados europeus se posicionem ao lado dos EUA no confronto com o Irã — ou enfrentem sua ira pública.
- Meloni desmentiu categoricamente a história de Trump sobre a foto no G7, chamando-a de 'completamente inventada' e expressando espanto por ele tratar aliados com mais dureza do que adversários.
- O chanceler italiano Tajani cancelou viagem aos EUA em resposta, elevando a crise do plano pessoal ao diplomático e sinalizando que Roma não absorverá as ofensas em silêncio.
- A ruptura tem raízes concretas: em fevereiro, os EUA atacaram o Irã sem avisar a Itália, enquanto britânicos, franceses e alemães foram informados — um gesto que Meloni interpretou como exclusão deliberada.
- Meloni usa a crise para se distanciar de Trump diante do eleitorado italiano, e pesquisas indicam que a estratégia está funcionando, com italianos cada vez mais desconfortáveis com Washington.
No domingo, Donald Trump usou sua rede social para atacar dois líderes europeus em sequência. Primeiro, afirmou que o primeiro-ministro britânico Keir Starmer havia 'fracassado feio' em imigração e energia, pedindo que o Reino Unido abrisse o Mar do Norte à exploração de petróleo e prevendo sua saída do cargo. Horas depois, voltou-se contra a premiê italiana Giorgia Meloni, cobrando que a Itália se envolvesse no combate ao Irã e argumentando que os EUA gastaram trilhões na defesa europeia pela OTAN sem receber apoio em troca.
O ataque a Meloni chegou carregado de contexto. Dias antes, ela havia desmentido publicamente uma história contada por Trump a um canal italiano: que ela teria 'implorado' por uma foto com ele no G7. Vídeos mostravam os dois em conversa tranquila num sofá, mas Trump insistiu na narrativa. Meloni a chamou de 'completamente inventada' e disse que ele tratava inimigos do Ocidente com mais generosidade do que seus próprios aliados. O chanceler Antonio Tajani respondeu cancelando uma viagem aos EUA e condenando as declarações como ofensivas não apenas à premiê, mas a toda a Itália.
A crise tem raízes mais profundas. Trump e Meloni foram aliados próximos desde 2022, unidos por posições sobre imigração e críticas ao progressismo. Ela foi a única líder europeia na posse de Trump em 2025. Mas as rachaduras surgiram com as tarifas americanas e se aprofundaram em fevereiro, quando os EUA atacaram o Irã junto com Israel sem avisar a Itália — enquanto britânicos, franceses, alemães e poloneses foram informados. O ministro da Defesa italiano estava de férias nos Emirados e precisou ser resgatado. Os preços de energia subiram, prejudicando Meloni internamente.
Ela respondeu recusando o uso de uma base aérea na Sicília para operações contra o Irã e declarando que a Itália não participaria do conflito. Analistas acreditam que Meloni aproveitou a crise para sinalizar afastamento de Trump ao eleitorado — e pesquisas indicam que a estratégia funcionou. A questão que permanece é se essa aliança, tão promissora há apenas um ano, ainda tem conserto.
Donald Trump descarregou uma série de críticas contra líderes europeus no domingo, usando sua rede social para atacar o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e cobrar apoio da premiê italiana Giorgia Meloni contra o que chamou de ameaça nuclear iraniana. As postagens marcam um novo pico em tensões que vêm se acumulando há meses entre o presidente americano e seus antigos aliados no continente.
Trump começou afirmando que Starmer "fracassou feio" em duas frentes cruciais: imigração e energia. O presidente americano pediu explicitamente que o Reino Unido abrisse a exploração de petróleo no Mar do Norte e previu que o primeiro-ministro britânico deixaria o cargo. Horas depois, Trump virou suas baterias para Meloni, reclamando que a Itália não havia cogitado se envolver no combate à República Islâmica do Irã. Ele argumentou que os Estados Unidos gastaram trilhões em defesa da Europa através da OTAN, mas quando colocados à prova, os europeus não retribuem o apoio.
O ataque a Meloni vinha carregado de história. Dias antes, a premiê italiana havia negado publicamente uma história que Trump contou a um canal de TV italiano: que ela havia "implorado" para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7. Trump disse que ela queria muito a foto e que ele só concordou por pena. Vídeos do evento mostravam os dois em conversa profunda, sentados lado a lado em um sofá, mas Meloni rejeitou a narrativa de Trump como "completamente inventada". Ela expressou surpresa com o comportamento do presidente americano, observando que ele tratava os inimigos do Ocidente com muito mais indulgência do que seus próprios aliados. "Nem eu nem a Itália jamais imploramos", afirmou.
O chanceler italiano Antonio Tajani respondeu cancelando uma viagem programada aos Estados Unidos para se reunir com o secretário de Estado Marco Rubio. Ele condenou as palavras de Trump como graves e ofensivas não apenas a Meloni, mas a toda a Itália. Um subsecretário próximo a Meloni criticou Trump por seus "rompantes inadequados" que tornaram os Estados Unidos impopulares em toda a Europa.
O distanciamento entre Trump e Meloni não começou com a história da foto. Os dois foram aliados próximos quando Meloni chegou ao poder em 2022, compartilhando posições sobre imigração ilegal e críticas ao que chamavam de agendas "woke". Meloni foi a única líder europeia presente na posse de Trump em 2025. Mas as rachaduras começaram a aparecer em abril, quando Trump anunciou tarifas contra aliados europeus, incluindo a Itália. O ponto de ruptura real veio em fevereiro, quando os Estados Unidos atacaram o Irã em ação conjunta com Israel sem avisar previamente a Itália. O ministro da Defesa italiano estava de férias nos Emirados Árabes e precisou ser resgatado em um jato militar. Enquanto isso, britânicos, franceses, alemães e poloneses haviam sido informados. A operação também fez os preços de gás e energia subirem na Itália, prejudicando a popularidade de Meloni em um momento crítico.
Meloni respondeu condenando a guerra, recusando-se a permitir que caças americanos usassem uma base aérea na Sicília para operações contra o Irã e declarando que a Itália não participaria do conflito. Seu ministro da Defesa afirmou que o ataque violou normas do direito internacional. Analistas ouvidos pelo New York Times acreditam que Meloni aproveitou a crise para sinalizar ao público interno um afastamento de Trump, especialmente após uma disputa entre o presidente americano e o papa sobre a condenação da guerra. A estratégia parece ter funcionado politicamente: pesquisas mostram que italianos estão incomodados com os Estados Unidos.
Uma ex-embaixadora italiana nos EUA argumenta que a crise pessoal entre Meloni e Trump não deve afetar as relações bilaterais, sugerindo que o presidente americano agiu impulsivamente após se frustrar com a Europa. Mas o padrão está claro: Trump cobra lealdade incondicional de seus aliados europeus, e quando eles hesitam ou discordam, ele responde com ataques públicos e pessoais. A questão agora é se essa dinâmica consegue ser reparada ou se marca o fim de uma aliança que pareceu tão promissora apenas um ano atrás.
Citas Notables
Keir Starmer renunciará ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido. Ele fracassou feio em dois assuntos muito importantes: IMIGRAÇÃO e ENERGIA— Donald Trump, em postagem na TruthSocial
As declarações de Donald Trump são completamente inventadas. Estou francamente surpresa. Não sei por que o presidente dos Estados Unidos se comporta dessa maneira com seus aliados— Giorgia Meloni, em resposta às acusações de Trump
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Trump está atacando Meloni agora, especificamente sobre o Irã?
Porque ela recusou participar. Quando os EUA atacaram em fevereiro, a Itália não foi avisada. Trump vê isso como traição — você gasta trilhões defendendo alguém, e quando chega a hora, eles não estão lá.
Mas Meloni estava em uma posição difícil, não estava?
Exatamente. Os italianos estavam furiosos. A guerra fez os preços de energia dispararem, e ela tinha um referendo sobre reforma judicial vindo. Condenar a guerra era sobrevivência política.
Então ela escolheu a política interna em vez da lealdade a Trump?
Ela escolheu a Itália. E Trump não perdoa isso. Ele quer aliados que façam o que ele quer, quando ele quer, sem questionar.
A história da foto no G7 — por que Trump inventou isso?
Talvez não tenha inventado conscientemente. Mas ele reescreve narrativas para seu próprio benefício. Meloni estava ali, conversando com ele, e ele transformou em uma história de admiração dela por ele. Quando ela negou, ele se sentiu humilhado.
Isso vai danificar permanentemente a relação?
Provavelmente não entre os países. Mas entre Trump e Meloni pessoalmente? Sim. E isso importa porque ele governa por relacionamentos pessoais, não por estratégia.
O que Meloni ganha ao se afastar dele?
Apoio interno. Os italianos não querem ser tratados como vassalos. Meloni está sinalizando que ela não implora a ninguém — nem a Trump, nem a ninguém.