Sudeste domina Série A com 60% dos clubes; Sul pode ganhar força em 2026

Pela primeira vez em 34 anos, nenhum clube paranaense na elite
O Sul perdeu força após rebaixamentos de Athletico e Criciúma em 2024, marcando um ponto de inflexão histórico.

O futebol brasileiro, mais do que um esporte, é um espelho fiel das assimetrias que moldam o país. Na Série A do Brasileirão, o Sudeste concentra doze dos vinte clubes da elite — 60% da competição —, enquanto o Sul encolheu a apenas três representantes e o Nordeste, apesar de numericamente superior ao Sul, vê três de seus cinco times ameaçados pelo rebaixamento. O que se desenha no gramado é, no fundo, a velha geometria do poder econômico brasileiro.

  • O Sudeste domina a Série A com doze clubes — seis de São Paulo, quatro do Rio e dois de Minas —, tornando a competição quase uma liga regional disfarçada de nacional.
  • O Sul sofreu uma queda abrupta: Athletico e Criciúma caíram em 2024, deixando a região sem representante paranaense pela primeira vez em 34 anos.
  • O Nordeste surpreende com cinco clubes na elite, superando o Sul em número, mas três deles — Vitória, Fortaleza e Sport — estão na zona de rebaixamento, tornando essa vantagem frágil.
  • Na Série B, o Sul reage: Coritiba lidera, Criciúma está em terceiro e Chapecoense em quarto, apontando para uma possível reviravolta em 2026.
  • Se os três times sulistas subirem e os três atuais se mantiverem, o Sul chegará a seis clubes na elite — uma transformação que reequilibraria, ao menos parcialmente, o mapa do futebol brasileiro.

O futebol brasileiro carrega um desequilíbrio geográfico difícil de ignorar. Na Série A do Brasileirão, o Sudeste ocupa doze das vinte vagas da elite: São Paulo sozinho tem seis clubes, o Rio de Janeiro contribui com quatro e Minas Gerais fecha o bloco com dois. É um domínio que reflete não apenas tradição, mas a concentração econômica que define o país.

O Sul, que já foi potência, encolheu. Grêmio, Internacional e Juventude são os únicos representantes que restaram após a queda de Athletico e Criciúma em 2024 — um rebaixamento que deixou o Paraná sem clube na Série A pela primeira vez em 34 anos. Paradoxalmente, o Nordeste tem mais presença numérica que o Sul, com Bahia, Ceará, Fortaleza, Sport e Vitória na elite. Mas três desses cinco estão na zona de rebaixamento, o que torna essa vantagem mais aparente do que real.

A Série B, porém, guarda uma possibilidade de reviravolta. Com doze rodadas ainda por disputar, Coritiba lidera a competição, Criciúma está em terceiro e Chapecoense em quarto. Se os três subirem e os clubes sulistas atuais se mantiverem na Série A, a região chegará a seis representantes na elite em 2026 — uma mudança significativa no mapa do futebol nacional. O que acontecer nos próximos meses pode não resolver o desequilíbrio histórico, mas certamente redesenhará, ainda que levemente, a geografia do poder no futebol brasileiro.

O futebol brasileiro tem um problema de geografia. Na Série A do Brasileirão, a região Sudeste controla praticamente tudo — doze dos vinte clubes que disputam a principal divisão do país. Isso representa 60% da competição inteira. São Paulo sozinho carrega seis deles: Bragantino, Corinthians, Mirassol (estreante nesta temporada), Palmeiras, Santos e São Paulo. O Rio de Janeiro contribui com quatro — Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Minas Gerais completa a hegemonia regional com Atlético e Cruzeiro. Juntos, esses dois estados e uma capital formam um bloco praticamente intransponível.

O Sul, por contraste, encolheu. Apenas três clubes permanecem na elite: Grêmio, Internacional e Juventude. A queda foi abrupta. Em 2024, Athletico e Criciúma caíram para a Série B, deixando a região sem representante paranaense pela primeira vez em 34 anos — um marco que ilustra bem o declínio. O Nordeste, curiosamente, tem mais força que o Sul neste momento: cinco times (Bahia, Ceará, Fortaleza, Sport e Vitória) ocupam cadeiras na Série A, superando numericamente a região sul do país.

Mas o quadro pode mudar, e em breve. A Série B está na 26ª rodada, com doze ainda por disputar, e a região Sul é protagonista lá embaixo. Coritiba lidera a competição, Criciúma está em terceiro lugar e Chapecoense em quarto. Se esses três subirem — o que é inteiramente possível — e se Grêmio, Internacional e Juventude conseguirem se manter na Série A, o Sul teria seis clubes na elite em 2026. Seria uma transformação significativa.

O Nordeste, por sua vez, enfrenta uma crise silenciosa. Dos cinco representantes que tem na Série A, três estão na zona de rebaixamento: Vitória, Fortaleza e Sport. Dois deles — Fortaleza e Sport — dificilmente conseguirão escapar da queda. É um cenário que sugere que a vantagem numérica nordestina pode ser efêmera.

O que esses números revelam é que o futebol brasileiro segue profundamente marcado pela concentração econômica e pela tradição. O Sudeste, com seus grandes centros urbanos e sua capacidade de investimento, mantém o controle. O Sul, que foi potência, está em transição. E o Nordeste, apesar de ter mais representantes que o Sul, não consegue consolidar sua presença. Os doze maiores clubes do país — Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco da Gama — estão distribuídos entre essas duas regiões, o que significa que o futebol de elite brasileiro é, fundamentalmente, um jogo entre o Sudeste e o Sul. O que acontecer na Série B nos próximos meses pode reequilibrar essa balança, ainda que levemente.

Se Coritiba, Criciúma e Chapecoense subirem e Inter, Grêmio e Juventude permanecerem na Série A, a região Sul terá seis times no principal certame do país
— Análise do cenário da Série B
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
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Por que o Sudeste conseguiu concentrar tanto poder no futebol brasileiro?

Model

É uma combinação de fatores históricos e econômicos. São Paulo e Rio de Janeiro têm os maiores mercados, as maiores torcidas, os maiores estádios. Quando você tem dinheiro e população, você constrói tradição. E tradição atrai mais dinheiro.

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Mas o Sul tinha tradição também, não? Grêmio, Inter, Atlético Paranaense...

Model

Tinha e ainda tem. Mas a queda de Athletico e Criciúma em 2024 foi um baque real. Pela primeira vez em 34 anos não há ninguém do Paraná na Série A. Isso não é apenas um número — é um símbolo de que a região perdeu espaço.

Inventor

E se Coritiba, Criciúma e Chapecoense subirem?

Model

Aí muda tudo. O Sul teria seis clubes na elite. Ainda seria menos que o Sudeste, mas seria um retorno à relevância. A Série B está apontando para isso — esses três estão bem posicionados.

Inventor

O Nordeste parece estar em uma situação estranha. Tem cinco times, mas três estão caindo.

Model

Exatamente. É uma presença numérica que não se traduz em força real. Fortaleza e Sport provavelmente descem. Vitória também está em risco. Então a vantagem nordestina pode desaparecer rapidinho.

Inventor

Isso significa que o futebol brasileiro é realmente um jogo entre duas regiões?

Model

Praticamente. Os doze maiores clubes do país estão no Sudeste e no Sul. O resto é coadjuvante. É uma estrutura que reflete a desigualdade do país inteiro.

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