Graças a Deus, a gente estava no térreo, porque se estivesse no quarto, teria sido trágico
Na noite de quarta-feira, dois terremotos de grande magnitude sacudiram Caracas em menos de um minuto, transformando a rotina de tripulantes brasileiros da Gol — que assistiam a um jogo de futebol num hotel — em testemunho de uma das maiores tragédias recentes da Venezuela. Com ao menos 235 mortos, mais de 1.500 feridos e cerca de 200 pessoas ainda sob escombros, o desastre convoca a solidariedade regional: o Brasil prepara missão humanitária enquanto o mundo aguarda, com apreensão, a extensão real do sofrimento.
- Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram Caracas em menos de um minuto, semeando pânico entre moradores e visitantes estrangeiros que não tiveram tempo de reagir.
- Um comissário da Gol caiu na piscina do hotel ao tentar evacuar e gravou em vídeo paredes rachadas, feridos nas ruas e escombros — imagens que chegaram ao Brasil antes de qualquer boletim oficial.
- A Gol suspendeu todos os voos para Caracas até 5 de julho e confirmou contato com toda a tripulação, mas o paradeiro do copiloto permaneceu incerto por horas, alimentando a angústia das famílias.
- Dois brasileiros morreram em desabamentos distintos, e o Itamaraty acionou assistência consular enquanto um site de desaparecidos acumulava quase 40 mil registros não verificados.
- O Brasil mobilizou um avião KC-390 com 36 bombeiros e nove toneladas de equipamentos, e um segundo voo levará hospital de campanha e purificadores de água — mas as equipes de resgate alertam que o número de mortos deve crescer conforme o acesso às áreas destruídas avança.
Na quarta-feira à noite, tripulantes da Gol assistiam ao jogo do Brasil contra a Escócia no térreo de um hotel em Caracas quando o chão começou a tremer. Em menos de um minuto, dois terremotos — de magnitude 7,2 e 7,5 — transformaram o ambiente em caos. Um comissário de bordo caiu na piscina durante a evacuação, machucou o cotovelo e, ainda em choque, gravou com o celular o que via: paredes rachadas, pessoas feridas, escombros. Seu comandante e uma comissária também sofreram ferimentos leves. No momento da gravação, ele ainda não tinha notícias do copiloto, que havia ficado num quarto do hotel.
A Gol confirmou rapidamente que todos os tripulantes estavam bem e em local seguro, suspendendo os voos para Caracas de 25 de junho até 5 de julho, com opções de remarcação, mudança de rota ou reembolso integral. O que o comissário testemunhou, porém, era apenas o início de uma tragédia muito maior: até quinta-feira, 235 pessoas haviam morrido, mais de 1.500 ficaram feridas e cerca de 200 continuavam presas sob os escombros. Um site de desaparecidos acumulava quase 40 mil registros, e autoridades americanas alertavam que o saldo de mortos poderia crescer significativamente.
O Ministério das Relações Exteriores confirmou a morte de dois cidadãos brasileiros em desabamentos distintos — um em Caracas, outro ainda em apuração — e acionou assistência consular às famílias. O presidente Lula conversou com a presidente interina venezuelana Delcy Rodríguez e anunciou ajuda humanitária imediata. Na sexta-feira, um KC-390 da Força Aérea Brasileira partiria de Guarulhos com 36 bombeiros de três estados, técnicos da Defesa Civil e da Anatel, e nove toneladas de equipamentos de busca e resgate. No sábado, um segundo avião levaria estrutura para hospital de campanha, cem purificadores de água solares, medicamentos e material cirúrgico — enquanto as equipes avançavam lentamente pelas áreas mais destruídas, onde a contagem de vítimas ainda estava longe do fim.
Na quarta-feira à noite, enquanto um comissário de bordo da Gol e parte de sua tripulação assistiam ao jogo do Brasil contra a Escócia no térreo de um hotel em Caracas, o chão começou a tremer. Dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela em menos de um minuto, e o que começou como um alarme se transformou em caos em questão de segundos.
O comissário, ainda em choque, pegou seu telefone e gravou o que via ao seu redor: paredes rachadas em vários andares do hotel, pessoas feridas nas ruas, escombros espalhados. Ele descreveu o momento com a clareza de quem acabara de escapar do pior. "Soou o alarme e, em menos de 15 segundos, aconteceu o terremoto", disse na gravação, sua voz refletindo alívio e desespero ao mesmo tempo. Ele havia caído na piscina ao tentar sair do local e machucou o cotovelo. Seu comandante e uma comissária também sofreram ferimentos leves. No momento da gravação, ele ainda não tinha notícias do copiloto, que havia permanecido em um quarto do hotel.
A Gol respondeu rapidamente. Em nota oficial, a empresa confirmou que mantinha contato com todos os seus tripulantes em Caracas e que todos estavam bem, instalados em local seguro. A companhia também suspendeu todos os voos com destino ou origem na capital venezuelana de 25 de junho até 5 de julho, oferecendo aos passageiros a possibilidade de remarcar viagens, mudar de rota ou solicitar reembolso integral sem custos adicionais. Ainda não havia informações sobre quando a tripulação retornaria ao Brasil.
O que o comissário testemunhou em tempo real era apenas o começo de uma tragédia muito maior. Segundo o balanço divulgado na quinta-feira, 235 pessoas morreram nos terremotos na Venezuela. Mais de 1.500 ficaram feridas. Aproximadamente 200 pessoas continuavam presas sob os escombros. Um site criado para registrar desaparecidos havia acumulado quase 40 mil registros, embora esse número não tivesse sido verificado de forma independente nem confirmado pelo governo. O Serviço Geológico dos Estados Unidos alertava que o número de mortos poderia aumentar significativamente conforme as equipes de resgate conseguissem acessar as áreas mais destruídas.
Na noite de quinta-feira, o Ministério de Relações Exteriores confirmou que dois cidadãos brasileiros haviam morrido nos terremotos. As vítimas não eram da mesma família e pereceram em desabamentos diferentes, um em Caracas e outro ainda em apuração. O ministério informou estar prestando assistência consular às famílias.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e anunciou que o Brasil enviaria ajuda humanitária imediata. Na sexta-feira pela manhã, um avião KC-390 da Força Aérea Brasileira sairia do Aeroporto de Guarulhos com 36 bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de técnicos da Defesa Civil Nacional e da Agência Nacional de Telecomunicações. Nove toneladas de equipamentos de busca e resgate urbano acompanhariam a missão. No sábado, um segundo avião levaria equipamentos para montar um hospital de campanha, cem purificadores de água com painéis solares, medicamentos e material cirúrgico.
A presidente interina Delcy Rodríguez informou que o governo venezuelano estava trabalhando com empresas privadas para mobilizar máquinas pesadas e acelerar os resgates. Mas o trabalho seria longo e difícil. Conforme as equipes avançassem nas buscas pelos desaparecidos e conseguissem acessar as áreas mais destruídas, a contagem de vítimas fatais provavelmente continuaria a crescer.
Citas Notables
Soou o alarme e, em menos de 15 segundos, aconteceu o terremoto— Comissário de bordo da Gol, em vídeo gravado após os terremotos
Todos estão bem e instalados em local seguro— Gol, em nota oficial sobre seus tripulantes em Caracas
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que o vídeo do comissário importa tanto? Ele estava seguro.
Porque foi o primeiro relato em tempo real de alguém que viveu aquilo. Não era uma estatística — era uma voz, um cotovelo machucado, a piscina onde ele caiu. Humaniza o desastre.
A Gol respondeu rápido. Isso é padrão em crises?
Sim, mas o ponto é que havia incerteza real. Ele não sabia do copiloto. A empresa teve que confirmar que ninguém estava desaparecido. Naquele momento, ninguém sabia quantos brasileiros tinham morrido.
Dois brasileiros morreram. Como isso muda a história?
Muda tudo. Deixa de ser um acidente que aconteceu longe. Agora é pessoal. E o Brasil responde com uma missão de resgate — não é apenas solidariedade, é ação.
Os números são assustadores. 235 mortos, 40 mil desaparecidos registrados.
O número de desaparecidos não foi verificado. Pode ser inflado. Mas mesmo assim, a realidade é que ninguém sabe quantas pessoas estão realmente sob os escombros. Essa incerteza é parte do horror.
O que vem depois?
Semanas de resgate. Números que provavelmente vão subir. E uma Venezuela que vai precisar de ajuda muito além do que o Brasil pode enviar. Isso é apenas o começo.