Trump anuncia acordo com China sobre TikTok após reunião em Madrid

Uma certa empresa que os jovens queriam salvar
Trump referiu-se ao TikTok de forma oblíqua no anúncio do acordo, antes da confirmação dos líderes chineses.

Em Madrid, num palácio que serviu de palco improvável para a geopolítica digital, negociadores americanos e chineses chegaram a um entendimento sobre o destino do TikTok — a aplicação que condensou, numa só plataforma, as ansiedades de uma era: soberania de dados, influência estrangeira e o poder de capturar a atenção de uma geração. Trump anunciou o acordo com a discrição calculada de quem sabe o peso simbólico das palavras, enquanto o mundo aguarda a confirmação dos dois presidentes para perceber se uma das disputas tecnológicas mais carregadas da última década encontrou, finalmente, uma saída.

  • O prazo de 17 de setembro imposto por Trump criou uma pressão real: vender ou banir — e Madrid tornou-se o lugar onde essa tensão encontrou uma resposta provisória.
  • A ByteDance, dona de uma das aplicações mais valiosas do planeta, enfrenta agora a exigência de ceder o controlo da sua filial americana para proprietários norte-americanos.
  • Os detalhes comerciais permanecem confidenciais, o que alimenta incerteza sobre quem comprará, a que preço e com que garantias de independência editorial.
  • Trump e Xi Jinping devem confirmar o acordo na sexta-feira, transformando uma negociação técnica numa declaração política de alto nível entre as duas maiores potências do mundo.
  • As negociações sobre tarifas aduaneiras continuam em paralelo, com uma quinta ronda prevista dentro de um mês — sinal de que o acordo sobre o TikTok é um capítulo, não o fim da história.

Negociadores dos Estados Unidos e da China reuniram-se na segunda-feira em Madrid, no Palácio de Santa Cruz, e saíram com um acordo sobre o TikTok — a rede social que se tornou símbolo de uma disputa mais profunda sobre dados, soberania e influência digital. Trump anunciou o resultado na sua plataforma Truth Social, referindo-se à aplicação de forma velada como "uma certa empresa que os jovens queriam salvar". A delegação americana foi liderada pelo secretário do Comércio, Scott Bessent; a chinesa, pelo vice-primeiro-ministro He Lifeng.

O acordo prevê que a filial americana do TikTok passe para controlo norte-americano, obrigando a ByteDance a abrir mão de uma das aplicações mais valiosas do mundo. Bessent recusou divulgar os termos comerciais específicos, que permanecerão entre as partes privadas envolvidas. Trump planeava falar com Xi Jinping na sexta-feira para confirmação formal.

O TikTok nasceu em 2016 na China como Douyin e chegou ao mercado americano em 2017, após a aquisição da Musical.ly. O crescimento foi vertiginoso: hoje conta com mais de 1.500 milhões de utilizadores mensais, cerca de 150 milhões só nos EUA. Foi precisamente essa escala que alimentou as preocupações de Washington — o acesso potencial de Pequim aos dados de comportamento de milhões de cidadãos americanos.

Bessent e o representante comercial Jamieson Greer atribuíram o avanço à relação pessoal entre Trump e Xi, sublinhando que "quando existe respeito entre ambos, também as delegações se respeitam". Mas o TikTok não esgotava a agenda: as negociações sobre tarifas aduaneiras continuam, com uma quinta ronda prevista dentro de um mês, lembrando que a relação comercial entre as duas potências permanece complexa muito além de uma única aplicação.

Negociadores comerciais dos Estados Unidos e da China saíram de uma reunião em Madrid na segunda-feira com um acordo sobre o TikTok — a rede social que se tornou central numa disputa geopolítica sobre dados, soberania e o acesso de Pequim aos hábitos digitais de milhões de americanos.

Donald Trump anunciou o resultado através da sua plataforma Truth Social, referindo-se ao TikTok de forma oblíqua como "uma certa empresa que os jovens queriam salvar". A delegação norte-americana foi liderada pelo secretário do Comércio, Scott Bessent, enquanto a China enviou o vice-primeiro-ministro He Lifeng. Os dois lados reuniram-se no Palácio de Santa Cruz, a sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol, transformando Madrid num palco improvável para uma negociação que Trump tinha fixado com um prazo urgente: 17 de setembro.

O que emergiu da reunião foi um quadro de acordo segundo o qual a filial americana do TikTok passaria para propriedade controlada pelos Estados Unidos. Bessent foi cuidadoso nas suas palavras, recusando-se a divulgar os termos comerciais específicos — esses, disse, permaneceriam entre as partes privadas envolvidas. Mas o essencial estava claro: a ByteDance, a empresa-mãe chinesa, teria de soltar o seu controlo sobre uma das aplicações mais valiosas do mundo. Trump planeava falar com o presidente chinês Xi Jinping na sexta-feira para confirmar o acordo, e ambos os lados expressaram confiança de que a confirmação chegaria.

O TikTok não começou como uma aplicação americana. Nasceu em 2016como Douyin, um serviço de vídeos curtos lançado na China pela ByteDance. O seu sucesso doméstico levou a uma versão internacional, e em 2017, a ByteDance comprou a Musical.ly, uma aplicação americana de vídeos curtos que lhe abriu as portas do mercado dos Estados Unidos. O crescimento foi meteórico. Em apenas dois anos, o TikTok era a aplicação mais descarregada em várias lojas digitais. No primeiro trimestre de 2018, liderava o ranking mundial das aplicações móveis. Hoje, tem mais de 1.500 milhões de utilizadores ativos mensais em todo o mundo, dos quais cerca de 150 milhões nos Estados Unidos.

Mas esse sucesso criou um problema político. Trump e outros responsáveis americanos argumentavam que Pequim poderia usar a plataforma para aceder aos dados de centenas de milhões de cidadãos americanos — informações sobre o que veem, com quem falam, onde estão, o que compram. A preocupação não era teórica. Era o tipo de acesso que qualquer governo gostaria de ter sobre a população de um rival geopolítico. Por isso, Trump tinha estabelecido um prazo: a ByteDance tinha de vender ou o TikTok seria banido nos Estados Unidos.

Bessent e Jamieson Greer, o representante do Comércio dos Estados Unidos, atribuíram o acordo à intervenção pessoal de Trump e ao que descreveram como a "grande consideração" que Trump tem pelo presidente Xi. "Quando existe respeito entre ambos, também as delegações se respeitam", disseram. A reunião em Madrid foi, portanto, tanto um reflexo das relações entre os dois presidentes como um resultado das negociações técnicas.

Mas o acordo sobre o TikTok não era o único assunto em cima da mesa. Bessent e Greer anunciaram que as negociações sobre tarifas aduaneiras — uma questão que tinha estado no centro da retórica comercial de Trump — continuariam com uma quinta ronda de conversações, presumivelmente dentro de um mês, num local ainda a ser determinado. A questão das tarifas permanecia em aberto, um lembrete de que a relação comercial entre Washington e Pequim continuava complexa e multifacetada, mesmo quando um acordo sobre um ponto específico tinha sido alcançado.

O quadro do acordo é que o TikTok passe a uma propriedade controlada pelos Estados Unidos, mas isso terá de ser confirmado pelos líderes na sexta-feira
— Scott Bessent, secretário do Comércio dos EUA
Quando existe respeito entre ambos, também as delegações se respeitam
— Bessent e Jamieson Greer, representante do Comércio dos EUA
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Porque é que Trump descreveu o TikTok de forma tão vaga — "uma certa empresa que os jovens queriam salvar" — em vez de simplesmente nomear a plataforma?

Model

Provavelmente porque ainda não havia confirmação dos líderes chineses. Bessent foi claro: tinham um quadro, mas Xi Jinping teria de confirmar na sexta-feira. Nomear o TikTok publicamente antes dessa confirmação poderia ter complicado as negociações ou criado expectativas que não conseguissem cumprir.

Inventor

O que significa exatamente "propriedade controlada pelos Estados Unidos"? Será que a ByteDance vende completamente, ou apenas cede o controlo?

Model

Bessent recusou-se a dar detalhes, o que é significativo. Disse que os "termos comerciais" tinham sido acordados mas que não podiam ser divulgados porque envolviam "duas partes privadas". Isso sugere que a estrutura é mais complexa do que uma simples venda — pode envolver uma parceria, uma concessão de controlo, ou algo intermédio.

Inventor

Porque é que Madrid foi escolhida para esta reunião?

Model

Não está claro no anúncio, mas Madrid é uma capital europeia neutra, longe tanto de Washington como de Pequim. Pode ter sido escolhida para criar um espaço de negociação que não parecesse favorecer nenhuma das partes — um palácio do Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol é um cenário diplomático respeitável.

Inventor

A relação pessoal entre Trump e Xi parece ter sido crucial aqui. Isso é preocupante?

Model

Depende da perspectiva. Por um lado, mostra que a diplomacia pessoal ainda funciona — dois líderes que se respeitam conseguem resolver questões complexas. Por outro lado, significa que acordos comerciais importantes podem depender de relacionamentos pessoais em vez de estruturas institucionais sólidas, o que pode torná-los frágeis.

Inventor

E quanto às tarifas? Isso parece estar ainda em negociação.

Model

Sim, e é importante. O TikTok foi resolvido, mas as tarifas aduaneiras — que afetam bilhões em comércio — continuam em aberto. Uma quinta ronda de conversações está marcada para dentro de um mês. O acordo sobre o TikTok pode ser um sinal de que as duas partes conseguem encontrar terreno comum, mas a questão comercial mais ampla está longe de estar resolvida.

Contáctanos FAQ