Toxina em meteorito marciano revela história de descoberta há 90 anos

Uma toxina de fungo agrícola revela quando e onde caiu
Pesquisadores usaram DON encontrado no meteorito para estreitar a data da queda entre 1919 e 1927.

Por décadas, um meteorito marciano guardado pela Universidade Purdue carregou em silêncio não apenas fragmentos de outro planeta, mas também o rastro apagado de quem o trouxe à ciência. Agora, uma toxina fúngica encontrada em suas camadas externas — o deoxinivalenol, presente em lavouras de milho, trigo e aveia — oferece às pesquisadoras uma janela temporal e geográfica precisa, apontando para quatro estudantes negros de Purdue como possíveis descobridores da rocha entre 1919 e 1927. A química do meteorito Lafayette tornou-se, assim, não apenas um registro planetário, mas um instrumento de justiça histórica.

  • Um meteorito marciano guardado há mais de 90 anos escondia uma substância tóxica que ninguém esperava encontrar — e ela pode mudar quem recebe crédito por uma descoberta científica.
  • A presença do DON, toxina produzida por fungos agrícolas, indica que Lafayette caiu em região de cultivos do norte de Indiana entre 1919 e 1927, derrubando décadas de incerteza sobre sua origem terrestre.
  • Avistamentos de meteoros registrados em 1919 e 1927 sobre o sul de Michigan e o norte de Indiana corroboram as evidências químicas, estreitando ainda mais a janela da queda.
  • Arquivistas identificaram quatro estudantes negros matriculados em Purdue no período — Julius Lee Morgan, Clinton Edward Shaw, Hermanze Edwin Fauntleroy e Clyde Silance — como os prováveis descobridores da rocha.
  • A equipe científica agora trabalha para determinar qual dos quatro foi o responsável, com o objetivo de finalmente reconhecer uma contribuição histórica negligenciada à ciência planetária.

Uma toxina capaz de provocar vômito em porcos e humanos pode ser a chave para resolver um mistério de mais de 90 anos: quem encontrou o meteorito marciano Lafayette, guardado pela Universidade Purdue em Indiana desde 1931. Cientistas liderados pela planetarista Áine O'Brien, da Universidade de Glasgow, identificaram nas camadas externas da rocha o deoxinivalenol — o DON —, uma substância produzida por fungos que crescem em culturas como milho, trigo e aveia.

A descoberta foi possível graças à preservação notável do meteorito. Lafayette foi recuperado rapidamente após o impacto, acumulando apenas uma pequena quantidade de contaminantes terrestres. Ao pulverizar uma amostra e analisá-la com espectrômetro, a equipe encontrou o DON entre milhares de compostos. Um colega sugeriu que a toxina teria chegado ao meteorito pela poeira de lavouras infiltrada em cursos d'água próximos ao local da queda. Especialistas em agronomia de Purdue confirmaram que o fungo era mais prevalente na região em 1919, com menor incidência em 1929.

Com esse intervalo temporal definido, os pesquisadores cruzaram relatos de avistamentos de meteoros: dois eventos se destacaram na região — um em 26 de novembro de 1919 e outro em 1927, ambos sobre o sul de Michigan e o norte de Indiana. Arquivistas então vasculharam registros universitários e identificaram quatro estudantes negros presentes em Purdue no período: Julius Lee Morgan, Clinton Edward Shaw, Hermanze Edwin Fauntleroy e Clyde Silance.

Essa investigação retoma um relato de 1935 do colecionador Harvey Ninninger, segundo o qual um estudante negro de Purdue havia testemunhado a queda da rocha em um lago enquanto pescava, recuperado-a e doado à universidade — versão que até então carecia de evidências sólidas. O'Brien expressou orgulho em poder reconstruir as circunstâncias do pouso quase um século depois, esperando que pesquisas adicionais identifiquem qual dos quatro estudantes merece o reconhecimento por sua contribuição à ciência planetária.

Uma toxina capaz de provocar vômito em porcos e humanos pode finalmente revelar quem encontrou um meteorito marciano que chegou à Terra há mais de 90 anos. Cientistas que analisaram a rocha, batizada Lafayette e guardada pela Universidade Purdue em Indiana desde 1931, descobriram um composto químico inesperado em suas camadas externas — o deoxinivalenol, ou DON, uma substância produzida por fungos que crescem em culturas como milho, trigo e aveia.

O meteorito foi expelido de Marte milhões de anos atrás, mas sua chegada à Terra permaneceu envolta em mistério. Um colecionador de meteoritos chamado Harvey Ninninger relatou em 1935 que um estudante negro de Purdue havia testemunhado a queda da rocha em um lago enquanto pescava, recuperado-a e doado para a universidade. Porém, poucas evidências sustentavam essa versão dos fatos até agora. Em 2019, uma equipe liderada pela cientista planetária Áine O'Brien, da Universidade de Glasgow, na Escócia, decidiu investigar esse mistério usando métodos modernos de análise química.

O que tornou a investigação possível foi a preservação notável do meteorito Lafayette. Quando rochas espaciais se despedaçam ao longo do tempo, suas camadas externas se afastam e acumulam contaminantes terrestres, reduzindo seu valor científico. Lafayette, porém, foi recuperado rapidamente após o impacto, o que significa que capturou apenas uma pequena quantidade de material do solo onde caiu. Essa combinação — proteção rápida contra os elementos e mínima contaminação — permitiu que os pesquisadores identificassem a presença do DON com precisão.

A equipe pulverizou uma pequena amostra do meteorito e a examinou com um espectrômetro, buscando as impressões digitais químicas de sua composição. Entre milhares de compostos, encontraram o DON. Quando O'Brien mencionou a descoberta a um colega familiarizado com a história de Lafayette, ele sugeriu que a toxina poderia ter chegado ao meteorito através da poeira de lavouras que se infiltrou em cursos d'água próximos ao local da queda. Pesquisadores dos departamentos de agronomia e botânica de Purdue então investigaram quando o fungo produtor de DON era mais prevalente na região antes de 1931. Descobriram que o fungo era mais predominante em 1919, quando causou uma queda de 10% a 15% na produção agrícola, com menor incidência em 1929.

Com essa informação em mãos, os pesquisadores consultaram relatos de meteoros — as trilhas de luz deixadas quando meteoritos se incineram ao passar pela atmosfera terrestre. Dois avistamentos se destacaram na região: um em 26 de novembro de 1919 e outro em 1927, ambos passando sobre o sul de Michigan e o norte de Indiana. Arquivistas de Purdue então pesquisaram os registros de estudantes negros presentes na universidade durante esse período e identificaram quatro nomes: Julius Lee Morgan e Clinton Edward Shaw, ambos da turma de 1921; Hermanze Edwin Fauntleroy, de 1922; e Clyde Silance, de 1927. Com base no relato de Ninninger e nas evidências químicas, a equipe concluiu que um desses quatro estudantes provavelmente recuperou e doou o meteorito marciano para a instituição.

O'Brien expressou seu orgulho em poder reconstruir as circunstâncias do pouso de Lafayette quase um século depois, chegando mais perto do que nunca de dar crédito ao estudante negro que o encontrou. Os cientistas agora esperam que pesquisas adicionais possam identificar qual dos quatro foi o responsável pela descoberta, permitindo que ele finalmente receba o reconhecimento merecido por sua contribuição à ciência planetária.

Estou orgulhosa de que, quase um século depois, finalmente possamos reconstruir as circunstâncias do pouso de Lafayette
— Áine O'Brien, cientista planetária da Universidade de Glasgow
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Como uma toxina agrícola acaba em um meteorito vindo de Marte?

Model

Não estava em Marte. O DON chegou ao meteorito depois que ele caiu na Terra, provavelmente através da poeira de lavouras que se infiltrou em cursos d'água próximos ao local do impacto.

Inventor

E isso ajuda a identificar quando a rocha caiu?

Model

Exatamente. O fungo que produz essa toxina era mais prevalente em 1919 do que em 1929. Combinado com relatos de meteoros avistados em 1919 e 1927, isso estreita a janela de tempo para quando Lafayette chegou.

Inventor

Mas por que isso importa para descobrir quem encontrou o meteorito?

Model

Porque se sabemos quando caiu, podemos procurar nos registros da universidade quais estudantes negros estavam lá naquele período. Ninninger havia dito que um deles o encontrou pescando, mas ninguém sabia quem era.

Inventor

Então vocês identificaram o nome dele?

Model

Não ainda. Identificamos quatro candidatos possíveis — Julius Lee Morgan, Clinton Edward Shaw, Hermanze Edwin Fauntleroy e Clyde Silance. Agora precisamos de mais investigação para saber qual deles foi.

Inventor

Por que isso levou 90 anos para descobrir?

Model

Porque ninguém havia conectado os pontos antes. Precisávamos de análise química moderna, registros agrícolas históricos e arquivos de estudantes — tudo junto. E havia um desincentivo: a história original foi negligenciada porque era sobre um estudante negro.

Inventor

O que muda quando descobrirem quem foi?

Model

Finalmente reconhecemos uma contribuição científica que foi apagada da história. Esse estudante merecia crédito há décadas.

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