Temporada dos Nobel arranca com Prémio da Paz em foco por Trump

O contexto inclui conflitos em curso na Ucrânia, Gaza e crise humanitária no Sudão, afetando milhões de pessoas.
Seria um insulto para os Estados Unidos se não recebesse o prémio
Trump afirmou publicamente que merecia o Nobel da Paz, estabelecendo expectativas antes do anúncio.

Cada outubro, o mundo volta a olhar para Oslo e Estocolmo à espera de que a Humanidade seja nomeada em alguém. Este ano, a temporada Nobel arranca com a Medicina, mas é o Prémio da Paz — a ser anunciado a 10 de outubro — que captura a imaginação coletiva, em parte porque Donald Trump, nomeado por Netanyahu e pelo Paquistão, afirmou publicamente que não recebê-lo seria um insulto aos Estados Unidos. Num mundo marcado por guerras na Ucrânia, em Gaza e por uma crise humanitária no Sudão, a escolha do Comité Norueguês carrega, como sempre, o peso de uma mensagem ao mundo.

  • Trump declarou abertamente que merece o Nobel da Paz, criando uma tensão rara entre vaidade política e a solenidade histórica do galardão.
  • As nomeações por Netanyahu e pelo Paquistão transformaram o prémio num palco de diplomacia performativa, enquanto conflitos reais continuam a devastar populações na Ucrânia, Gaza e Sudão.
  • Voluntários sudaneses que prestam socorro digital às vítimas da maior crise humanitária do mundo e a viúva de Alexei Navalny emergem como alternativas moralmente carregadas à candidatura de Trump.
  • O anúncio está marcado para sexta-feira, 10 de outubro, em Oslo — e qualquer que seja a decisão, ela será lida como uma declaração política sobre o estado da paz no mundo.

A temporada Nobel de 2025 começa segunda-feira com o anúncio da Medicina, mas é o Prémio da Paz que domina as conversas este ano — e o nome de Donald Trump é a razão principal. O Presidente norte-americano foi formalmente proposto ao Comité Nobel Norueguês pelo primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, que o elogiou pela sua dedicação à paz e à estabilidade global, e também pelo Paquistão, que citou o seu papel na redução de tensões com a Índia. Trump, por seu lado, afirmou na Assembleia-Geral da ONU ter encerrado sete guerras desde que regressou à Casa Branca em janeiro, e chegou a dizer que seria um insulto para os Estados Unidos se não recebesse o galardão.

O anúncio será feito a 10 de outubro, em Oslo — o único Nobel que não é revelado em Estocolmo. O contexto é sombrio: a guerra na Ucrânia, o conflito em Gaza e a crise humanitária no Sudão pesam sobre a decisão do Comité, que historicamente usa o prémio como instrumento de mensagem política. Se vencer, Trump tornar-se-á o quinto Presidente norte-americano laureado, depois de Roosevelt, Wilson, Carter e Obama.

Entre os outros favoritos destacam-se as Salas de Resposta de Emergência no Sudão, uma rede de voluntários que presta apoio online às vítimas da maior crise humanitária do mundo, e Yulia Navalnaya, viúva do opositor russo Alexei Navalny, morto em fevereiro de 2024 numa prisão no Ártico. Na Literatura, o australiano Gerald Murnane lidera as apostas, com o húngaro László Krasznahorkai e a mexicana Cristina Rivera Garza também mencionados. Os prémios foram criados por Alfred Nobel, inventor da dinamite, que em 1895 doou a sua fortuna para reconhecer quem servisse a Humanidade — e são entregues a 10 de dezembro, data do seu aniversário.

A temporada anual dos Prémios Nobel começa na segunda-feira com o anúncio do vencedor da Medicina, mas este ano é o galardão da Paz que monopoliza a atenção pública — não por razões de conflito internacional, embora haja muitos, mas porque o nome de Donald Trump está na conversa. O Presidente norte-americano foi formalmente proposto ao Comité Nobel Norueguês, e nos últimos meses tem falado abertamente sobre a possibilidade de ganhar, chegando a afirmar que seria um insulto para os Estados Unidos se não recebesse o prémio. O anúncio do vencedor está marcado para sexta-feira, 10 de outubro, em Oslo — o único dos Nobéis que não é anunciado em Estocolmo.

A sequência de anúncios começa segunda-feira às 10h30 (hora de Lisboa) com a Medicina, seguindo-se a Física na terça, Química na quarta, Literatura na quinta, Paz na sexta e Economia na segunda-feira seguinte. Mas é a Paz que concentra as expectativas. Trump foi nomeado publicamente pelo primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, que o elogiou pela "dedicação inabalável e excecional à promoção da paz, da segurança e da estabilidade em todo o mundo". O Paquistão também o propôs, citando o seu trabalho na resolução de conflitos entre a Índia e o Paquistão. Há cerca de dez dias, durante o seu discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, Trump afirmou ter terminado sete guerras desde que regressou à Casa Branca em janeiro, embora não as tenha nomeado especificamente.

O contexto em que esta decisão será tomada é pesado. O mundo enfrenta conflitos significativos — a guerra na Ucrânia, o conflito em Gaza, a crise humanitária no Sudão — e o Prémio Nobel da Paz tem sido historicamente visto como um instrumento de mensagem política. O próprio Comité Nobel reconhece que alguns laureados foram "atores políticos altamente controversos", mas argumenta que a atribuição do prémio amplifica exponencialmente a atenção pública sobre os conflitos em questão. Se Trump vencer, será o quinto Presidente norte-americano a receber o galardão, depois de Theodore Roosevelt, Woodrow Wilson, Jimmy Carter e Barack Obama.

Outros nomes aparecem nas listas de apostas que precedem o anúncio. A iniciativa Salas de Resposta de Emergência no Sudão, uma rede de voluntários que oferece ajuda online às vítimas da maior crise humanitária do mundo, é considerada favorita. Também a ativista russa Yulia Navalnaya, viúva do opositor Alexei Navalny que morreu em fevereiro de 2024 enquanto cumpria pena num campo prisional no Ártico, aparece entre os nomes mais mencionados. Em 2024, o prémio foi atribuído à organização japonesa Nihon Hidankyo, um grupo de sobreviventes das bombas atómicas de 1945 que trabalha pela abolição de armas nucleares.

A Literatura também gera especulação. O escritor australiano Gerald Murnane é apontado como favorito, mas o romancista húngaro László Krasznahorkai e a mexicana Cristina Rivera Garza também recebem atenção. Os Prémios Nobel nasceram da vontade do químico, engenheiro e industrial sueco Alfred Nobel, que em 1895 redigiu um testamento em Paris doando a sua fortuna para reconhecer personalidades que prestassem serviços à Humanidade. O inventor da dinamite morreu um ano depois, e os prémios foram atribuídos pela primeira vez em 1901. As cerimónias de entrega decorrerão a 10 de dezembro, data que marca o aniversário do fundador.

Toda a gente diz que eu deveria ganhar o Prémio Nobel da Paz por cada uma dessas conquistas, mas, para mim, o verdadeiro prémio serão os filhos e filhas que viverão para crescer com as suas mães e pais
— Donald Trump, discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Porque é que Trump domina tanto a conversa em torno do Nobel da Paz este ano?

Model

Porque ele próprio o disse em voz alta. Não é discreto. Afirmou publicamente que seria um insulto não receber o prémio, e isso muda a dinâmica — transforma um prémio académico numa questão de ego presidencial.

Inventor

Mas ele foi realmente nomeado, ou é apenas especulação?

Model

Não, foi nomeado. Netanyahu nomeou-o publicamente, o Paquistão também. Essas nomeações são reais. O que é especulação é se o Comité vai dar-lhe o prémio.

Inventor

Qual é o problema em dar-lho, se ele realmente terminou guerras?

Model

Ele afirmou ter terminado sete guerras, mas não as nomeou. Ninguém sabe exatamente quais são. E há conflitos enormes em curso — Ucrânia, Gaza, Sudão. O timing é complicado.

Inventor

Então o Comité está numa posição impossível?

Model

Mais ou menos. Se der o prémio a Trump, parece que está a fazer um jogo político. Se não der, ele vai dizer que foi injustiça. Entretanto, há outras pessoas — como Yulia Navalnaya — que também têm histórias poderosas.

Inventor

O que torna o Nobel da Paz diferente dos outros?

Model

É o único que é anunciado em Oslo, não em Estocolmo. E historicamente tem sido mais explicitamente político. O Comité admite que alguns laureados foram atores controversos. É um prémio que carrega mensagem.

Inventor

Se Trump ganhar, qual é o significado real?

Model

Seria uma declaração sobre o que o mundo valoriza neste momento. Seria também o quinto Presidente americano a ganhar. Mas o significado depende de quem está a olhar — para alguns seria validação, para outros seria uma corrupção do prémio.

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