Se as grandes empresas tecnológicas continuarem a cair, o resto do mercado enfrentará dificuldades significativas
Em Wall Street, a quinta-feira revelou uma tensão antiga entre os fundamentos da economia e o peso simbólico das grandes tecnológicas: mesmo com o PIB revisto em alta e a Micron a surpreender positivamente, as Sete Magníficas caíram em bloco, com a Apple a liderar as perdas com uma queda de 6%. O mercado lembra, assim, que quando poucas empresas carregam tanto do índice, a sua fragilidade torna-se a fragilidade de todos.
- A Apple desabou 6% após anunciar aumentos de preços, desencadeando um pessimismo que se alastrou por todo o setor tecnológico.
- O 'sell-off' iniciado na segunda-feira, após o anúncio da SpaceX de uma emissão de dívida de 25 mil milhões de dólares para financiar infraestrutura de IA, não deu sinais de tréguas.
- A Micron disparou 15,81% com projeções sólidas, mas não conseguiu inverter o sentimento negativo que dominou as Sete Magníficas.
- O índice PCE acelerou para 4,1% em maio — o valor mais alto desde abril de 2023 —, reforçando a expectativa de subida de juros e tornando o setor tecnológico ainda menos atrativo.
- Analistas alertam para os 'perigos de concentração': se as grandes tecnológicas continuarem a cair, o resto do mercado dificilmente conseguirá avançar.
A sessão de quinta-feira em Wall Street começou com sinais encorajadores: o PIB norte-americano foi revisto em alta para 2,1% e a Micron Technology disparou quase 16% com projeções de receitas acima do esperado. O otimismo, porém, não resistiu ao peso das grandes tecnológicas.
As Sete Magníficas — Google, Alphabet, Nvidia, Meta, Tesla, Amazon e Apple — caíram todas em bloco. A Apple foi a mais penalizada, com uma queda de 6% após anunciar aumentos de preços. O Nasdaq cedeu 0,46%, enquanto o S&P 500 ficou praticamente imóvel e o Dow Jones avançou ligeiramente 0,14%.
O pessimismo no setor não nasceu neste dia. Desde segunda-feira, quando a SpaceX anunciou uma emissão de dívida de 25 mil milhões de dólares para financiar investimentos massivos em inteligência artificial, instalou-se um 'sell-off' que não encontrou travão. A Micron escapou à lógica negativa com os seus números, mas não arrastou o setor consigo.
A agravar o quadro, o índice PCE — o indicador de inflação preferido da Reserva Federal — acelerou para 4,1% em maio, o valor mais elevado em mais de dois anos, reforçando a perspetiva de novas subidas de juros. Matt Maley, da Miller Tabak, alertou para as 'fissuras recentes' no setor e para os riscos de concentração: quando sete empresas determinam o comportamento de todo o mercado, a sua queda arrasta tudo o resto.
A quinta-feira em Wall Street começou com promessas. Os dados económicos chegaram positivos — o produto interno bruto norte-americano foi revisto em alta, passando de 1,6% para 2,1% — e a Micron Technology disparou 15,81% com projeções de receitas que superaram largamente as expectativas dos analistas. Por algumas horas, parecia que o otimismo poderia vencer. Mas não venceu.
Os principais índices encerraram a sessão divididos, sem rumo claro. O S&P 500 terminou praticamente imóvel, desvalorizando apenas 0,01% para 7.357,49 pontos. O Dow Jones conseguiu escapar ao pessimismo e fechou em alta, acelerando 0,14% para 51.920,62 pontos. Mas o Nasdaq Composite, o termómetro do setor tecnológico, cedeu 0,46% para 25.358,60 pontos. A razão era simples: as Sete Magníficas — Google, Alphabet, Nvidia, Meta, Tesla, Amazon e Apple — caíram todas em bloco, pintando-se de vermelho e arrastando consigo o sentimento do mercado.
A Apple foi particularmente atingida, desabando 6% depois de anunciar que aumentaria os preços dos seus produtos. Mas o pessimismo que dominou o setor tecnológico não começou nesta quinta-feira. Na segunda-feira anterior, a SpaceX tinha reavivado os receios dos investidores ao anunciar uma emissão de dívida de 25 mil milhões de dólares — destinada a pagar empréstimos anteriores e a financiar investimentos massivos em infraestrutura dedicada à inteligência artificial. Apesar da procura robusta pela dívida, o anúncio desencadeou um "sell-off" que não conheceu descanso desde então.
Matt Maley, analista da Miller Tabak, explicou à Bloomberg que o setor tecnológico tem mostrado "fissuras recentes". O que preocupa os especialistas não é apenas o desempenho de hoje, mas o que pode vir a seguir. "Se as grandes empresas tecnológicas continuarem a cair, vai ser muito difícil para o resto do mercado avançar", alertou Maley, referindo-se aos "perigos de concentração" dos investidores neste setor. Quando sete empresas têm tanto peso no índice, o seu comportamento determina o comportamento de tudo o resto.
Houve ainda outro sinal de alerta: o índice de preços das despesas pessoais de consumo (PCE) dos Estados Unidos — o indicador de inflação preferido da Reserva Federal — acelerou em maio para 4,1%, o valor mais elevado desde abril de 2023. Este número reforça a expectativa de uma subida de juros, o que torna os investimentos em tecnologia menos atrativos num ambiente de custos de financiamento mais elevados. A Micron conseguiu escapar a esta lógica com os seus números sólidos, mas não conseguiu arrastar o resto do setor consigo. O mercado fica agora à espera de ver se as grandes tecnológicas conseguem recuperar ou se o pessimismo que as dominou nesta quinta-feira é apenas o começo de algo maior.
Citas Notables
Recentemente surgiram algumas fissuras no setor tecnológico. Se as grandes empresas tecnológicas continuarem a cair, vai ser muito difícil para o resto do mercado avançar.— Matt Maley, analista da Miller Tabak
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Porque é que a Apple caiu 6% quando os dados económicos gerais eram positivos?
A Apple anunciou aumentos de preços, o que assustou os investidores. Mas isso foi apenas o gatilho. O verdadeiro problema é que o setor inteiro estava já nervoso — a SpaceX tinha acabado de anunciar investimentos massivos em IA, e isso fez os investidores questionar se as grandes tecnológicas conseguem justificar as suas avaliações atuais.
A Micron disparou 15,81%. Porque é que isso não foi suficiente para salvar o dia?
A Micron é importante, mas é pequena comparada com as Sete Magníficas. Quando Google, Nvidia, Meta, Tesla, Amazon e Apple caem todas em bloco, uma boa notícia noutro lado do setor não consegue compensar. O mercado segue o peso, não a lógica.
O que significa exatamente este "perigo de concentração" de que o analista fala?
Significa que sete empresas têm tanto peso no índice que controlam o seu destino. Se todas caem, o índice cai. Se todas sobem, o índice sobe. Não há diversificação real. Se estas sete continuarem a descer, o resto do mercado fica preso — porque ninguém consegue ganhar o suficiente noutros setores para compensar.
E a inflação? O PCE acelerou para 4,1%.
Isso é um problema para a tecnologia. Quando a inflação sobe, a Reserva Federal sobe os juros. Juros mais altos significam que é mais caro financiar empresas de crescimento — e a tecnologia é toda sobre crescimento futuro. Portanto, os investidores vendem.
Então o mercado está à espera de quê agora?
De ver se isto é uma correção normal ou o começo de algo maior. Se as Sete Magníficas continuarem a cair, o resto do mercado vai sofrer. Se recuperarem, tudo volta ao normal. Mas ninguém sabe ainda qual será o caso.