Tenente da Rota baleado na cabeça é investigado por morte em operação de janeiro

Um homem de 22 anos morreu durante operação policial em janeiro; tenente baleado na cabeça permanece internado em estado grave.
Câmera gravou a ação, mas não mostra quem atirou primeiro
A evidência visual não resolve a questão central sobre legítima defesa na morte de janeiro.

Ronickson Pimentel foi baleado na cabeça no sábado após deixar academia; permanece internado em estado grave mas estável. Investigação sobre morte de João em janeiro aponta divergências: PM conclui legítima defesa, mas MPM pede julgamento pelo Tribunal do Júri.

  • Tenente Ronickson Pimentel dos Santos, 39 anos, baleado na cabeça no sábado em São Caetano do Sul
  • Investigado pela morte de homem de 22 anos em operação em Suzano em janeiro
  • PM concluiu legítima defesa; Ministério Público Militar discorda e pede julgamento pelo Tribunal do Júri
  • Dois suspeitos presos temporariamente pelo atentado; motocicleta encontrada e será periciada
  • Ronickson é irmão de Eloá Cristina Pimentel, assassinada em 2008

Tenente da Rota baleado na cabeça em atentado é investigado pela morte de homem em janeiro durante operação em Suzano. Ministério Público Militar discorda da conclusão de legítima defesa da PM.

Um tenente da Rota, a tropa de elite da Polícia Militar de São Paulo, foi baleado na cabeça no sábado enquanto parava em um semáforo. Ronickson Pimentel dos Santos, 39 anos, deixava uma academia quando dois homens em uma motocicleta se aproximaram e dispararam contra ele. Câmeras de segurança registraram o ataque na avenida Goiás, em São Caetano do Sul. Ele foi levado ao Hospital Estadual Mário Covas em Santo André, onde passou por cirurgia neurológica e permanece internado em estado grave, mas estável.

O que torna este caso particularmente complexo é que Ronickson está sendo investigado pela morte de um homem de 22 anos ocorrida cinco meses antes. Em janeiro, durante uma operação em Suzano, na Grande São Paulo, ele e outro policial foram a uma chácara após prender um suspeito em Itaquaquecetuba que indicou o local. Segundo o relato policial, houve troca de tiros quando chegaram ao imóvel. Os agentes afirmam que a vítima, identificada como João, reagiu à abordagem. Eles apreenderam uma pistola com numeração raspada, munições, 166 tijolos de maconha e porções de cocaína.

A câmera corporal de Ronickson gravou a ação, mas as imagens não deixam claro se João disparou contra os policiais. No vídeo, o tenente é ouvido dizendo "perdeu, perdeu, ladrão" e depois há sons de tiros. O documento oficial não especifica se a vítima efetuou disparos. A companheira de João deu uma versão diferente: ela estava dentro da casa quando ouviu barulhos no portão. João saiu para verificar e os policiais entraram. Ela foi retirada do imóvel por um agente enquanto ouvia os disparos.

A Polícia Militar concluiu que os agentes agiram em legítima defesa e não identificou crime. A conclusão foi homologada pela corporação em março. Mas o Ministério Público Militar discordou e defendeu que o caso fosse julgado pelo Tribunal do Júri. A Justiça Militar então enviou o caso para a Justiça comum em 6 de abril. O promotor Alexandre Acerbi apontou falhas na investigação e pediu novas diligências: faltam laudos de confronto balístico entre as armas dos policiais e a arma atribuída à vítima, além de depoimentos formais dos PMs envolvidos e de testemunhas para esclarecer se houve realmente troca de tiros e se o uso da força foi legal.

A Defensoria Pública representa Ronickson e o outro policial envolvido na operação. Quanto ao atentado contra o tenente, a motocicleta usada no crime foi encontrada horas depois, abandonada na zona sul da capital, e será submetida à perícia. A Justiça decretou a prisão temporária de dois suspeitos, de 40 e 52 anos. Um terceiro homem, de 24 anos, compareceu ao departamento de homicídios acompanhando o pai detido, mas não foi preso. A polícia ainda tenta identificar outros envolvidos e esclarecer a motivação do atentado.

Ronickson Pimentel ingressou na Polícia Militar em 2009, após servir como fuzileiro naval entre 2006 e 2009. Tornou-se oficial em 2015 após formação na Academia do Barro Branco e integra a Rota desde 2019. Ele é irmão de Eloá Cristina Pimentel, que tinha 15 anos quando foi mantida em cárcere privado e assassinada pelo ex-namorado Lindemberg Alves em 2008, também em Santo André. A história pessoal do tenente, marcada pela perda trágica, agora se entrelaça com investigações sobre seu próprio uso da força e um atentado que o deixou à beira da morte.

Faltam laudos de confronto balístico entre as armas dos policiais e a arma atribuída à vítima e depoimentos formais dos PMs envolvidos e de testemunhas para esclarecer se houve troca de tiros e uso legal da força
— Promotor Alexandre Acerbi
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Como é possível que um policial investigado por uma morte esteja simultaneamente sendo alvo de um atentado?

Model

Não há necessariamente uma conexão. O atentado pode ser retaliação por outras operações, ou motivado por algo completamente diferente. A polícia ainda está tentando esclarecer por que ele foi escolhido.

Inventor

Mas a câmera corporal não deveria resolver a questão sobre quem atirou primeiro?

Model

Deveria, mas não resolveu. O vídeo mostra Ronickson falando e depois há tiros, mas não fica claro se João disparou ou se apenas os policiais atiraram. Por isso o promotor pediu laudos balísticos — para saber se a arma encontrada foi realmente usada.

Inventor

E a companheira de João? Por que sua versão é diferente?

Model

Ela estava dentro da casa. Ouviu barulhos, João saiu para verificar, e depois ela foi retirada por um policial enquanto os disparos aconteciam. Ela não viu o que aconteceu entre João e os agentes. São perspectivas diferentes do mesmo evento.

Inventor

O que significa que o caso foi enviado para a Justiça comum?

Model

Significa que o Ministério Público Militar acreditou que não era um caso de legítima defesa clara, então não deveria ser julgado apenas pela Justiça Militar. Agora precisa de mais investigação e possivelmente de um julgamento pelo Tribunal do Júri.

Inventor

Qual é o peso da história pessoal de Ronickson nisto tudo?

Model

Sua irmã foi assassinada em 2008 em circunstâncias que marcaram a região. Ele entrou na polícia anos depois. Agora está internado com um tiro na cabeça enquanto responde por uma morte em operação. É uma vida atravessada por violência.

Inventor

O que acontece agora?

Model

O promotor quer mais provas. A polícia investiga o atentado. E Ronickson luta pela vida no hospital enquanto tudo isso se desenrola.

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