Trump ameaça Irão e negociações são interrompidas; petróleo sobe

Conflito causou perdas de 1,15 mil milhões de barris de petróleo global e aumentou custos energéticos para famílias americanas em mais de 253 dólares.
Nem sequer poderão regressar ao seu maldito país
Trump ameaçou destruir o Irão se fechasse o estreito de Ormuz durante negociações de paz na Suíça.

Trump ameaçou destruir o Irão e assumir controlo do estreito de Ormuz enquanto negociações de paz decorrem na Suíça, levando delegação iraniana a abandonar as conversações. Vice-presidente Vance sinalizou 'grandes progressos' nas negociações horas antes de Trump endurecer discurso nas redes sociais, criando contradição na postura diplomática americana.

  • Trump ameaçou destruir o Irão e assumir controlo do estreito de Ormuz durante negociações de paz em Bürgenstock, Suíça
  • Delegação iraniana abandonou conversações após ameaças de Trump; primeira ronda durou 80 minutos
  • Guerra custou 40 mil milhões de dólares ao Pentágono; famílias americanas gastaram mais 253 dólares em energia
  • Preços de petróleo subiram 1,24% (Brent) e 1,41% (WTI) com tensões diplomáticas
  • Mundo perdeu 1,15 mil milhões de barris de abastecimento de petróleo durante o conflito

Negociações de paz entre EUA e Irão na Suíça foram interrompidas após Trump ameaçar destruir o país e controlar o estreito de Ormuz. Os preços do petróleo subiram com as tensões diplomáticas.

No domingo à tarde, em Bürgenstock, na Suíça, duas delegações sentaram-se para negociar o fim de uma guerra que já custou dezenas de milhares de milhões de dólares e deixou o mundo inteiro a pagar mais pela gasolina. JD Vance, vice-presidente dos Estados Unidos e principal negociador americano, saiu de uma conferência de imprensa a dizer que havia "grandes progressos". Descreveu a postura americana como uma "mão estendida" ao povo iraniano, argumentando que se Teerão abandonasse as ambições nucleares e deixasse de ser um fator de instabilidade regional, Washington estaria disposto a transformar fundamentalmente a relação entre os dois países. Vance tentou também minimizar as preocupações sobre os combates em curso no Líbano, insistindo que havia progressos no sentido de manter um cessar-fogo naquela região.

Minutos depois, Donald Trump publicou uma série de mensagens na sua rede Truth Social que desfez qualquer ilusão de diplomacia contida. O presidente americano ameaçou destruir o Irão se o país não interrompesse imediatamente o apoio aos militantes do Hezbollah no Líbano. Mas as ameaças foram muito além disso. Trump declarou que os Estados Unidos poderiam tomar o controlo do estreito de Ormuz pela força, tornando-se o "anjo da guarda" daquele ponto estratégico do mundo, e até sugeriu que Washington poderia ficar com 20% do petróleo que passa por ali. À Fox News, foi ainda mais direto: "Eu disse-lhes que se fecharem o estreito, ficarão sem país. Nem sequer poderão regressar ao seu maldito país."

O contexto para estas ameaças era a declaração do Irão de que fecharia o estreito de Ormuz em retaliação aos ataques contínuos de Israel no Líbano. O estreito é uma das vias navegáveis mais críticas do mundo para o comércio de petróleo, e qualquer bloqueio tem implicações imediatas nos mercados globais. Quando Trump falou, os preços do petróleo já estavam a subir. O Brent do Mar do Norte, a referência para as importações europeias, avançou 1,24% para 81,58 dólares por barril. O West Texas Intermediate, o "benchmark" americano, subiu 1,41% para 78,42 dólares por barril. Estes aumentos refletiam a incerteza gerada pelas ameaças do presidente americano e pela possibilidade de as negociações colapsarem.

A delegação iraniana, que incluía Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento e principal negociador de Teerão, e Abbas Araghchi, ministro dos Negócios Estrangeiros, abandonou a sala em protesto. A primeira ronda de conversações, que havia durado cerca de 80 minutos, foi interrompida. Não ficou imediatamente claro quando é que as duas partes voltariam a reunir-se. Ghalibaf respondeu às ameaças de Trump numa publicação na rede X, argumentando que as ameaças americanas não tinham qualquer efeito e que as forças armadas iranianas estavam prontas para responder "de uma forma diferente". "Independentemente do que digam, somos nós que agimos", escreveu.

O colapso das negociações ocorre num contexto de custos humanos e económicos já enormes. A guerra entre os Estados Unidos e o Irão já custou ao Pentágono cerca de 40 mil milhões de dólares, de acordo com números preliminares de uma análise do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. Este valor inclui munições, equipamento destruído e danos em bases militares, mas não incorpora os custos operacionais já contabilizados no orçamento de defesa de 2026, que ascende a mais de um bilião de dólares. Outras agências federais, como a da Segurança Interna e dos Assuntos dos Veteranos, gastaram mais mil milhões de dólares adicionais.

Os consumidores americanos também pagaram um preço direto. Os preços da gasolina subiram de uma média inferior a 3 dólares por galão para bem mais de 4 dólares durante grande parte da guerra. De acordo com um indicador de custos energéticos da Universidade de Brown, as famílias americanas gastaram mais de 253 dólares do que teriam pago se não houvesse conflito. A inflação anual ultrapassou em maio os 4%, o nível mais alto em três anos, impulsionada principalmente pelo encarecimento da energia. Há quase quatro meses que não sai petróleo do Médio Oriente. No total, o mundo perdeu 1,15 mil milhões de barris de abastecimento durante a guerra, de acordo com a plataforma de análise de commodities Kpler.

O memorando de entendimento assinado antes das negociações estipulava que ambas as partes se "absteriam de ameaçar ou recorrer à força uma contra a outra". Aquele documento parecia agora estar em pedaços. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, afirmou que as forças israelitas permaneceriam no Líbano "enquanto for necessário", uma declaração que complicava ainda mais a situação. A contradição entre o otimismo de Vance e as ameaças de Trump deixou claro que a delegação americana estava dividida sobre a estratégia. O que começou como uma tentativa de negociar a paz terminou, pelo menos por enquanto, com as duas partes ainda mais afastadas do que estavam quando chegaram à Suíça.

Se os vossos líderes estiverem dispostos a deixar de ser um fator de instabilidade regional, se estiverem dispostos a abandonar as ambições nucleares a longo prazo, então os Estados Unidos estão dispostos a transformar fundamentalmente a nossa relação com aquele país
— JD Vance, vice-presidente dos EUA
Será que não pensam que, se as suas ameaças tivessem algum efeito, não teriam chegado ao estado de desespero em que se encontram hoje? Não levamos em conta as ameaças americanas
— Mohammad Bagher Ghalibaf, negociador iraniano
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Como é que Vance consegue dizer que há grandes progressos e depois Trump ameaça destruir o país? Não é contraditório?

Model

É mais do que contraditório. Sugere que não há uma estratégia unificada. Vance estava a tentar criar espaço para negociações, a falar a linguagem da diplomacia. Trump estava a fazer o oposto — a usar a ameaça como ferramenta de pressão. O problema é que fizeram isto ao mesmo tempo, na mesma sala.

Inventor

Mas o Irão fechou o estreito de Ormuz primeiro, não foi?

Model

Declarou que o faria, em retaliação aos ataques de Israel no Líbano. Mas Trump respondeu como se o Irão já tivesse feito. E depois ameaçou não apenas retaliar, mas tomar o controlo do estreito para os EUA. É uma escalada rápida.

Inventor

Qual é o verdadeiro custo desta guerra? Os 40 mil milhões de dólares?

Model

Esse é apenas o custo militar direto. Mas as famílias americanas já gastaram mais de 253 dólares a mais em energia. A inflação está nos 4%. O mundo perdeu 1,15 mil milhões de barris de petróleo. O custo real é muito mais amplo — é económico, é político, é pessoal.

Inventor

Porque é que o Irão abandonou a sala?

Model

Porque Trump ameaçou destruir o país enquanto estavam a negociar. Não há muito espaço para diplomacia depois disso. Ghalibaf respondeu dizendo que as ameaças não funcionam, que as forças iranianas estão prontas. É uma forma de dizer: não vamos negociar sob coação.

Inventor

Isto significa que as negociações terminaram?

Model

Não necessariamente terminaram, mas foram interrompidas. A primeira ronda durou 80 minutos. Ninguém sabe quando é que vão voltar a reunir-se. Tudo depende de se alguém conseguir recalibrar a estratégia americana — ou se Trump vai continuar a ameaçar.

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