Há décadas, a Suécia aprendeu a ver no lixo alheio uma fonte de prosperidade própria. Enquanto outros países pagam para se livrar dos seus resíduos não recicláveis, as centrais suecas de cogeração recebem por aceitá-los, queimam-nos para produzir calor e eletricidade, e vendem essa energia a milhões de lares. É um modelo que transforma o descarte numa dupla receita — mas que carrega em si uma contradição filosófica profunda: a sua viabilidade depende, silenciosamente, de que o resto da Europa continue a falhar na redução do lixo.