Qualquer força estrangeira será alvo de ataques se tentar entrar em Ormuz
EUA iniciam operação naval com 15 mil militares e 100 aeronaves para abrir passagem bloqueada pelo Irã desde fevereiro. Irã considera ação americana violação do cessar-fogo e ameaça ataques; negociações de paz permanecem estagnadas com posições distantes.
- Trump anuncia 'Projeto Liberdade' em 4 de maio com 15 mil militares e 100+ aeronaves
- Irã bloqueou Estreito de Ormuz desde 28 de fevereiro; 913 navios comerciais presos no Golfo
- Cessar-fogo em vigor desde 8 de abril; negociações estagnadas sobre pedágio e programa nuclear
- Petróleo Brent atingiu 126 dólares por barril; milhares de mortos no Irã e Líbano
Trump lança 'Projeto Liberdade' para escoltar navios no Estreito de Ormuz, mas Irã ameaça atacar forças americanas. Tensão persiste apesar de trégua em vigor desde abril.
Donald Trump anunciou no domingo uma operação naval que começaria na segunda-feira de manhã, 4 de maio, com o objetivo de abrir o Estreito de Ormuz para o tráfego comercial. O presidente americano batizou a iniciativa de "Projeto Liberdade" e a descreveu como um gesto humanitário destinado a socorrer marinheiros presos numa passagem marítima que vinha sendo bloqueada há meses. Segundo Trump, centenas de navios comerciais estavam sem acesso a alimentos e suprimentos essenciais.
O bloqueio começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel iniciaram operações militares contra o Irã. Em resposta, Teerã fechou quase completamente o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais críticas do mundo para o transporte de combustível. Washington, por sua vez, mantém um bloqueio naval aos portos iranianos. Até o final de abril, havia 913 navios comerciais de diversos tipos presos no Golfo, segundo dados da empresa de monitoramento marítimo AXSMarine.
A operação americana seria apoiada por forças significativas: o Comando Central dos Estados Unidos anunciou que caças equipados com lançadores de mísseis guiados, mais de cem aeronaves e 15 mil militares participariam da escolta de navios pertencentes a países que, segundo Trump, não tinham envolvimento no conflito do Oriente Médio.
O Irã respondeu com ameaças diretas. O general Ali Abdollahi, do comando central do Exército Iraniano, declarou que qualquer força armada estrangeira que tentasse se aproximar ou entrar no Estreito seria alvo de ataques. Ebrahim Azizi, presidente da comissão de segurança nacional do Parlamento iraniano, foi além: afirmou que qualquer interferência americana em Ormuz violaria o cessar-fogo que entrou em vigor em 8 de abril, após quase quarenta dias de combates intensos.
O conflito deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, onde Israel continuou operações contra o Hezbollah apesar da trégua. As consequências econômicas se espalharam globalmente: o petróleo Brent atingiu 126 dólares o barril na semana anterior, o maior valor em quatro anos, embora tenha caído para 108 dólares na segunda-feira.
As negociações de paz entre Washington e Teerã permaneciam estagnadas. Um ciclo de conversas realizado no Paquistão em 11 de abril terminou sem acordo, com posições muito afastadas sobre dois pontos centrais: o Estreito de Ormuz, onde o Irã pretende cobrar um pedágio pela passagem de navios, e o programa nuclear iraniano. Teerã havia transmitido uma nova proposta de 14 pontos no final da semana, prevendo o fim do conflito em todas as frentes e a reabertura da passagem marítima.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai, pediu aos Estados Unidos que adotassem uma abordagem razoável e abandonassem o que chamou de "exigências excessivas". Ele ressaltou que a prioridade iraniana era acabar com a guerra e expressou desconfiança baseada em experiências anteriores, mencionando que o Irã havia negociado sobre aspectos nucleares no passado e depois foi atacado pelos americanos. Trump, por sua vez, afirmou que autoridades de seu governo mantinham "conversas muito positivas" com o Irã e que as negociações poderiam conduzir a algo positivo para todos.
Citas Notables
Alertamos que qualquer força armada estrangeira será alvo de ataques se tentar se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz— General Ali Abdollahi, comando central do Exército Iraniano
Nesta etapa, nossa prioridade é acabar com a guerra— Esmail Baqai, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Trump escolheu chamar isso de "Projeto Liberdade" especificamente?
É uma escolha de linguagem que reposiciona a operação como um ato de salvação humanitária em vez de uma ação militar agressiva. Ao invocar a liberdade, Trump está tentando enquadrar a escolta naval como libertação de navios presos, não como uma provocação.
Mas o Irã vê diferente, não é?
Completamente. Para Teerã, é uma violação do cessar-fogo que acabava de entrar em vigor. O Irã considera o Estreito de Ormuz seu território e vê a escolta americana como uma interferência direta em sua soberania.
E quanto àquele pedágio que o Irã quer cobrar? Isso é novo?
É parte das negociações. O Irã quer monetizar o controle que tem sobre a passagem. Para Washington, isso é inaceitável. É um dos pontos que mantém as duas partes tão afastadas.
Qual é o risco real aqui?
Um incidente. Com 15 mil militares americanos e centenas de navios comerciais na mesma água, e o Irã prometendo atacar qualquer coisa que se aproxime, há espaço para um confronto acidental que poderia reacender tudo.
Os navios comerciais sabem em que se estão metendo?
Eles estão presos. Escolher entre ficar sem comida ou arriscar uma escolta militar não é realmente uma escolha. Alguns capitães podem estar aliviados, outros aterrorizados.
E o petróleo? Como isso afeta o resto do mundo?
Diretamente. Quando o Brent chegou a 126 dólares, afetou tudo que depende de combustível. Mesmo caindo para 108, está bem acima do normal. Qualquer escalada aqui dispara os preços novamente.