Nunca teria escolhido utilizar IA, mesmo se fosse necessário
Em um tempo em que máquinas aprendem a imitar a voz humana, Steven Spielberg escolheu o caminho inverso: confiar no corpo de uma atriz para produzir sons que perturbam e fascinam. Ao rejeitar a inteligência artificial para o design sonoro de Dia D, o diretor não apenas tomou uma decisão técnica — ele reafirmou uma filosofia sobre o que torna a arte cinematográfica irredutivelmente humana. A recusa não foi por limitação, mas por convicção.
- A indústria criativa vive uma tensão crescente entre eficiência tecnológica e autenticidade artesanal, e Spielberg escolheu um lado publicamente.
- Emily Blunt produziu ela mesma os sons perturbadores de sua personagem, eliminando a necessidade de qualquer alternativa — mas a posição do diretor existia independentemente disso.
- Caso a atriz não conseguisse, Spielberg recorreria a sons de animais manipulados pelo designer Gary Rydstrom, nunca à IA.
- O debate em torno dessa escolha amplifica o impacto de Dia D, que já carrega o peso de ser o retorno de Spielberg ao blockbuster de ficção científica.
- O filme está em cartaz no Brasil, e a conversa sobre seus bastidores já rivaliza com a curiosidade pela trama em si.
Steven Spielberg concedeu uma entrevista à ITV que revelou menos sobre seu novo filme e mais sobre como ele entende o ofício de fazer cinema. A pergunta era sobre os sons perturbadores que Emily Blunt emite em Dia D — e se a inteligência artificial havia sido considerada para criá-los. A resposta foi categórica: não, e nunca seria.
Blunt havia mencionado que teve a opção de produzir os sons organicamente ou receber auxílio de IA. Spielberg deixou claro que, mesmo que a atriz não fosse capaz, ele teria recorrido a métodos tradicionais — sons de golfinhos ou elefantes, manipulados pelo designer Gary Rydstrom, vencedor de múltiplos Oscars. A questão, porém, nunca precisou ser resolvida assim: Blunt produziu tudo ela mesma.
Dia D é um dos filmes mais aguardados de 2026. A trama parte de um colapso global provocado pela revelação de que governos do mundo inteiro esconderam, por décadas, evidências de vida extraterrestre. O caos começa quando uma meteorologista é aparentemente possuída ao vivo e passa a emitir sons inexplicáveis. O roteiro é de David Koepp, parceiro de Spielberg em Jurassic Park e Guerra dos Mundos, e o elenco inclui Josh O'Connor, Colin Firth, Eve Hewson, Colman Domingo e Wyatt Russell.
Mas é a recusa silenciosa do diretor — a decisão de não terceirizar para máquinas o que um ser humano pode criar — que talvez defina melhor o espírito do filme. Em pleno debate sobre o futuro da IA na indústria criativa, Spielberg fincou uma posição. Dia D já está em cartaz nos cinemas brasileiros.
Steven Spielberg sentou-se diante das câmeras da ITV para falar sobre uma escolha que poderia parecer simples, mas que revela algo fundamental sobre como ele pensa o ofício de fazer filmes. A pergunta era direta: por que não usar inteligência artificial para criar os sons que Emily Blunt emite em seu novo filme, Dia D? A resposta foi ainda mais direta.
Blunt havia mencionado em entrevistas anteriores que teve a liberdade de escolher entre produzir os sons ela mesma, organicamente, ou receber ajuda de sistemas de IA. Quando questionado sobre essa decisão, Spielberg foi categórico: mesmo que a atriz não fosse capaz de gerar aqueles sons perturbadores por conta própria, ele nunca teria optado pela inteligência artificial. A escolha não era contingente. Era uma posição.
Em vez disso, o diretor descreveu o caminho que teria seguido — um caminho que soa quase artesanal em sua criatividade. Ele teria recorrido a sons do mundo natural: um golfinho, talvez um elefante. Depois viria a manipulação tradicional — desacelerar, acelerar, inverter a reprodução. É o tipo de trabalho que Gary Rydstrom, o designer de som do filme e vencedor de vários Oscars pela categoria, dominaria com facilidade. Rydstrom teria encontrado uma solução, Spielberg tinha certeza disso. Mas a questão nunca precisou ser resolvida dessa forma. Emily Blunt produziu todos aqueles sons ela mesma.
O filme que gerou essa conversa é um dos mais esperados de 2026. Dia D marca o retorno de Spielberg aos grandes blockbusters de ficção científica, um território que ele conhece bem desde E.T. — O Extra-Terrestre e tantos outros clássicos. A história começa com um colapso global desencadeado por uma revelação devastadora: governos do mundo inteiro guardaram em segredo, durante décadas, a prova de que vida extraterrestre existe. O caos irrompe durante uma transmissão ao vivo quando uma meteorologista é aparentemente possuída por uma força invisível e começa a emitir sons perturbadores diante das câmeras. Daquele momento em diante, o mundo mergulha em mistério e pânico.
O que se desenrola é uma conspiração de proporções gigantescas envolvendo líderes mundiais que sabiam há anos sobre a presença de inteligência alienígena e trabalharam sistematicamente para manter o segredo. David Koepp assinou o roteiro — o mesmo Koepp que trabalhou com Spielberg em Jurassic Park e Guerra dos Mundos. Segundo o escritor, Dia D recupera o tom dos clássicos de ficção científica do diretor, algo próximo a Contatos Imediatos do Terceiro Grau. Janusz Kamiński fotografa o filme.
O elenco reúne Emily Blunt, Josh O'Connor, Colin Firth, Eve Hewson, Colman Domingo e Wyatt Russell. Mas é a escolha de Spielberg sobre aqueles sons — a recusa em terceirizar para máquinas o que um ser humano pode criar — que talvez diga mais sobre o filme do que qualquer sinopse. Em um momento em que a indústria criativa debate intensamente o lugar da inteligência artificial em seu futuro, Spielberg plantou uma bandeira. Não aqui. Não assim. Dia D já está em cartaz nos cinemas brasileiros.
Citas Notables
Eu nunca teria feito a escolha, mesmo se Emily não fosse capaz de produzir os sons — eu nunca teria escolhido utilizar IA— Steven Spielberg
Teria ido pela via tradicional e pegar o som de um golfinho, ou um elefante, e reduzir a velocidade, acelerar, tocar ao contrário— Steven Spielberg
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Spielberg foi tão categórico em rejeitar a IA? Parece uma posição quase política.
Acho que é menos política e mais sobre o que ele acredita que o cinema precisa. Ele estava dizendo que teria encontrado outro caminho — sons de animais, manipulação analógica — antes de delegar para uma máquina.
Mas Emily Blunt conseguiu fazer os sons. Então a questão nunca foi realmente testada.
Exato. E talvez seja por isso que Spielberg foi tão enfático. Ele estava deixando claro qual seria sua escolha em qualquer cenário. Não é sobre o que funcionaria melhor. É sobre o que ele acredita que pertence ao cinema.
Gary Rydstrom, o designer de som, teria resolvido isso de outra forma?
Spielberg tem certeza disso. Rydstrom é um mestre em transformar sons naturais em algo completamente novo. É o tipo de criatividade que vem de alguém que entende o ofício profundamente.
Então a rejeição à IA é também uma afirmação sobre o valor do artesanato?
Sim. É dizer que existe algo no processo humano — na experimentação, na falha, na descoberta — que não deveria ser substituído, mesmo que a máquina pudesse fazer mais rápido.