Doge é o monstro que pode voltar e devorar o Elon
Dois homens que construíram uma aliança de conveniência agora se enfrentam publicamente, revelando as fraturas inevitáveis entre o poder político e o poder econômico. Donald Trump ameaçou deportar Elon Musk e investigar os bilhões em contratos federais de suas empresas, depois que o bilionário sul-africano naturalizado americano criticou o projeto de lei orçamentária republicana e propôs a criação de um novo partido político. O episódio, que fez as ações da Tesla recuarem mais de 4%, lembra que alianças forjadas por interesse raramente sobrevivem ao momento em que os interesses divergem.
- Trump respondeu às críticas de Musk com uma ameaça calculada: sugeriu deportação e acenou com investigações do Doge sobre os mais de US$ 20 bilhões em contratos federais das empresas do bilionário.
- Musk escalou o confronto pelo X, chamando o projeto de lei orçamentária de destruidor de empregos e propondo a criação do 'America Party' como alternativa aos dois partidos tradicionais.
- O mercado reagiu imediatamente: ações da Tesla caíram mais de 4%, com investidores preocupados com o futuro de projetos como o programa de robotáxis, que depende de regulamentações federais.
- Musk recuou ligeiramente no tom, escrevendo que evitaria escalar ainda mais o conflito 'por ora', mas manteve a postura desafiadora diante das ameaças presidenciais.
- O desgaste da imagem de Musk por seu alinhamento com a extrema-direita já se reflete em vendas mistas da Tesla nos mercados europeus, ampliando a pressão sobre o bilionário.
Donald Trump e Elon Musk, outrora aliados próximos, trocam ataques públicos em uma escalada que começou com as críticas do bilionário ao projeto de lei orçamentária republicana. Quando jornalistas perguntaram a Trump se considerava deportar Musk, o presidente respondeu com ambiguidade deliberada: "Não sei. Teremos que analisar." A frase, dita durante um evento oficial, marcou um novo patamar na tensão entre os dois.
O rompimento tem raízes recentes. Musk, nascido na África do Sul e naturalizado americano, foi um dos maiores financiadores da campanha de Trump em 2024 e chegou a integrar o governo como coordenador do Doge. Divergências sobre política de veículos elétricos e energia limpa levaram ao afastamento em maio, e o projeto de lei orçamentária abriu as feridas de vez. Pelo X, Musk chamou o texto de destruidor de empregos e propôs a criação de um novo partido, o "America Party", caso a lei fosse aprovada.
Trump respondeu pelo Truth Social com ameaças diretas, sugerindo que o Doge poderia investigar os subsídios das empresas de Musk — Tesla, SpaceX e Starlink —, que acumulam mais de US$ 20 bilhões em contratos federais. "Sem subsídios, Elon provavelmente teria que fechar as portas e voltar para a África do Sul", disse o presidente. A ameaça tem peso real: a Tesla depende de créditos fiscais para veículos elétricos, benefícios que o próprio projeto de Trump pretende reduzir.
O mercado sentiu o impacto imediatamente. As ações da Tesla recuaram mais de 4%, com investidores preocupados com o programa de robotáxis, que depende diretamente de regulamentações federais e estaduais. Musk manteve o tom desafiador, mas sinalizou que evitaria escalar ainda mais o conflito "por ora". O confronto segue sendo acompanhado de perto por mercados e governos ao redor do mundo.
Donald Trump e Elon Musk, que uma vez foram aliados próximos, agora trocam ataques públicos em uma escalada que começou com críticas do bilionário ao projeto de lei orçamentária do governo. Na terça-feira, quando questionado por jornalistas se considerava deportar Musk, Trump respondeu com ambiguidade calculada: "Não sei. Teremos que analisar". A resposta, dada durante um evento oficial, marcou um novo patamar na tensão entre os dois homens mais poderosos de seus respectivos domínios.
O rompimento entre eles é recente. Musk, nascido na África do Sul e naturalizado americano, foi um dos principais financiadores da campanha presidencial de Trump em 2024. No início do mandato, chegou a integrar o governo como coordenador do Doge, o Departamento de Eficácia Governamental. Mas em maio, divergências sobre política de veículos elétricos e energia limpa levaram ao afastamento. Agora, com o projeto de lei orçamentária em discussão, as feridas abriram completamente.
Musk disparou suas críticas pelo X, a rede social que possui. Chamou o projeto de lei do Senado de destruidor de milhões de empregos e causador de dano estratégico ao país. Acusou os republicanos de abandonarem investimentos em veículos elétricos e energias renováveis, setores que ele considera fundamentais para o futuro econômico americano. Mais que isso, propôs a criação de um novo partido político, o "America Party", como alternativa tanto aos republicanos quanto aos democratas, caso o projeto fosse aprovado.
Trump respondeu com ameaças diretas. Pelo Truth Social, sugeriu que o Doge poderia investigar os subsídios recebidos pelas empresas de Musk—Tesla, SpaceX e Starlink. "Talvez tenhamos que impor o Doge sobre Elon. Sabe o que é Doge? Doge é o monstro que pode voltar e devorar o Elon", escreveu. O presidente foi além, afirmando que sem os bilhões em contratos e benefícios federais, Musk teria dificuldades para manter seus negócios. "Sem subsídios, Elon provavelmente teria que fechar as portas e voltar para a África do Sul", disse.
Os números revelam por que a ameaça tem peso. Um levantamento do Financial Times publicado em fevereiro mostrou que as seis principais companhias de Musk acumulam mais de 20 bilhões de dólares em contratos com o governo dos EUA. A Tesla, em particular, depende de créditos fiscais para a compra de veículos elétricos—benefícios que estão sendo reduzidos no projeto de lei fiscal impulsionado por Trump. Musk alega que todos os contratos foram conquistados por mérito e que suas empresas proporcionaram retorno aos cofres públicos, mas o mercado não parece convencido.
As ações da Tesla caíram mais de 4% na terça-feira. Investidores temem pelo futuro de projetos ambiciosos como o programa de robotáxis, que depende diretamente de regulamentações estaduais e federais. Gene Munster, sócio-gerente da Deepwater Asset Management, uma das principais investidoras da Tesla, expressou a preocupação do mercado: a avaliação da empresa neste momento se baseia no progresso em direção à autonomia, e esse é exatamente o risco que Trump pode comprometer.
A tensão também começa a afetar a imagem de Musk no exterior. Dados preliminares mostram que as vendas da Tesla nos principais mercados europeus foram mistas, reflexo do desgaste do bilionário por seu alinhamento com a extrema-direita nos EUA. Em resposta às ameaças de Trump, Musk manteve o tom desafiador, escrevendo no X: "Estou literalmente dizendo CORTE TUDO. Agora". Mas indicou que, por ora, evitaria escalar ainda mais o conflito. "Vou me abster por ora", concluiu.
O confronto entre o presidente dos EUA e o homem mais rico do mundo segue sendo acompanhado de perto por investidores, políticos e mercados internacionais. Os desdobramentos podem ter impactos significativos tanto no cenário econômico quanto no ambiente político americano.
Citas Notables
O mais recente projeto de lei do Senado destruirá milhões de empregos na América e causará imenso dano estratégico ao nosso país— Elon Musk, via rede social X
Sem subsídios, Elon provavelmente teria que fechar as portas e voltar para a África do Sul— Donald Trump, via Truth Social
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Como dois homens que trabalharam juntos chegam a um ponto em que um ameaça deportar o outro?
Começou com divergências reais sobre política energética e veículos elétricos. Musk acredita que o projeto de lei destrói o futuro econômico do país. Trump vê Musk como alguém que o traiu publicamente. Mas o que realmente importa é que Musk depende de contratos federais—20 bilhões de dólares—e Trump controla quem recebe esses contratos.
Musk é cidadão americano naturalizado. Trump pode realmente deportá-lo?
Tecnicamente, não sem um processo legal complexo. Mas Trump não estava fazendo uma ameaça literal. Estava sinalizando que pode investigar os subsídios, cortar contratos, tornar a vida de Musk muito difícil. A ambiguidade é a arma.
Por que Musk propõe criar um novo partido em vez de simplesmente aceitar as críticas?
Porque ele acredita que o projeto de lei é ruim para o país. Mas também porque tem poder. Musk tem dinheiro, influência, uma plataforma de 200 milhões de usuários. Quando diz que vai criar um novo partido, não é blefe—é uma ameaça política real.
O mercado está assustado?
Muito. As ações da Tesla caíram 4% em um dia. Investidores sabem que os robotáxis de Musk dependem de regulamentações federais que Trump controla. Se Trump quer punir Musk, pode fazer isso lentamente, através da burocracia.
Musk disse que vai "se abster por ora". O que isso significa?
Significa que ele está recuando, pelo menos temporariamente. Percebeu que escalar o conflito prejudica seus negócios mais do que prejudica Trump. É uma retirada estratégica, não uma derrota.