Trump busca na América Latina compensar fracasso no Irã

Sabotagem econômica em Cuba causa cortes de energia elétrica e paralisa sistema hospitalar, afetando população civil diretamente.
Trump espera apagar seu fracasso no Oriente Médio com vitória em seu próprio quintal
Após revés no Irã, presidente reorienta estratégia geopolítica para Cuba e Brasil buscando compensação política.

Após um revés no Irã, Donald Trump reorienta sua estratégia geopolítica para Cuba e Brasil, territórios historicamente sob influência norte-americana onde o custo político de agir é menor e o retorno simbólico, maior. A nova Estratégia de Segurança Nacional americana, publicada em dezembro de 2025, formaliza essa mudança de prioridades — do Oriente Médio para a América Latina. O que se desenha não é apenas uma disputa de poder regional, mas uma tentativa de restaurar credibilidade através de vitórias calculadas sobre vizinhos mais vulneráveis.

  • Com cinco meses até as eleições brasileiras de outubro, Trump intensifica interferências que vão de tarifas comerciais à manipulação do timing de fotografias políticas para beneficiar aliados bolsonaristas.
  • Em Cuba, cortes deliberados no fornecimento de petróleo venezuelano provocam apagões generalizados e paralisam hospitais, transformando a população civil em instrumento de pressão política.
  • No Brasil, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais e o uso da Lei Magnitsky contra autoridades judiciais revelam uma agenda coordenada de desestabilização.
  • A declaração de Trump no G7 de que o Brasil se tornou 'politicamente difícil' — feita logo após a condenação de Eduardo Bolsonaro pelo STF — sinaliza que Washington escolheu lado abertamente.
  • Por trás da retórica ideológica, há interesses concretos: acesso a minerais raros, mercados para empresas de tecnologia americana e espaço para corporações financeiras em economias menos competitivas.

Donald Trump está reorientando sua atenção geopolítica após um revés significativo no Irã. O alvo agora é seu próprio quintal — Cuba e Brasil —, onde busca compensar o fracasso com vitórias em territórios de influência histórica norte-americana. Em dezembro de 2025, o governo americano formalizou essa mudança ao publicar uma nova Estratégia de Segurança Nacional que eleva a América Latina ao topo das prioridades estratégicas, em substituição ao Oriente Médio.

Cuba é o caso mais explícito. Há meses, os Estados Unidos executam uma sabotagem econômica sistemática: cortes no fornecimento de petróleo venezuelano provocam apagões generalizados e paralisam o sistema hospitalar da ilha. A estratégia é calculada para gerar instabilidade política e alimentar protestos que enfraqueçam o regime — que Trump já declarou publicamente querer depor. Com Cuba a apenas 145 quilômetros da Flórida, o presidente americano pode concentrar recursos sem o ônus de uma confrontação distante.

O Brasil apresenta um quadro diferente, mas igualmente intencional. Trump apoia abertamente a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro contra Lula, fundamentando essa interferência em questionamentos falsos sobre a integridade eleitoral brasileira. As ações concretas se acumulam: classificação de facções criminosas como organizações terroristas internacionais, novas tarifas sobre exportações brasileiras e uso da Lei Magnitsky contra autoridades judiciais que condenaram golpistas.

Dois episódios revelam a intencionalidade por trás das ações. Trump esperou seis dias para divulgar a fotografia de seu encontro com Flávio e Eduardo Bolsonaro na Casa Branca, sincronizando a imagem com o anúncio de medidas hostis ao governo Lula. No G7, em Évian, declarou que o Brasil se tornou um país 'politicamente difícil' — logo após o STF condenar Eduardo Bolsonaro por instigar pressões estrangeiras contra autoridades judiciais brasileiras.

Até outubro restam cinco meses. Tempo suficiente para que Washington intensifique ameaças contra alvos mais acessíveis que o Irã, perseguindo não apenas ganhos ideológicos, mas acesso a minerais raros, mercados tecnológicos e espaço para corporações financeiras. A América Latina, nesse cálculo, é o laboratório onde Trump pretende recuperar o prestígio abalado pelo fracasso iraniano.

Donald Trump está reorientando sua atenção geopolítica. Após um revés significativo no Irã, o presidente dos Estados Unidos agora busca compensar esse fracasso em seu próprio quintal — Cuba e Brasil — com aquilo que possa chamar de vitória. Não se trata de replicar os mesmos métodos usados no Oriente Médio, mas de aplicar estratégias distintas adequadas a cada contexto regional, com um objetivo comum: restaurar sua credibilidade através de sucessos em territórios que historicamente estiveram sob influência norte-americana.

Em dezembro de 2025, o governo americano publicou sua nova Estratégia de Segurança Nacional, um documento que marca uma mudança clara de prioridades. O Oriente Médio cede lugar à América Latina como zona estratégica prioritária para os próximos anos. Essa reconfiguração não é acidental — reflete uma avaliação de onde os Estados Unidos podem exercer influência com menor resistência e maior retorno político.

Cuba é o caso mais explícito. Trump já declarou publicamente sua intenção de "tomar Cuba", e há meses os Estados Unidos vêm executando uma sabotagem econômica sistemática contra a ilha. O mecanismo é direto: cortes no fornecimento de petróleo venezuelano, que alimenta a economia cubana, provocam apagões generalizados e paralisam estruturas civis essenciais, incluindo o sistema hospitalar. A população enfrenta escassez de energia e serviços básicos. Essa estratégia não é meramente punitiva — ela é calculada para gerar instabilidade política, alimentando insatisfação popular e protestos que enfraqueçam um regime já sob ameaça declarada de deposição. Com Cuba a apenas 145 quilômetros da Flórida, Trump agora se vê livre do fardo de lidar com o Irã distante e pode concentrar recursos na ilha.

O Brasil apresenta um quadro diferente, menos agressivo por enquanto, mas igualmente intencional. Trump tem demonstrado preferência clara pela pré-candidatura de Flávio Bolsonaro contra o presidente em exercício, Luiz Inácio Lula da Silva. Essa preferência pessoal seria um detalhe menor de falta de diplomacia se não carregasse consigo uma intenção explícita de interferir em um processo democrático. Trump fundamenta essa interferência em premissas falsas — questionando a integridade do sistema eleitoral brasileiro com a mesma retórica que usa contra suas próprias instituições.

As ações concretas se acumulam. Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais, uma medida que agrada à família Bolsonaro e contraria a agenda de Lula. Impôs novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Invocou a Lei Magnitsky para perseguir autoridades judiciais que condenaram golpistas e empresas de tecnologia envolvidas em campanhas de desestabilização democrática. Cada medida é escolhida para beneficiar aliados e prejudicar adversários no tabuleiro político brasileiro.

Dois momentos políticos revelam a intencionalidade por trás dessa interferência. Primeiro, a publicação de uma fotografia do encontro entre Trump, Flávio e Eduardo Bolsonaro na Casa Branca. A reunião ocorreu em 26 de maio, mas Trump esperou seis dias para divulgar a imagem, sincronizando-a com o anúncio de outras medidas hostis. Essa escolha de timing não é coincidência — é o comportamento de quem age com propósito malicioso. Segundo, durante o encontro do G7 em Évian, na França, Trump declarou que o Brasil se tornou um país "politicamente difícil". O momento foi significativo: a declaração veio logo após o Supremo Tribunal Federal condenar Eduardo Bolsonaro por ter instigado os Estados Unidos a tomar medidas coercitivas contra autoridades judiciais brasileiras. Trump poderia ter tratado isso como assunto interno brasileiro, mas escolheu falar — e falou a favor daqueles condenados por envolvimento em tentativa de golpe.

Até as eleições de outubro, restam cinco meses. Tempo suficiente para que a maior máquina militar do mundo mobilize seu arsenal de ameaças e intimidações contra alvos mais acessíveis que o Irã. Os objetivos vão além do ganho político-ideológico: incluem acesso a minerais raros, mercados para empresas de tecnologia americana e espaços menos competitivos para corporações de cartões de crédito. A América Latina, nesse cálculo, não é apenas uma zona de influência tradicional — é um laboratório onde Trump pode demonstrar poder e recuperar o prestígio abalado pelo fracasso iraniano.

Trump já declarou publicamente sua intenção de 'tomar Cuba'
— Donald Trump
Brasil se tornou um país 'politicamente difícil'
— Donald Trump, durante encontro do G7 em Évian
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Trump escolhe agora a América Latina depois do Irã? Parece uma mudança de foco, mas há algo mais profundo?

Model

Não é apenas mudança de foco. Em dezembro de 2025, os Estados Unidos oficialmente reposicionaram a América Latina como prioridade estratégica. O Irã mostrou os limites do poder militar americano. A América Latina oferece algo diferente — alvos mais próximos, menos capazes de resistência, e onde a influência histórica ainda funciona.

Inventor

Mas Cuba e Brasil são contextos muito diferentes. Por que aplicar estratégias tão distintas?

Model

Porque o objetivo é o mesmo, mas os meios devem se adaptar. Cuba está isolada, economicamente frágil. A sabotagem funciona ali porque não há margem de manobra. Brasil é uma democracia maior, com instituições. Lá, Trump trabalha com interferência eleitoral, pressão econômica seletiva, apoio a aliados políticos. O método muda, mas a intenção de controlar o resultado é idêntica.

Inventor

A sabotagem econômica em Cuba — cortes de petróleo, apagões, hospitais paralisados — isso não é uma forma de guerra contra civis?

Model

Tecnicamente, sim. Mas Trump a chama de política externa. Os cubanos sofrem escassez de energia, falta de medicamentos, colapso de serviços. Isso gera instabilidade política, que é exatamente o que Trump quer. É sabotagem disfarçada de consequência natural.

Inventor

E no Brasil, o que Trump realmente quer? Flávio Bolsonaro é viável como presidente?

Model

Trump quer um Brasil alinhado, dócil. Flávio é um instrumento — alguém que fará concessões em minerais raros, mercados para big tech, acesso financeiro. Viabilidade eleitoral é secundária. O que importa é mover o tabuleiro, criar caos, enfraquecer Lula. Se conseguir deposição ou enfraquecimento, já é vitória.

Inventor

A foto na Casa Branca, o timing da declaração no G7 — isso parece muito calculado.

Model

Absolutamente. Trump não publica fotos por acaso. Não faz declarações diplomáticas sem propósito. Ele sincronizou a foto com medidas hostis. Falou sobre Brasil ser "politicamente difícil" exatamente quando Eduardo Bolsonaro era condenado. Cada gesto é uma mensagem: "Estou aqui, estou interferindo, e não vou parar."

Inventor

Cinco meses até as eleições brasileiras. O que esperar?

Model

Intensificação. Mais tarifas, mais pressão sobre aliados de Lula, mais apoio público a Bolsonaro. Trump vai testar os limites do que consegue fazer sem consequências diretas. Para ele, é uma chance de provar que ainda tem poder, que o fracasso no Irã não o enfraqueceu. A América Latina é o palco onde ele quer escrever essa história de recuperação.

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