Tecnológicas afundam Wall Street apesar de avanços nas negociações EUA-Irão

Gastando bilhões sem saber quando — ou se — virá o retorno
A preocupação central que levou investidores a vender ações de tecnológicas apesar das boas notícias geopolíticas.

Numa segunda-feira que prometia alívio geopolítico, Wall Street revelou uma ansiedade mais profunda: a dúvida sobre se os investimentos colossais em inteligência artificial algum dia produzirão retornos à altura das expectativas. A SpaceX, ao anunciar uma emissão de 20 mil milhões de dólares em dívida para financiar capacidades de IA, tornou-se o símbolo involuntário de um setor que gasta sem clareza sobre o que colherá. Os avanços nas negociações entre Washington e Teerão — incluindo uma licença para exportação de petróleo iraniano — ficaram à sombra de um pessimismo que os mercados, por ora, não conseguem dissipar.

  • A SpaceX despencou mais de 16% ao anunciar uma dívida de 20 mil milhões de dólares para IA, arrastando gigantes como a Alphabet numa onda de pânico que varreu o setor tecnológico.
  • Investidores questionam abertamente se as megacap tecnológicas estão a queimar capital em IA sem qualquer garantia de retorno — e se os investimentos cruzados entre essas empresas não são mais do que uma ilusão contabilística.
  • O Nasdaq afundou 1,32% enquanto o Dow Jones, menos exposto à tecnologia, conseguiu fechar ligeiramente em alta, revelando uma divisão clara entre o otimismo industrial e o ceticismo digital.
  • No plano diplomático, os EUA formalizaram uma licença de 60 dias para exportações de petróleo iraniano e sinalizaram progressos reais para a paz no Líbano — mas nenhuma boa notícia geopolítica conseguiu perfurar o muro de ansiedade dos mercados.

A segunda-feira começou com promessas geopolíticas e terminou com Wall Street dividida. O S&P 500 recuou 0,37% e o Nasdaq despencou 1,32%, enquanto apenas o Dow Jones — menos exposto à tecnologia — fechou em alta, subindo 0,29%. A sessão marcou uma quebra abrupta num rali que tinha levado os índices a máximos históricos.

A SpaceX liderou o colapso, caindo 16,43% na sua terceira sessão consecutiva de perdas. O gatilho foi o anúncio de uma emissão de pelo menos 20 mil milhões de dólares em dívida para financiar inteligência artificial. O pessimismo irradiou-se para a Alphabet, que cedeu 5,08%, e para todo o setor. O analista Matt Maley, da Miller Tabak, resumiu o problema à Bloomberg: a disparidade entre o nível de despesas e os ganhos reais era simplesmente demasiado gritante. Havia ainda o incómodo dos investimentos circulares — grandes tecnológicas a investirem umas nas outras enquanto se comprometiam a comprar os produtos umas das outras, levantando dúvidas sobre a autenticidade dos retornos.

No campo geopolítico, havia razões para otimismo. Os EUA e o Irão avançaram nas negociações para um acordo de paz, com progressos concretos para encerrar a guerra no Líbano. O secretário do Tesouro Scott Bessent formalizou uma licença temporária de 60 dias que permitiria ao Irão exportar parte do seu petróleo até 21 de agosto, alinhada com um memorando de entendimento assinado por Trump na semana anterior.

Mas nenhuma dessas notícias conseguiu penetrar o muro de preocupação que cercava Wall Street. Enquanto diplomatas celebravam progressos, os traders em Nova York vendiam. A SpaceX, com os seus 20 mil milhões em nova dívida, havia-se tornado o símbolo vivo de uma ansiedade que o mercado, por ora, não sabe como resolver.

A segunda-feira começou com promessas geopolíticas e terminou com Wall Street dividida, as boas notícias das negociações entre Washington e Teerão completamente ofuscadas pelo pânico que varreu o setor tecnológico. O S&P 500 recuou 0,37% para 7.472,98 pontos, enquanto o Nasdaq Composite despencou 1,32% para 26.166,60 pontos. Apenas o Dow Jones, menos exposto à tecnologia, conseguiu fechar em alta, subindo 0,29% para 51.712,71 pontos. A sessão marcou um ponto de inflexão abrupto num rali que tinha levado os índices a máximos históricos nas semanas anteriores.

A SpaceX liderou o colapso. A empresa de Elon Musk caiu 16,43% para 154,60 dólares, completando sua terceira sessão consecutiva de perdas. O gatilho foi o anúncio de que a companhia entraria no mercado de dívida com uma emissão de pelo menos 20 mil milhões de dólares destinada a financiar suas capacidades de inteligência artificial. O pessimismo irradiou-se para as demais gigantes tecnológicas: a Alphabet cedeu 5,08%, arrastada pela mesma onda de preocupação que atingiu todo o setor.

O que assustava os investidores era simples e perturbador: as grandes tecnológicas estavam gastando quantias colossais em IA sem que houvesse clareza sobre quando — ou se — esses investimentos gerariam retornos significativos. Matt Maley, analista da Miller Tabak, explicou à Bloomberg que a questão central era a disparidade gritante entre o nível de despesas e os ganhos reais que essas empresas conseguiam extrair. Havia ainda uma preocupação secundária, mas igualmente incômoda: o fenômeno dos investimentos circulares, em que as grandes tecnológicas investiam umas nas outras enquanto se comprometiam simultaneamente a comprar os produtos umas das outras — um arranjo que levantava questões sobre a autenticidade dos retornos.

Enquanto isso, no campo geopolítico, havia motivos para otimismo. Os EUA e o Irão conseguiram avançar significativamente nas negociações para um acordo de paz definitivo. As duas nações sinalizaram progressos concretos para encerrar a guerra no Líbano, apesar das tensões que continuavam a fervir no Médio Oriente. Donald Trump havia ameaçado Teerão com uma nova ofensiva depois que o país decidiu fechar novamente o Estreito de Ormuz em resposta a uma troca de ataques entre Israel e o Hezbollah, mas mesmo assim as conversas avançavam.

O Departamento do Tesouro dos EUA formalizou um passo concreto nesta segunda-feira, 22 de junho. Scott Bessent, secretário do Tesouro, anunciou uma licença temporária de 60 dias que permitiria ao Irão vender parte de suas exportações energéticas até 21 de agosto. A medida estava alinhada com um memorando de entendimento que Trump havia assinado com Teerão na semana anterior. Era um sinal de que as negociações não eram apenas retórica, mas estavam gerando resultados tangíveis.

Mas nenhuma dessas notícias conseguiu penetrar o muro de preocupação que cercava Wall Street. Os investidores estavam olhando para a frente e vendo um cenário em que as maiores empresas de tecnologia do mundo continuariam a queimar bilhões em inteligência artificial enquanto esperavam por um retorno que talvez nunca chegasse — ou chegasse muito mais tarde do que o mercado estava disposto a esperar. A SpaceX, com seu anúncio de 20 mil milhões de dólares em nova dívida, havia se tornado o símbolo vivo dessa ansiedade. E enquanto diplomatas em Teerão e Washington celebravam progressos na paz, os traders em Nova York estavam vendendo tudo que podiam.

Estas empresas continuam a obter um retorno extremamente baixo do investimento face ao seu nível colossal de despesas em IA
— Matt Maley, Miller Tabak
Outra grande preocupação prende-se com investimentos circulares, em que as empresas investem umas nas outras enquanto se comprometem a comprar os produtos umas das outras
— Matt Maley, Miller Tabak
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que exatamente a SpaceX caiu 16% num único dia? Parece uma reação desproporcional a um anúncio de financiamento.

Model

Não é só o anúncio em si. É o que ele sinaliza. Quando uma empresa do tamanho da SpaceX precisa de 20 mil milhões de dólares em dívida para financiar IA, os investidores começam a fazer contas e percebem que os gastos estão muito à frente dos ganhos reais.

Inventor

Mas a SpaceX não é uma empresa de IA. Por que ela precisa de tanto dinheiro para isso?

Model

Porque todas as grandes tecnológicas estão apostando que IA é o futuro. A SpaceX quer estar nesse jogo. O problema é que ninguém sabe ainda qual é o modelo de negócio que funciona. Estão gastando primeiro, pensando em lucro depois.

Inventor

E os outros índices? Por que o Dow Jones subiu enquanto o Nasdaq caiu?

Model

O Dow tem menos exposição ao setor tecnológico. Empresas industriais e de serviços não estão tão presas a essa corrida de IA. Então quando a tecnologia desaba, o Dow fica relativamente protegido.

Inventor

As negociações com o Irão não deveriam ter impulsionado os mercados?

Model

Deveriam, mas não conseguiram. Quando há medo real sobre os fundamentos das maiores empresas do mercado, notícias geopolíticas positivas viram ruído de fundo. Os investidores estão preocupados com o presente, não com a paz futura.

Inventor

Então isso é apenas o começo de uma correção maior?

Model

Pode ser. O que vimos foi o fim de um rali que tinha levado os índices a máximos históricos. Quando a confiança quebra, especialmente em empresas que representam uma parte tão grande do mercado, as coisas podem desacelerar rapidamente.

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