Toffoli recebeu dividendos de empresa ligada a fundo de operador do Banco Master

A conexão financeira já existia quando o caso chegou para ele
Toffoli recebia dividendos de empresa cujos fundos tinham acionista ligado a Vorcaro, o banqueiro que ele relata.

Quando os caminhos do poder judiciário e do capital privado se cruzam em silêncio, a confiança nas instituições começa a se desfazer. O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, é sócio de uma holding que vendeu cotas a fundos ligados ao cunhado de Daniel Vorcaro — o mesmo banqueiro cujas investigações Toffoli relata. A Polícia Federal pediu formalmente sua suspeição após encontrar conversas entre os dois no celular apreendido do banqueiro, mas o ministro recusa o afastamento, argumentando que não houve irregularidade. O caso coloca em questão não apenas a conduta de um magistrado, mas a própria arquitetura de imparcialidade que sustenta o Estado de Direito.

  • A revelação de que a empresa de Toffoli vendeu cotas a fundos controlados pelo cunhado de Vorcaro criou uma cadeia de conflito de interesses que o ministro não consegue simplesmente ignorar.
  • A Polícia Federal escalou a tensão ao pedir formalmente a suspeição do relator, depois de encontrar mensagens diretas entre Toffoli e o banqueiro investigado no celular apreendido.
  • Toffoli reagiu com nota oficial, acusando a PF de agir com base em ilações e sugerindo que houve tentativa de armadilha contra ele — recusando qualquer recuo na relatoria.
  • Decisões processuais incomuns, como lacrar o celular de Vorcaro e designar peritos à moda civil em processo criminal, alimentam suspeitas de que o ministro protegeu o banqueiro.
  • A pressão institucional cresce enquanto o ministro permanece em silêncio público sobre sua participação nos resorts, e o presidente do STF, Fachin, já recebeu o pedido formal de afastamento.

O ministro Dias Toffoli é sócio da Maridt, uma holding que controla dois resorts da rede Tayayá no interior do Paraná. Seus irmãos comandam a operação no dia a dia, mas Toffoli mantém participação acionária e recebe dividendos regularmente. O problema surgiu quando a Maridt vendeu parte de suas cotas para fundos cujo principal acionista era o pastor Fabiano Zettel — cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Toffoli, por sua vez, é o relator das investigações que envolvem exatamente esse banco.

As transações foram declaradas à Receita Federal e confirmadas por fontes internas do STF. Pessoas próximas ao ministro admitiram sua participação formal no negócio, e um prestador de serviços administrativos relatou ter tratado diretamente com ele sobre questões operacionais dos resorts.

Na quarta-feira 11 de fevereiro, a Polícia Federal pediu formalmente a suspeição de Toffoli. Os investigadores encontraram conversas entre o ministro e Vorcaro no celular do banqueiro, apreendido durante a operação, além de menções a Toffoli em mensagens trocadas com terceiros. Em resposta, o ministro emitiu nota afirmando que a PF age com base em ilações e não tem poder legal para requisitar seu afastamento. Ele conversou com o presidente da Corte, Edson Fachin, admitiu sua participação na Maridt, mas deixou claro que não pretende abandonar a relatoria — argumentando que, quando o processo chegou a suas mãos, a empresa já havia saído do negócio há anos.

O que agrava a situação são as decisões processuais incomuns que Toffoli tomou ao longo da investigação. A mais notória foi lacrar o celular de Vorcaro, impedindo a análise imediata pela PF. Depois, designou quatro peritos criminais para examinar o aparelho — prática típica de ações civis, não criminais, onde a lei determina que a própria Polícia Federal faça essa designação. Vale lembrar ainda que foi o próprio Toffoli quem pediu para assumir o inquérito, atendendo a um pedido da defesa do banqueiro.

Desde que o vínculo financeiro foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo, Toffoli evita explicações públicas e recusa responder à imprensa. A situação permanece em aberto: o ministro se mantém na relatoria enquanto a pressão institucional por seu afastamento não para de crescer.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, é sócio de uma empresa chamada Maridt que funciona como holding de dois resorts da rede Tayayá no interior do Paraná. Seus dois irmãos comandam a operação, mas Toffoli mantém participação acionária e, por isso, recebe dividendos regularmente. Em algum momento, a Maridt vendeu parte de sua cota para fundos de investimento cujo acionista principal era o pastor Fabiano Zettel — cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, banqueiro que fundou e controla o Banco Master. Essa conexão, revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo, criou uma situação delicada: Toffoli é o relator das investigações que envolvem o Banco Master, o mesmo banco cujo dono tem ligações financeiras com a empresa da qual o ministro recebe dividendos.

As transações foram declaradas à Receita Federal e confirmadas por fontes internas do STF e por um advogado que trabalhou com o resort. Pessoas próximas a Toffoli admitiram sua participação formal no negócio, e alguém que prestou serviços administrativos ao empreendimento relata ter tratado diretamente com o ministro sobre questões operacionais. Toffoli recebia dividendos mesmo que a sociedade fosse constituída como anônima, o que significa que sua participação era documentada e regular.

A Polícia Federal, na quarta-feira 11 de fevereiro, pediu formalmente a suspeição de Toffoli do caso. Os investigadores encontraram conversas entre Vorcaro e o ministro no celular do banqueiro, apreendido durante a operação, além de menções a Toffoli em mensagens que Vorcaro trocou com terceiros. A descoberta levantou questões sobre se o ministro deveria continuar relatando um processo que envolve alguém com quem tem relações financeiras indiretas.

Toffoli respondeu por meio de nota oficial afirmando que a Polícia Federal está operando com base em ilações e não tem poder legal para requisitar seu afastamento de um caso. O ministro argumenta que não cometeu irregularidade alguma. Ele já conversou com o presidente da Corte, Edson Fachin, que recebeu o pedido de suspeição. Nesse diálogo, Toffoli admitiu sua participação na Maridt, mas deixou claro que não pretende abandonar a relatoria do caso Master. Segundo integrantes do STF, o ministro sustenta que quando o processo chegou a suas mãos, a Maridt já não fazia parte do Tayayá há muitos anos. Ele também afirma que todos os dividendos foram declarados à Receita Federal e aprovados regularmente, sugerindo que a Polícia Federal tentou criar uma armadilha contra ele.

A defesa de Vorcaro, por sua vez, reclamou de vazamento seletivo de informações que prejudica seu cliente. O banqueiro também está sob investigação por outras questões relacionadas ao Banco Master.

O envolvimento de Toffoli com Vorcaro reforça pressões para que ele deixe de ser relator do processo. Chama atenção o fato de que foi o próprio ministro quem pediu para assumir o inquérito, atendendo a um pedido da defesa de Vorcaro. Durante a investigação, Toffoli tomou decisões pouco usuais em processos penais. A mais significativa foi lacrar o celular do banqueiro, impedindo que a Polícia Federal analisasse seu conteúdo imediatamente. Depois, o ministro designou quatro peritos criminais para fazer a análise — uma prática que normalmente ocorre apenas em ações civis, onde o juiz escolhe profissionais de sua confiança. Em matéria criminal, a lei determina que a Polícia Federal faça essa designação.

Desde que o negócio entre a empresa de seus irmãos e o fundo ligado a Vorcaro foi revelado, Toffoli evitou explicações públicas. Ele recusou responder questionamentos da imprensa sobre a extensão de seu envolvimento com os resorts e sobre as implicações de sua participação acionária. A situação permanece em aberto, com o ministro mantendo sua posição na relatoria enquanto cresce a pressão institucional para seu afastamento.

A Polícia Federal parte de ilações e não tem poder legal para requisitar que o magistrado do STF se afaste de um caso
— Ministro Dias Toffoli, em nota oficial
Vazamento seletivo de informações
— Defesa de Daniel Vorcaro
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Como um ministro do STF acaba recebendo dividendos de uma empresa ligada a alguém que ele próprio investiga?

Model

Não é que ele tenha investigado primeiro e depois descoberto a ligação. A participação na Maridt era anterior. O que aconteceu é que quando o caso Master chegou para ele, a conexão financeira já existia — e ele não se afastou.

Inventor

Mas ele diz que a Maridt não fazia mais parte do Tayayá quando o caso chegou.

Model

Isso é verdade, segundo ele. Mas o ponto é que ele continuava recebendo dividendos da empresa. E essa empresa vendeu cota para fundos cujo acionista era alguém muito próximo de Vorcaro. Então há uma cadeia de conexões financeiras.

Inventor

A Polícia Federal encontrou conversas entre eles. Sobre o quê?

Model

A fonte não especifica o conteúdo das conversas. Mas o fato de existirem conversas diretas entre o ministro e o banqueiro investigado é o que preocupa a PF. Sugere uma relação que vai além do que seria esperado.

Inventor

E as decisões que Toffoli tomou no caso — o celular lacrado, os peritos escolhidos — isso parece suspeito?

Model

Parece incomum, sim. Lacrar um celular e impedir análise imediata é raro em investigações criminais. E escolher peritos é algo que normalmente a PF faz, não o juiz. Essas decisões beneficiaram Vorcaro, pelo menos temporariamente.

Inventor

Toffoli diz que não fez nada errado. Você acredita?

Model

O que importa não é o que eu acredito. O que importa é que há uma aparência de conflito de interesse que é difícil de ignorar. Mesmo que tudo tenha sido declarado à Receita Federal, a questão é se alguém que recebe dividendos de uma empresa ligada a um investigado deveria estar relatando o caso desse investigado.

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