Trump anuncia acordo histórico com Irã para encerrar conflito no Oriente Médio

Conflito deixou mais de 3.700 mortes em solo libanês desde entrada do Hezbollah em março, com destruição generalizada na região.
Deixem o petróleo fluir, pediu Trump ao mundo
O presidente americano autorizou a reabertura do Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de energia.

Trump autoriza abertura do Estreito de Ormuz e remoção imediata do bloqueio naval dos EUA, permitindo fluxo global de energia. Irã proclama vitória política e exige retirada de sanções, liberação de bilhões congelados e manutenção de programa nuclear civil.

  • Acordo anunciado em junho para encerrar conflito iniciado em 28 de fevereiro com morte do aiatolá Ali Khamenei
  • Reabertura do Estreito de Ormuz e suspensão do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos
  • Assinatura formal prevista para a semana seguinte na Suíça, com 60 dias para negociações sobre sanções e programa nuclear
  • Mais de 3.700 mortes em solo libanês desde entrada do Hezbollah em março
  • Paquistão atuou como mediador oficial das conversas

Donald Trump anuncia acordo com o Irã para encerrar conflito militar iniciado em fevereiro, com reabertura do Estreito de Ormuz e suspensão do bloqueio naval. Assinatura formal prevista para próxima semana na Suíça.

O presidente americano Donald Trump anunciou na segunda quinzena de junho um acordo com o Irã destinado a encerrar o conflito militar que havia começado no final de fevereiro, quando uma operação conjunta de Washington e Israel matou o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano. O anúncio chegou em meio a uma tensão extrema na região — literalmente horas depois que forças israelenses bombardearam um bairro ao sul de Beirute, no Líbano, uma ação que irritou o próprio Trump, que criticou publicamente o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu por ter executado a operação militar num momento tão delicado das negociações.

O acordo, mediado pelo Paquistão ao longo de conversas secretas conduzidas em junho, prevê a reabertura imediata do Estreito de Ormuz — uma das rotas marítimas mais críticas do mundo para o comércio global de energia — e a suspensão do bloqueio naval que os Estados Unidos haviam imposto aos portos iranianos. Trump anunciou a decisão pela rede social Truth Social com linguagem celebratória: autorizou a abertura do Estreito sem pedágio e a remoção imediata do bloqueio, pedindo que navios do mundo inteiro ligassem seus motores e deixassem o petróleo fluir. O memorando de entendimento seria assinado formalmente na semana seguinte, na Suíça, abrindo caminho para uma fase de negociações muito mais complexa.

Do lado iraniano, o tom foi de vitória política. Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, confirmou a suspensão do bloqueio naval e proclamou o fim imediato e permanente da guerra e das operações militares em várias frentes, incluindo o Líbano. Mas Gharibabadi também adotou uma postura de cautela, afirmando à imprensa estatal que o memorando não significava confiança no inimigo e havia sido redigido com desconfiança, com o Irã monitorando o cumprimento dos compromissos americanos. A assinatura formal ocorreria na sexta-feira seguinte, seguida por um prazo de 60 dias para que as partes negociassem os pontos mais sensíveis do tratado.

Os impasses que permaneciam eram substanciais. O Irã exigia a retirada imediata de todas as sanções primárias e secundárias, a revogação de resoluções condenatórias do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica, além da liberação de bilhões de dólares que haviam sido congelados no exterior. Quanto ao programa nuclear, a Casa Branca havia historicamente exigido seu desmantelamento completo, a destruição do material nuclear e garantias de que o Irã não desenvolveria armas atômicas. O Irã, porém, insistia em manter a capacidade de enriquecimento de urânio para fins civis — uma questão que permanecia não resolvida.

O conflito que agora se encaminhava para o fim havia deixado um rastro devastador na região em menos de quatro meses. Após o ataque de 28 de fevereiro que matou Khamenei, o Irã fechou o Estreito de Ormuz e bombardeou bases americanas no Golfo. Em 2 de março, o Líbano entrou oficialmente no conflito através do Hezbollah, levando Israel a lançar uma ofensiva militar massiva que resultou em mais de 3.700 mortes em solo libanês. Uma trégua parcial foi firmada em 8 de abril entre Washington e Teerã, cessando a maior parte dos ataques diretos entre os dois países, mas a guerra continuou ativa entre Israel e o Líbano até o anúncio do acordo em junho.

Trump havia protestado publicamente contra o bombardeio de Beirute, dizendo que o ataque daquela manhã não deveria ter acontecido, especialmente num dia tão especial em que estavam tão perto de um acordo de paz com o Irã. Defendeu que todos os lados deveriam recuar, argumentando que o acordo traria paz à região, incluindo ao Líbano. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, informou que os mediadores facilitariam reuniões técnicas preparatórias ao longo daquela semana para pavimentar o caminho até a cerimônia oficial. O que viria a seguir seria uma negociação delicada sobre sanções econômicas e o futuro do programa nuclear iraniano — questões que poderiam determinar se o acordo duraria ou se a região voltaria ao conflito aberto.

O ataque desta manhã em Beirute não deveria ter acontecido, especialmente em um dia tão especial como este, em que estamos tão perto de um acordo de paz com o Irã
— Donald Trump, presidente dos EUA
Este memorando não significa confiança no inimigo e foi redigido com desconfiança. Monitoraremos o cumprimento dos compromissos dos EUA
— Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Trump criticou Netanyahu justamente quando o acordo estava sendo anunciado?

Model

Porque o bombardeio em Beirute aconteceu horas antes do anúncio. Trump viu a ação militar como um risco desnecessário para as negociações que estavam na reta final. Ele precisava que ambos os lados recuassem para o acordo funcionar.

Inventor

O Irã realmente acredita que os EUA vão cumprir o acordo?

Model

Não, não acredita. Gharibabadi foi bem claro: o memorando foi redigido com desconfiança, não com confiança. O Irã vai monitorar cada movimento americano. Há muita história de acordos quebrados entre esses dois países.

Inventor

Qual é o maior obstáculo agora?

Model

O programa nuclear. Os EUA querem que o Irã abandone completamente a capacidade de enriquecimento. O Irã diz que precisa disso para fins civis. Essa questão não foi resolvida — apenas adiada para os próximos 60 dias.

Inventor

E o dinheiro congelado? Quanto estamos falando?

Model

Bilhões de dólares. O Irã quer acesso a esses recursos como parte do acordo. É um dos pontos que pode fazer ou quebrar as negociações que vêm adiante.

Inventor

O Líbano sai ganhando com isso?

Model

Teoricamente sim. O Hezbollah entra em cessar-fogo, a destruição para. Mas 3.700 pessoas já morreram em solo libanês em menos de quatro meses. O país está devastado. Um acordo de paz não reconstrói o que foi perdido.

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