A proteção da vacina cai com o tempo; os reforços garantem que permaneça alta
Todas as cinco doses serão aplicadas com vacina inativada injetável, eliminando o uso da vacina oral que raramente pode sofrer mutações. O Brasil não registra casos há 37 anos, mas surtos localizados no mundo aumentam risco de reintrodução da doença no país.
- Todas as cinco doses serão injetáveis, eliminando a vacina oral que raramente pode sofrer mutações
- Brasil sem casos há 37 anos, mas surtos localizados no mundo aumentam risco de reintrodução
- Novo esquema entra em vigor em 3 de agosto de 2026
- Entre 1968 e 1989, Brasil registrou mais de 26 mil infecções por pólio
A partir de agosto, o SUS volta a aplicar duas doses de reforço da vacina contra poliomielite em crianças de 4 anos, agora exclusivamente com a vacina injetável, reforçando proteção contra surtos globais.
A partir de agosto, o Sistema Único de Saúde muda novamente sua estratégia contra a poliomielite. Todas as crianças de 4 anos receberão uma segunda dose de reforço da vacina, retomando um esquema que havia sido interrompido em 2024. A diferença agora é que todas as cinco doses — incluindo os reforços — serão aplicadas exclusivamente com a vacina injetável, aquela feita com o vírus inativado.
A mudança responde a uma preocupação específica. Até 2024, o protocolo brasileiro incluía três doses iniciais da vacina injetável aos 2, 4 e 6 meses de vida, seguidas por duas doses de reforço com a vacina oral — a famosa gotinha, que contém o vírus enfraquecido. Mas o Ministério da Saúde identificou um risco raro mas real: em situações muito específicas, o vírus atenuado da vacina oral pode sofrer mutações e provocar a própria doença que deveria prevenir. Por isso, em 2024, a segunda dose de reforço foi suprimida. Agora, a solução encontrada foi trazer de volta os dois reforços, mas usando apenas a vacina injetável em todas as ocasiões.
O novo esquema, que passa a valer no dia 3 de agosto, funciona assim: três doses aos 2, 4 e 6 meses para conferir proteção básica; depois, uma dose de reforço aos 15 meses e outra aos 4 anos de idade. Todas com a vacina inativada injetável. A decisão foi tomada pela Câmara Técnica Assessora em Imunizações e comunicada pelo Programa Nacional de Imunizações em nota técnica na semana anterior ao anúncio.
Isabela Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica por que o reforço é necessário: a proteção conferida pela vacina diminui com o tempo. As doses adicionais garantem que ela permaneça em níveis altos. Ela também contextualiza o cenário global. "A pólio está controlada entre nós. No entanto, a situação mundial vem apresentando surtos localizados que preocupam e aumentam o risco de chegar ao país. Então é melhor manter o esquema de dois reforços. Este é o padrão da Organização Mundial de Saúde", afirma. A vacinação é recomendada para menores de 5 anos porque essa é a faixa etária com maior risco de desenvolver quadros graves após a infecção. Em situações de surto, porém, adultos também podem ser vacinados.
O Brasil não registra casos de poliomielite há 37 anos. Em 1994, o país recebeu o certificado de área livre de circulação do vírus. Mas apesar de estar erradicado em grande parte do mundo, o vírus ainda circula em alguns países, e a vacinação permanece como a única forma de prevenir a doença e evitar que ela volte a causar os surtos devastadores do passado. Entre 1968 e 1989, o Brasil registrou mais de 26 mil infecções por pólio. O vírus geralmente causa sintomas leves, mas pode atingir o sistema nervoso central e provocar paralisia e morte — razão pela qual a poliomielite também é conhecida como "paralisia infantil".
Todas as crianças menores de 5 anos que não tiverem recebido as cinco doses devem ser levadas a um posto de saúde para verificar a necessidade de atualização vacinal. A mudança entra em vigor em agosto, dando às famílias um período para se organizarem.
Notable Quotes
A pólio está controlada entre nós. No entanto, a situação mundial vem apresentando surtos localizados que preocupam e aumentam o risco de chegar ao país.— Isabela Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o Brasil decidiu trazer de volta o segundo reforço agora, depois de ter removido em 2024?
Porque a proteção da vacina diminui com o tempo, e os surtos que estão acontecendo em outras partes do mundo aumentaram a preocupação. O risco de a doença voltar ao Brasil é real, mesmo que estejamos há 37 anos sem casos.
Mas não era a vacina oral que causava o problema?
Exatamente. O vírus atenuado da gotinha pode, muito raramente, sofrer mutações e provocar a doença. Por isso agora usam apenas a injetável em todas as cinco doses — eliminam o risco mantendo a proteção.
Qual é o risco real de a poliomielite voltar ao Brasil?
Baixo, mas não zero. O vírus ainda circula em alguns países. Se não mantemos a vacinação em dia, especialmente em crianças, criamos brechas por onde a doença pode entrar novamente.
Por que a recomendação é para menores de 5 anos especificamente?
Porque essa faixa etária tem o maior risco de desenvolver quadros graves — paralisia, morte. As crianças pequenas têm sistemas imunológicos ainda em desenvolvimento.
E os adultos? Precisam se preocupar?
Em situações normais, não. Mas em caso de surto, sim. Os adultos também podem ser vacinados se houver risco de exposição.