Sou um pouco supersticioso, então não quero mudar
Aos 79 anos, Donald Trump — o presidente mais velho da história americana — concedeu uma rara janela sobre seus hábitos de saúde, revelando uma relação com o próprio corpo marcada por superstição, pragmatismo e resistência às orientações médicas convencionais. Enquanto seu médico atesta saúde excepcional, o próprio Trump admite tomar aspirina em dose quatro vezes acima do mínimo recomendado há 25 anos, recusar exercícios e meias de compressão, e carregar maquiagem para cobrir hematomas nas mãos. É o retrato de um homem que governa a nação mais poderosa do mundo segundo uma lógica pessoal que desafia tanto a medicina quanto a expectativa pública sobre aptidão presidencial.
- Trump admite abertamente ignorar orientações médicas básicas — recusando meias de compressão, evitando exercícios e tomando aspirina em dose quatro vezes superior ao mínimo recomendado há um quarto de século.
- A superstição e o conforto imediato guiam suas escolhas de saúde mais do que a prevenção: ele mantém a rotina da aspirina porque 'não quer sangue grosso' e porque mudar o assustaria.
- Imagens de Trump aparentemente cochilando em reuniões e relatos de dificuldade auditiva alimentam um debate crescente sobre se o presidente mais velho dos EUA tem condições físicas plenas para o cargo.
- Confrontado com imprecisões — como confundir ressonância magnética com tomografia —, Trump corrigiu-se, mas o episódio reforçou dúvidas sobre a consistência de suas declarações sobre saúde.
- Seu médico oficial atesta saúde 'excepcional', criando um contraste desconcertante com as próprias admissões do presidente sobre práticas que médicos consideram arriscadas para alguém de sua idade.
Donald Trump, aos 79 anos o presidente mais velho a assumir o cargo na história dos Estados Unidos, abriu uma janela incomum sobre seus hábitos de saúde em entrevista ao Wall Street Journal — e o que revelou foi uma mistura de pragmatismo pessoal, superstição e resistência às orientações médicas convencionais.
A prática mais reveladora é sua ingestão diária de 325 miligramas de aspirina, mantida há 25 anos — quatro vezes a dose mínima às vezes recomendada por médicos. A justificativa é simples e imutável: ele não quer 'sangue grosso' e é 'um pouco supersticioso' demais para mudar uma rotina tão antiga. O efeito colateral mais visível é a facilidade com que desenvolve hematomas nas mãos — problema que resolve carregando maquiagem de aplicação rápida.
Quanto ao exercício físico, Trump é direto: não gosta, considera tedioso e limita sua atividade ao golfe. Diagnosticado com insuficiência venosa crônica, foi orientado a usar meias de compressão e recusou. Encontrou sua própria solução: levantar-se da mesa com mais frequência, o que, segundo ele, reduziu o inchaço nas pernas.
O presidente também corrigiu uma imprecisão anterior: o exame realizado no Walter Reed não foi uma ressonância magnética, mas uma tomografia — feita, segundo seu médico, para descartar problemas cardiovasculares, sem anormalidades detectadas. Sobre as imagens em que parece cochilar em reuniões públicas, Trump atribui tudo a fotógrafos que o capturam 'no meio da piscada'.
Seu médico oficial afirma que Trump está em 'condição de saúde excepcional'. Mas a distância entre essa declaração e as admissões do próprio presidente alimenta um debate que Trump claramente detesta — e que, aos 79 anos no comando da maior potência do mundo, não mostra sinais de arrefecer.
Donald Trump, aos 79 anos, o presidente mais velho a assumir o cargo na história americana, concedeu uma longa entrevista ao Wall Street Journal para falar sobre sua saúde — um tema que ele próprio reconhece ser motivo de irritação constante. "Vamos falar de saúde de novo pela 25ª vez", disse ele no início de uma ligação telefônica improvisada enquanto o jornal se preparava para publicar a reportagem. Apesar de afirmar estar em "perfeita" saúde, Trump admitiu uma série de práticas médicas questionáveis que revelam uma abordagem pouco ortodoxa em relação ao próprio bem-estar.
A mais notável delas envolve sua ingestão diária de aspirina. Trump toma 325 miligramas por dia — quatro vezes a dose mínima de 81 miligramas às vezes recomendada por médicos. Ele mantém essa rotina há 25 anos, justificando-a com uma lógica simples: "Dizem que a aspirina é boa para afinar o sangue, e eu não quero sangue grosso correndo pelo meu coração". Quando questionado sobre a possibilidade de mudar, Trump invocou a superstição. "Sou um pouco supersticioso", declarou. A Mayo Clinic, instituição de referência internacional, indica que doses nessa faixa podem ajudar a prevenir infartos e derrames ao afinar o sangue, mas também alerta que o risco de sangramento aumenta com a idade. Trump reconhece que o medicamento causa hematomas com facilidade — tanto que agora carrega maquiagem para cobrir pancadas nas mãos. "Tenho uma maquiagem que é fácil de passar, leva cerca de dez segundos", explicou.
Quanto ao exercício físico, Trump é categórico: não gosta. "Eu simplesmente não gosto. É um tédio", disse, rejeitando a ideia de caminhar em esteira ou correr por horas. Sua única atividade regular é jogar golfe. Após receber diagnóstico de insuficiência venosa crônica — condição comum em pessoas mais velhas, na qual as veias das pernas não conseguem bombear sangue adequadamente para o coração — Trump foi orientado a usar meias de compressão. Ele recusou. "Eu não gostei delas", afirmou, embora tenha encontrado uma solução alternativa: levantar-se da mesa com mais frequência, o que reduziu o inchaço nas pernas.
Houve também uma questão de precisão médica. Trump havia informado incorretamente a repórteres que havia feito uma ressonância magnética em outubro no Walter Reed National Medical Center. Quando confrontado pelo jornal, corrigiu-se: "Não foi uma ressonância magnética. Foi menos do que isso. Foi uma tomografia". Seu médico, o capitão da Marinha Sean Barbabella, afirmou em nota que o exame foi realizado "para descartar de forma definitiva qualquer problema cardiovascular" e que não indicou anormalidades.
Os sinais visíveis da idade têm gerado debate público. Em algumas reuniões, Trump pareceu cochilar e demonstrou dificuldade para ouvir perguntas. Ele nega ambas as coisas. Sobre as imagens em que parece estar dormindo, Trump atribui a fotógrafos que o capturam "no meio da piscada". Quanto à audição, afirma não ter problemas. A irritação dele com o tema é palpável — ele expressou desconforto com o debate contínuo sobre sua aptidão física para o cargo.
Barbabella, seu médico, forneceu uma avaliação diferente. Em nota ao jornal, afirmou que Trump está em "condição de saúde excepcional e perfeitamente apto a exercer suas funções como comandante-chefe". A declaração, porém, contrasta com as admissões do próprio presidente sobre suas práticas de saúde — uma combinação de superstição pessoal, rejeição de orientações médicas convencionais e uma abordagem pragmática que prioriza o conforto imediato sobre a prevenção de longo prazo.
Citas Notables
Dizem que a aspirina é boa para afinar o sangue, e eu não quero sangue grosso correndo pelo meu coração— Donald Trump
Eu simplesmente não gosto. É um tédio— Donald Trump, sobre exercícios físicos regulares
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Trump insiste em tomar quatro vezes a dose recomendada de aspirina se reconhece que causa hematomas?
Porque para ele, a lógica é simples: sangue fino é proteção contra infarto. Ele ouviu isso uma vez, acreditou, e depois de 25 anos não quer mexer em nada que funcione — ou que ele acredita que funciona.
Mas ele está usando maquiagem para cobrir os hematomas. Isso não é um sinal de que algo está errado?
Para Trump, não. É apenas um inconveniente cosmético. Ele carrega maquiagem como quem carrega um lenço. Dez segundos e pronto. O problema não é a aspirina; o problema é parecer machucado.
E quanto aos exercícios? Ele rejeita porque realmente acha tédio, ou porque não consegue fazer?
Ele diz que é tédio, e provavelmente é verdade. Mas também é conveniente. Jogar golfe é exercício suficiente para ele — é movimento, é ao ar livre, mas é também lazer.
A insuficiência venosa crônica é séria. Por que ele recusou as meias de compressão?
Porque meias de compressão são desconfortáveis e visíveis. Ele encontrou uma alternativa que funciona para ele: levantar-se mais vezes. Não é o tratamento recomendado, mas resolveu o inchaço.
Seu médico diz que ele está em "condição excepcional". Você acredita?
O médico está fazendo seu trabalho. A tomografia não mostrou problemas cardiovasculares. Mas "excepcional" para um homem de 79 anos é relativo. Ele está funcionando, mas não está seguindo nenhum protocolo convencional de saúde preventiva.
O que mais o irrita nessa conversa toda?
Que as pessoas não acreditam nele quando diz que está bem. Ele quer que a questão desapareça, mas cada vez que nega algo — que cochilou, que tem problemas de audição — a questão fica maior.