Trump ameaça dissolver Brics rapidamente e impõe tarifa de 10% aos membros

Nunca podemos deixar ninguém brincar conosco
Trump reafirma sua posição contra o Brics e ameaça dissolver o bloco rapidamente se ele se consolidar.

Num momento em que as estruturas multilaterais tradicionais mostram suas fissuras, Donald Trump reitera a ameaça de uma tarifa de 10% sobre os membros do Brics, advertindo que o bloco seria rapidamente desfeito caso se consolidasse. A mensagem, repetida sem evidências concretas, enquadra o grupo como uma conspiração contra o dólar e os interesses americanos — acusação que os próprios líderes do bloco rejeitam. O episódio revela menos uma crise diplomática pontual do que uma tensão estrutural mais profunda: a disputa pelo centro de gravidade da ordem econômica global.

  • Trump reitera pela segunda vez em julho a ameaça de tarifa de 10% sobre importações de países do Brics, sem citar nomes, mas com recado inequívoco: ninguém 'brinca' com os Estados Unidos.
  • A acusação de que o Brics foi criado para enfraquecer o dólar — repetida sem provas — acirra o clima diplomático e coloca os membros do bloco na defensiva.
  • O Brasil, que presidiu o Brics em 2025, enfrenta pressão bilateral adicional: Trump anunciou tarifa de 50% sobre exportações brasileiras a partir de agosto e abriu investigação sobre práticas comerciais do país.
  • O Brics avança silenciosamente com o Brics Pay, sistema de pagamentos em moedas locais que pode reduzir a dependência do dólar sem exigir uma moeda comum — caminho que o Brasil já sinalizou preferir.
  • A escalada comercial americana sinaliza que Washington está disposto a usar tarifas não apenas como instrumento econômico, mas como arma geopolítica contra qualquer alternativa à ordem centrada no dólar.

Donald Trump voltou a ameaçar o Brics nesta sexta-feira com uma tarifa de 10% sobre as importações de seus membros, repetindo que o bloco seria dissolvido rapidamente caso se consolidasse de forma significativa. Sem citar países pelo nome, o presidente americano foi direto: ninguém poderia "brincar" com os Estados Unidos. A ameaça já havia sido anunciada em 6 de julho, atrelada a qualquer nação que adotasse o que Trump chama de "políticas antiamericanas" do grupo.

Trump insiste, sem apresentar evidências, que o Brics foi criado para prejudicar os EUA e enfraquecer o dólar como moeda de reserva mundial. Os líderes do bloco rejeitam essa leitura. O grupo, que nasceu com Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, expandiu-se recentemente para incluir Irã e Indonésia, e tem feito críticas indiretas às políticas comerciais e militares americanas — sem, contudo, declarar caráter antiamericano.

O presidente reafirmou também seu compromisso com a preservação do dólar e prometeu vetar qualquer moeda digital de banco central nos EUA. A preocupação reflete o avanço do Brics Pay, sistema de pagamentos em moedas locais que busca reduzir a dependência do dólar no comércio internacional — sem exigir uma moeda comum, caminho que o Brasil, na presidência do bloco em 2025, já descartou.

O Brasil foi alvo direto da pressão bilateral: Trump anunciou tarifa de 50% sobre exportações brasileiras a partir de agosto e abriu investigação sobre práticas comerciais consideradas "injustas" por Washington. A combinação de pressão sobre o bloco e sobre seus membros individualmente revela uma estratégia deliberada de usar o comércio como instrumento geopolítico para desestabilizar qualquer alternativa à ordem econômica centrada nos Estados Unidos.

Donald Trump voltou a ameaçar o Brics nesta sexta-feira com uma tarifa de 10% sobre as importações de seus membros, reiterando que o bloco seria dissolvido rapidamente caso chegasse a se consolidar de forma significativa. O presidente americano não mencionou nenhum país pelo nome, mas foi direto na mensagem: "Nunca podemos deixar ninguém brincar conosco."

A ameaça não é nova. Trump já havia anunciado essa tarifa em 6 de julho, alegando que se aplicaria a qualquer nação que adotasse o que ele chamou de "políticas antiamericanas" do grupo. Desde então, o presidente tem repetido, sem apresentar evidências, que o Brics foi criado especificamente para prejudicar os Estados Unidos e enfraquecer o dólar como moeda de reserva mundial. Os líderes do bloco rejeitam essa caracterização, negando que o grupo tenha qualquer intenção antiamericana.

O contexto dessa escalada é a crescente fragmentação das estruturas multilaterais tradicionais. Enquanto o G7 e o G20 enfrentam divisões internas e a abordagem "EUA em primeiro lugar" de Trump, o Brics se posiciona como uma alternativa para a diplomacia multilateral. O bloco, que começou com Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, expandiu-se no ano passado para incluir membros como Irã e Indonésia. Seus líderes têm feito críticas indiretas às políticas militares e comerciais americanas.

Trump também reafirmou seu compromisso com a preservação do status do dólar como moeda de reserva global e prometeu nunca permitir a criação de uma moeda digital de banco central nos Estados Unidos. Essa posição reflete a preocupação americana com iniciativas do Brics que possam contornar o domínio do dólar no comércio internacional.

O Brasil, que presidiu o Brics este ano, rejeitou em fevereiro os planos de pressionar por uma moeda comum do bloco. Porém, o grupo avança em um projeto alternativo: o Brics Pay, um sistema de pagamento internacional que facilitaria o comércio e as transações financeiras em moedas locais, reduzindo a dependência do dólar.

Trump também mirou especificamente no Brasil, anunciando uma tarifa de 50% sobre suas exportações para os Estados Unidos a partir de agosto e lançando uma investigação separada sobre o que Washington chamou de práticas comerciais "injustas" brasileiras. Essa pressão bilateral se soma à ameaça mais ampla contra o bloco como um todo, sinalizando que a administração americana está disposta a usar ferramentas comerciais para desestabilizar tanto o Brics quanto seus membros individuais.

Se algum dia eles realmente se formarem de modo significativo, isso acabará muito rapidamente
— Donald Trump, presidente dos EUA
Nunca podemos deixar ninguém brincar conosco
— Donald Trump, presidente dos EUA
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Trump vê o Brics como uma ameaça tão imediata? O bloco realmente tem poder para desafiar o dólar?

Model

Trump está preocupado menos com o que o Brics é agora e mais com o que poderia se tornar. Um sistema de pagamento alternativo que funcione bem, mesmo que apenas entre seus membros, enfraqueceria a alavanca financeira americana.

Inventor

Mas o Brasil rejeitou uma moeda comum. Isso não reduz a ameaça?

Model

Reduz, mas não elimina. O Brics Pay não precisa ser uma moeda para ser disruptivo. Se Brasil, Índia e China conseguirem fazer transações significativas em suas próprias moedas, o dólar perde volume e influência.

Inventor

Por que Trump não menciona os países pelo nome?

Model

É uma tática. Ao falar do "grupo do Brics" sem nomes, ele cria uma ameaça genérica que se aplica a todos. Também evita parecer que está atacando países específicos, mesmo que depois imponha tarifas de 50% ao Brasil.

Inventor

Qual é o risco real para o Brics?

Model

As tarifas são reais e prejudicam economias que dependem de exportações. Mas o risco maior é político: se Trump conseguir dividir o bloco, oferecendo acordos bilaterais melhores a alguns membros, o Brics enfraquece de dentro.

Inventor

Os líderes do Brics conseguem resistir a essa pressão?

Model

Depende de quanto cada um está disposto a sacrificar. A Rússia está isolada. A China tem alternativas. O Brasil está vulnerável. A coesão do bloco será testada nos próximos meses.

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