O quadro do acordo é que o TikTok passe a uma propriedade controlada pelos Estados Unidos
Em Madrid, diplomatas americanos e chineses chegaram a um entendimento sobre o destino do TikTok, transferindo o controlo da sua filial norte-americana para proprietários dos Estados Unidos. O acordo, anunciado por Trump com a discrição de quem fala de 'uma certa empresa que os jovens queriam salvar', encerra meses de incerteza sobre uma plataforma que moldou a cultura de uma geração. A confirmação final ficou reservada para uma conversa entre Trump e Xi Jinping, lembrando que, mesmo na era digital, os grandes destinos se decidem entre líderes.
- O prazo de 17 de setembro imposto por Trump à ByteDance criou uma corrida contra o tempo para evitar o bloqueio do TikTok nos EUA.
- A preocupação com o acesso de Pequim aos dados de 150 milhões de utilizadores americanos tornou esta negociação uma questão de segurança nacional, não apenas comercial.
- As delegações reuniram-se no Palácio de Santa Cruz, em Madrid, com Bessent e He Lifeng a liderarem conversações que culminaram num acordo de transferência de propriedade.
- Os termos comerciais entre as partes privadas já foram fechados, mas os detalhes permanecem confidenciais até à confirmação pelos dois presidentes na sexta-feira.
- O acordo abre caminho a uma quinta ronda de negociações sobre tarifas aduaneiras, prevista para daqui a um mês, sinalizando que o diálogo entre Washington e Pequim continua.
Donald Trump anunciou na segunda-feira que representantes comerciais dos Estados Unidos e da China chegaram a acordo em Madrid sobre o TikTok: a filial norte-americana da plataforma passará para controlo de proprietários americanos. O Presidente comunicou a notícia nas redes sociais sem mencionar o nome da aplicação, referindo-se apenas a 'uma certa empresa que os jovens queriam salvar', e adiantou que falaria com Xi Jinping na sexta-feira para confirmar os detalhes finais.
A delegação americana foi liderada pelo secretário do Comércio Scott Bessent, e a chinesa pelo vice-primeiro-ministro He Lifeng. Reuniram-se no Palácio de Santa Cruz, sede da diplomacia espanhola. Bessent confirmou o essencial do acordo — a transferência da propriedade do TikTok nos EUA para mãos americanas — mas recusou divulgar como a operação será executada, sublinhando que os termos comerciais entre as partes privadas já estão fechados e não serão tornados públicos.
O acordo resolve uma disputa que Trump havia tornado urgente ao fixar o dia 17 de setembro como prazo para a ByteDance vender a filial americana. A preocupação central era o potencial acesso de Pequim aos dados de mais de 150 milhões de utilizadores norte-americanos. Bessent e o representante do Comércio Jamieson Greer atribuíram o sucesso das negociações ao respeito mútuo entre Trump e Xi, afirmando que esse tom se reflete nas próprias delegações. As negociações sobre tarifas aduaneiras prosseguem, com uma quinta ronda prevista para dentro de um mês.
Representantes comerciais dos Estados Unidos e da China fecharam um acordo sobre o TikTok numa reunião em Madrid, anunciou Donald Trump na segunda-feira. O acordo estabelece que a filial norte-americana da rede social passará para o controlo de proprietários americanos, encerrando uma disputa que se arrastava há meses sobre quem deveria controlar a plataforma que milhões de jovens usam diariamente.
Trump não mencionou o TikTok pelo nome quando comunicou a notícia nas redes sociais, referindo-se apenas a "uma certa empresa que os jovens queriam salvar". Escreveu que a "grande reunião comercial na Europa entre os Estados Unidos e a China correu muito bem" e que a relação entre os dois países "continua forte". O Presidente anunciou que falaria por telefone com o Presidente chinês Xi Jinping na sexta-feira para confirmar os detalhes finais do acordo.
A delegação norte-americana foi liderada pelo secretário do Comércio, Scott Bessent, enquanto a China enviou o vice-primeiro-ministro He Lifeng. Os dois lados reuniram-se no Palácio de Santa Cruz, sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol. Pouco depois do anúncio de Trump, Bessent confirmou que o acordo prevê a transferência da propriedade do TikTok nos Estados Unidos para mãos americanas, embora tenha recusado divulgar detalhes específicos sobre como a operação será executada. "O quadro do acordo é que o TikTok passe a uma propriedade controlada pelos Estados Unidos, mas isso terá de ser confirmado pelos líderes na sexta-feira", declarou. Bessent acrescentou que os termos comerciais já foram acordados entre as partes privadas envolvidas, mas que não seriam tornados públicos.
Este acordo resolve uma questão que Trump havia colocado como urgente. O Presidente havia estabelecido o dia 17 de setembro como prazo para que a ByteDance, empresa-mãe chinesa do TikTok, vendesse a filial norte-americana. A preocupação central era que o Governo de Pequim pudesse ter acesso aos dados de milhões de cidadãos americanos através da plataforma. Com mais de 150 milhões de utilizadores ativos nos Estados Unidos, o TikTok tornou-se uma das aplicações mais populares entre os jovens, após a sua expansão internacional que começou com a aquisição da Musical.ly em 2017.
Bessent e Jamieson Greer, representante do Comércio dos Estados Unidos, atribuíram o sucesso das negociações à intervenção de Trump e ao respeito que o Presidente tem pelo seu homólogo chinês. "Quando existe respeito entre ambos, também as delegações se respeitam", afirmaram. Os dois oficiais confirmaram também que as negociações sobre tarifas aduaneiras continuarão com uma quinta ronda de conversações, previsivelmente dentro de um mês, em local ainda a determinar. O acordo sobre o TikTok marca um ponto de viragem numa disputa comercial mais ampla entre Washington e Pequim, mostrando que mesmo em questões sensíveis, ambos os lados conseguem encontrar terreno comum quando há vontade política.
Citas Notables
O quadro do acordo é que o TikTok passe a uma propriedade controlada pelos Estados Unidos, mas isso terá de ser confirmado pelos líderes na sexta-feira.— Scott Bessent, secretário do Comércio dos EUA
Quando existe respeito entre ambos, também as delegações se respeitam.— Scott Bessent e Jamieson Greer, representantes comerciais dos EUA
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Porque é que Trump tinha tanta pressa em resolver isto até 17 de setembro?
A preocupação era o acesso aos dados. Com 150 milhões de utilizadores nos EUA, Trump via o TikTok como uma janela potencial para o Governo chinês espiar cidadãos americanos. Era uma questão de segurança nacional, não apenas de negócios.
Mas o acordo foi anunciado antes do prazo. O que mudou?
A reunião em Madrid parece ter desbloqueado algo. Quando Bessent e He Lifeng se sentaram juntos, conseguiram estabelecer um quadro que ambos os lados podiam aceitar. Trump diz que vai confirmar tudo com Xi na sexta-feira, mas a estrutura já está fechada.
A ByteDance vai perder completamente o TikTok?
Tecnicamente, sim. A propriedade passa para mãos americanas. Mas Bessent recusou falar dos termos comerciais, o que sugere que pode haver compensação ou alguma estrutura de transição que não foi revelada.
E quanto aos utilizadores? Muda algo para eles?
Provavelmente não, no imediato. O TikTok continua a funcionar. O que muda é quem controla os dados e as decisões sobre a plataforma. Isso é invisível para quem apenas usa a app.
Isto é uma vitória para Trump?
Ele conseguiu o que queria: o TikTok sai do controlo chinês antes do prazo que estabeleceu. Mas também mostra que consegue negociar com a China sem confronto total. Há mais negociações sobre tarifas à frente.