Nenhum império ou força odiosa é maior que a força dos povos organizados
Na encruzilhada entre a crise ambiental e os conflitos armados que marcam o início do século XXI, o socioambientalista e internacionalista Thiago Ávila anuncia sua pré-candidatura a deputado federal pela Rede em São Paulo, propondo transformar o Brasil em potência mundial da vida. Sua trajetória — construída em agroflorestas, comunidades indígenas e missões humanitárias em Gaza, onde foi preso três vezes por forças israelenses — revela um político forjado não nos corredores do poder, mas nas fronteiras mais tensas do mundo contemporâneo. Para Ávila, 2026 não é apenas uma eleição brasileira, mas um momento decisivo para a humanidade, que só poderá ser enfrentado pela organização coletiva e não por salvadores individuais.
- Ávila foi detido três vezes por forças israelenses durante missões humanitárias em Gaza, mantido em isolamento e submetido a ameaças de morte — experiências que ele interpreta como tentativa de silenciar não apenas sua voz, mas as ideias dos movimentos internacionais.
- O pré-candidato enxerga o Brasil sob mira de forças externas: denuncia intervenção dos Estados Unidos e de Israel no processo eleitoral de 2026, elevando a disputa por uma vaga na Câmara ao plano geopolítico.
- Após recusar convites anteriores para disputar mandato, Ávila mudou de posição diante da conjuntura internacional, consultando comunidades brasileiras e movimentos do Sul Global antes de anunciar a candidatura.
- Sua proposta central — transformar o Brasil em potência mundial da vida — aposta nas riquezas ambientais do país como base para um novo modelo civilizatório, mas reconhece a contradição com os altos índices de violência contra indígenas e ambientalistas.
- Rejeitando o papel de salvador, Ávila convoca apoiadores a assinar o manifesto, contribuir financeiramente e se mobilizar coletivamente, afirmando que nenhum império é maior que a força dos povos organizados.
Na noite de domingo, Thiago Ávila anunciou sua pré-candidatura a deputado federal pela Rede em São Paulo por meio de um vídeo e uma carta dirigida aos povos do Brasil e do mundo. O manifesto entrelaça temas que raramente dividem o mesmo discurso político: regeneração ambiental, solidariedade internacional, denúncia de guerras e crítica ao imperialismo — reflexo de duas décadas dedicadas à restauração de biomas e ao apoio ao povo palestino.
Para Ávila, o mundo atravessa uma crise civilizatória em que destruição ambiental, concentração de riqueza e conflitos armados formam um único quebra-cabeça global. Mas ele não vê apenas ruína: identifica uma resistência crescente de movimentos populares dispostos a construir alternativas baseadas no Bem Viver e na solidariedade entre os povos do Sul Global.
Uma parte central de sua apresentação é o relato das prisões sofridas durante missões humanitárias em Gaza. Detido três vezes por forças israelenses no último ano, foi mantido em isolamento e recebeu ameaças de morte. Afirma que campanhas internacionais de solidariedade foram decisivas para sua libertação, e interpreta a repressão como esforço para impedir a circulação das ideias que defende.
Ávila havia recusado convites anteriores para disputar um mandato, preferindo permanecer nas missões internacionais. A mudança ocorreu diante da conjuntura: ele declara que a eleição de 2026 já sofre intervenção dos Estados Unidos e de Israel, tornando-a decisiva não apenas para o Brasil, mas para toda a humanidade. A decisão foi tomada após consultas com comunidades brasileiras e movimentos internacionais.
Seu conceito central é transformar o Brasil em potência mundial da vida. O país possui a maior floresta tropical do planeta e enorme diversidade ambiental, mas convive com profundas desigualdades e violência contra indígenas e ambientalistas — contradição que Ávila coloca no coração de sua proposta. Ao longo de todo o manifesto, rejeita a figura do salvador da pátria e enfatiza que as transformações históricas dependem da organização coletiva, encerrando com a síntese de sua campanha: estamos juntos, vamos defender o Brasil e transformar esse mundo.
Na noite de domingo, Thiago Ávila anunciou oficialmente sua pré-candidatura a deputado federal pela Rede em São Paulo, apresentando um manifesto político que tece juntos fios que raramente aparecem no mesmo discurso: regeneração ambiental, solidariedade internacional, denúncia de guerras e crítica ao imperialismo. O anúncio chegou em forma de vídeo e carta dirigida aos povos do Brasil e do mundo, documentos que revelam a trajetória de um homem que passou duas décadas construindo projetos de restauração de biomas e organizando campanhas de apoio ao povo palestino.
Para Ávila, o momento exige ação institucional. Ele descreve o mundo atravessando uma das crises mais profundas da história contemporânea: a destruição ambiental acelerada, a concentração extrema de riqueza, os conflitos armados e o avanço da extrema direita funcionam como peças de um mesmo quebra-cabeça global. Em seu manifesto, afirma que bilionários lucram com a exploração e a destruição enquanto um império em declínio tenta prolongar seu domínio pela força, arrastando o mundo para uma espiral de violência, colonização e genocídio. Mas não vê apenas ruína: identifica também uma resistência internacional crescente, formada por movimentos populares e organizações sociais dispostas a construir alternativas baseadas na solidariedade e no conceito de Bem Viver.
A trajetória de Ávila começou aos 18 anos, quando decidiu dedicar a vida à construção de uma sociedade livre da exploração e da destruição da natureza. Trabalhou em projetos de agroflorestas, bioconstrução e recuperação de biomas, colaborando com comunidades indígenas, camponesas e urbanas. Sua atuação extrapolou fronteiras brasileiras quando começou a organizar campanhas de solidariedade internacional, tornando-se uma das vozes brasileiras mais conhecidas na denúncia contra o genocídio em Gaza. No vídeo de lançamento, resume essa dupla militância: como socioambientalista, aprendeu a construir projetos de regeneração; como internacionalista, não apenas analisa o mundo, mas mobiliza solidariedade em todo o Sul Global.
Uma parte central de sua campanha é o relato das prisões e detenções sofridas durante missões internacionais. Ávila afirma ter sido capturado três vezes por forças israelenses no último ano enquanto participava de iniciativas de ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Foi mantido em isolamento, submetido a ameaças e impedido de contato com a família. Em uma das detenções, diz ter recebido ameaças de morte ou de ser deixado cem anos preso nas prisões israelenses. Apesar disso, sustenta que campanhas internacionais de solidariedade foram decisivas para sua libertação. Interpreta a repressão não apenas como tentativa de silenciar sua atuação pessoal, mas como esforço para impedir a circulação das ideias defendidas pelos movimentos internacionais.
Avila havia recusado inicialmente diversos convites para disputar um mandato em 2026, preferindo permanecer dedicado às missões internacionais e campanhas contra guerras. A mudança de posição ocorreu diante da conjuntura internacional. Em seu manifesto, afirma que os destruidores do mundo voltaram suas miras para o Brasil e a América Latina, acusando forças internacionais de promover intervenções políticas e manipulação eleitoral. Declara que a próxima eleição, já sofrendo intervenção dos Estados Unidos e Israel, será decisiva não apenas para o Brasil, mas para toda a humanidade. A decisão de disputar uma vaga na Câmara ocorreu após consultas com comunidades brasileiras e movimentos internacionais.
Um conceito central de sua campanha é transformar o Brasil em uma potência mundial da vida. Para Ávila, o país reúne condições únicas para liderar um novo modelo civilizatório baseado na preservação ambiental, justiça social e soberania. Destaca que o Brasil possui a maior floresta tropical do planeta, abundância de água doce e enorme diversidade ambiental, mas convive simultaneamente com profundas desigualdades sociais e elevados índices de violência contra povos indígenas, ambientalistas e defensores de direitos humanos. Afirma que nenhum império ou força odiosa é maior que a força dos povos organizados.
Ao longo de toda a carta, Ávila enfatiza que sua candidatura não deve ser entendida como um projeto individual. Rejeita explicitamente a ideia do salvador da pátria, argumentando que as transformações históricas dependem da organização coletiva. Convida apoiadores a assinarem o manifesto, contribuírem financeiramente e participarem da mobilização política. Encerra seu vídeo de lançamento com uma mensagem que sintetiza sua campanha: estamos juntos, vamos defender o Brasil e transformar esse mundo.
Citações Notáveis
A próxima eleição, que já sofre intervenção dos Estados Unidos e Israel, vai ser decisiva não só para o Brasil, mas para toda a humanidade— Thiago Ávila
Nós temos todo o resto: a coletividade, a solidariedade, o amor e a esperança— Thiago Ávila, sobre a resistência internacional
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que alguém que passou duas décadas em trabalho de base e missões internacionais decidiria entrar na Câmara agora?
Porque viu que o Brasil virou alvo. Não é sobre querer poder — é sobre perceber que as forças que combatem internacionalmente estão vindo para cá, e que a instituição pode ser um escudo e uma megafone ao mesmo tempo.
Você menciona ter sido preso três vezes em um ano. Como isso não o afastou da luta?
Porque cada prisão provou que o trabalho importa. Se não importasse, não o prenderiam. E cada vez que foi solto, foi porque pessoas ao redor do mundo se mobilizaram. Isso não é derrota — é evidência de que a solidariedade funciona.
A ideia de potência mundial da vida — isso é retórica ou tem conteúdo político real?
É concreto. O Brasil tem a maior floresta tropical, água doce abundante, biodiversidade única. Mas também tem desigualdade extrema e violência contra quem defende isso tudo. A potência seria usar esses recursos para um modelo civilizatório diferente, não para reproduzir o que os impérios fazem.
Por que rejeitar tão enfaticamente a figura do salvador da pátria?
Porque salvador da pátria é uma armadilha. Concentra esperança em uma pessoa, e quando essa pessoa falha ou é cooptada, o movimento morre. O que importa é a organização coletiva — o trabalho duro, a entrega, a coragem de muita gente junto.
Como você vê a relação entre ambientalismo e internacionalismo na sua campanha?
Não são coisas separadas. A destruição ambiental e as guerras vêm do mesmo sistema. Defender a floresta é defender a Palestina é defender a soberania brasileira — são faces do mesmo combate contra o imperialismo e a exploração.