A proteção cai com o tempo; os reforços garantem que ela permaneça alta
Após décadas de silêncio epidemiológico, o Brasil reafirma em agosto um compromisso coletivo com a memória do sofrimento: o SUS retoma as duas doses de reforço da vacina injetável contra poliomielite para crianças de 4 anos, completando um esquema de cinco aplicações inteiramente livre da gotinha oral. A decisão responde não a uma crise interna — o país está livre da doença há 37 anos — mas à consciência de que nenhuma fronteira é impermeável ao vírus enquanto ele ainda circula em outras partes do mundo. Proteger uma criança hoje é honrar as mais de 26 mil que adoeceram entre 1968 e 1989.
- Surtos localizados de poliomielite em outros países elevam o risco de reintrodução da doença no Brasil, pressionando o sistema de saúde a agir antes que a ameaça se torne concreta.
- A gotinha oral, símbolo de campanhas históricas, é retirada definitivamente do calendário porque, em casos raríssimos, o vírus atenuado pode sofrer mutações e causar a própria paralisia que deveria evitar.
- A partir de 3 de agosto, todas as cinco doses do esquema vacinal passam a usar exclusivamente a vacina injetável com vírus inativado, eliminando o risco associado à versão oral.
- Crianças menores de 5 anos com vacinação incompleta precisam ser levadas a postos de saúde para avaliação — a janela de proteção mais crítica está nessa faixa etária.
- A medida segue recomendação da OMS e reposiciona o Brasil na vanguarda da prevenção, mantendo o certificado de área livre do vírus conquistado em 1994.
Em agosto, o SUS retoma uma proteção que havia sido interrompida: duas doses de reforço da vacina contra poliomielite para crianças de 4 anos. A mudança entra em vigor no dia 3 de agosto e representa um retorno ao esquema anterior, com uma diferença decisiva — todas as cinco doses serão aplicadas com a vacina injetável, feita com vírus inativado.
Até recentemente, o protocolo incluía a famosa gotinha oral como segundo reforço. Ela foi suspensa porque, em situações raríssimas, o vírus enfraquecido presente na fórmula pode sofrer mutações e provocar a própria doença. O Ministério da Saúde optou por eliminar esse risco e unificar o esquema com a versão injetável.
O novo calendário mantém três doses iniciais aos 2, 4 e 6 meses, seguidas de reforços aos 15 meses e aos 4 anos. Qualquer criança menor de 5 anos com vacinação incompleta deve ser levada a um posto de saúde para atualização.
Isabela Ballalai, da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica que os reforços existem porque a proteção diminui com o tempo — e que a decisão também responde a um cenário internacional preocupante. Embora o Brasil esteja livre da poliomielite há 37 anos e tenha recebido em 1994 o certificado de área livre do vírus, surtos em outras partes do mundo aumentam o risco de reintrodução da doença.
A história brasileira com a poliomielite é pesada: mais de 26 mil infecções foram registradas entre 1968 e 1989. O vírus pode causar paralisia e morte ao atingir o sistema nervoso central — razão pela qual a doença ficou conhecida como paralisia infantil. Enquanto o vírus ainda circula em alguns países, a vacina permanece a única barreira entre o presente e esse passado.
Em agosto, o Sistema Único de Saúde retoma uma estratégia de proteção que havia sido interrompida: a aplicação de duas doses de reforço da vacina contra poliomielite em crianças de 4 anos. A mudança, comunicada pelo Programa Nacional de Imunizações na semana anterior, entra em vigor no dia 3 de agosto e marca um retorno ao esquema vacinal que vigorava até 2024, com uma diferença crucial: desta vez, todas as cinco doses serão aplicadas exclusivamente com a vacina injetável, aquela feita com o vírus inativado.
Até recentemente, o protocolo era mais complexo. As crianças recebiam três doses iniciais da vacina injetável aos 2, 4 e 6 meses de vida para estabelecer proteção básica. Depois vinham dois reforços: um aos 15 meses com a vacina injetável, e outro aos 4 anos com a vacina oral, a famosa gotinha contendo vírus enfraquecido. Mas essa segunda dose de reforço foi suspensa porque, em situações raríssimas, o vírus atenuado presente na gotinha pode sofrer mutações e provocar a própria doença que deveria prevenir. O Ministério da Saúde decidiu então eliminar esse risco, optando por manter apenas a vacina injetável em todo o esquema.
Agora o calendário fica assim: três doses aos 2, 4 e 6 meses para conferir a proteção inicial, seguidas de dois reforços aos 15 meses e aos 4 anos. Todas as cinco aplicações usarão a vacina inativada injetável. Qualquer criança menor de 5 anos que ainda não tenha completado esse esquema deve ser levada a um posto de saúde para avaliação e atualização vacinal se necessário.
Isabela Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica a lógica por trás dos reforços: a proteção oferecida pela vacina diminui com o tempo, então as doses adicionais garantem que ela permaneça em níveis altos. Ela também contextualiza a decisão dentro de um cenário internacional preocupante. Embora a poliomielite esteja controlada no Brasil, surtos localizados em outras partes do mundo aumentam o risco de a doença retornar ao país. Por isso, manter o esquema de dois reforços segue o padrão recomendado pela Organização Mundial de Saúde.
A vacinação é direcionada principalmente a menores de 5 anos porque essa faixa etária enfrenta o maior risco de desenvolver quadros graves após infecção pelo vírus. Em situações de surto, porém, adultos também podem ser vacinados. O Brasil não registra casos de poliomielite há 37 anos e recebeu em 1994 o certificado de área livre de circulação do vírus. Mas a história da doença no país é pesada: entre 1968 e 1989, foram registradas mais de 26 mil infecções. O vírus costuma causar sintomas leves, mas pode atingir o sistema nervoso central e provocar paralisia e morte, razão pela qual a poliomielite também é conhecida como paralisia infantil.
Apesar de estar erradicada em grande parte do mundo, o vírus ainda circula em alguns países. A vacinação permanece como a única forma de prevenir a doença e evitar que ela volte a causar os surtos devastadores do passado.
Citações Notáveis
A pólio está controlada entre nós. No entanto, a situação mundial vem apresentando surtos localizados que preocupam e aumentam o risco de chegar ao país.— Isabela Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que o Brasil decidiu abandonar a vacina oral se ela era usada há tanto tempo?
O risco, embora raro, era real. O vírus enfraquecido da gotinha pode sofrer mutações e provocar a própria doença. Como temos acesso à vacina injetável, que é segura, a decisão foi eliminar esse risco desnecessário.
Mas se o Brasil está livre da poliomielite há 37 anos, por que reforçar agora?
Porque o mundo não está livre. Há surtos localizados em outros países, e a proteção vacinal diminui com o tempo. Sem reforços, as crianças ficariam vulneráveis se o vírus chegasse aqui.
Quem corre mais risco de ter complicações graves?
Crianças menores de 5 anos. O vírus pode atacar o sistema nervoso e causar paralisia permanente ou morte. Por isso o foco é essa faixa etária.
E os adultos? Eles precisam se preocupar?
Geralmente não, a menos que haja um surto. Mas em situações de emergência epidemiológica, adultos também podem ser vacinados.
Como os pais sabem se seu filho precisa se atualizar?
Levando a criança ao posto de saúde. Qualquer menor de 5 anos que não tenha recebido as cinco doses deve ser avaliado e vacinado se necessário.