Poderia falir uma empresa inteira
O cineasta afirmou que o filme poderia levar um estúdio inteiro à falência devido aos custos de produção colossal. Spielberg recusou propostas de outras empresas para financiar o projeto, pois não queria impor tal risco financeiro a ninguém.
- Orçamento estimado de US$ 200 milhões
- Steven Spielberg, 79 anos, diretor de "Tubarão", "E.T." e "Jurassic Park"
- Adaptação do romance de Daniel H. Wilson
- Projeto engavetado por risco financeiro considerado irresponsável
Steven Spielberg decidiu engavetar o projeto "Robopocalypse" com orçamento estimado em US$ 200 milhões, considerando o risco financeiro muito elevado para qualquer estúdio.
Steven Spielberg, aos 79 anos, tomou uma decisão rara em sua carreira de sete décadas: engavetar um projeto de ficção científica que poderia ter sido o mais ambicioso de sua vida. O filme em questão era "Robopocalypse", adaptação do romance de Daniel H. Wilson sobre uma rebelião de máquinas inteligentes. O orçamento estimado era de US$ 200 milhões — um número tão volumoso que o próprio diretor decidiu que nenhum estúdio deveria arcar com ele.
Em entrevista à revista Empire, Spielberg foi direto sobre o motivo da desistência. "Era colossal. Poderia falir uma empresa. Poderia ter levado um estúdio inteiro a não recuperar o investimento", disse ele. O homem que dirigiu "Tubarão", "E.T. O Extraterrestre" e "Jurassic Park" — filmes que definiram gerações de cinema — reconheceu que este projeto ultrapassava os limites do que considerava responsável financeiramente.
A situação era peculiar. Sua produtora, a DreamWorks, estava disposta a financiar o projeto. Outras empresas também manifestaram interesse, desde que Spielberg permanecesse como diretor. Mas o cineasta recusou todas as propostas. Não era questão de falta de confiança em sua própria visão artística. Era matemática pura. Um orçamento daquele tamanho exigia uma bilheteria praticamente garantida — e nenhum filme, por mais talentoso seu diretor, oferecia essa garantia.
"O orçamento era tão alto que eu não queria impor isso a ninguém, porque não tinha como garantir a bilheteria", explicou Spielberg. "Eu não poderia sequer esperar uma audiência grande o suficiente que justificasse esse nível de investimento." A lógica era inescapável: mesmo um diretor com seu histórico de sucessos não podia prometer que um filme de ficção científica com orçamento de US$ 200 milhões geraria retorno suficiente para justificar o risco existencial que representava para qualquer estúdio.
A decisão reflete uma mudança profunda na indústria cinematográfica contemporânea. Os blockbusters continuam sendo feitos, mas os números envolvidos tornaram-se tão astronômicos que até os cineastas mais experientes hesitam. Spielberg poderia ter insistido, poderia ter convencido investidores a apostar nele. Em vez disso, escolheu não impor a um parceiro financeiro um risco que ele próprio considerava irresponsável. "Basicamente, concluí que seria o filme mais caro da minha carreira e não estava preparado para assumir esse risco", confessou.
O projeto permanece engavetado. Não há indicação de que será retomado. O que fica é uma questão incômoda para Hollywood: se nem Spielberg está disposto a fazer um filme de ficção científica com orçamento de US$ 200 milhões, quem está?
Citações Notáveis
Era colossal. Poderia falir uma empresa. Poderia ter levado um estúdio inteiro a não recuperar o investimento— Steven Spielberg, em entrevista à revista Empire
O orçamento era tão alto que eu não queria impor isso a ninguém, porque não tinha como garantir a bilheteria— Steven Spielberg
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que Spielberg, com todo seu histórico de sucessos, recusou outras empresas que queriam financiar o filme?
Porque sucesso passado não garante sucesso futuro em números dessa magnitude. Ele estava sendo honesto sobre o risco — não era arrogância, era prudência.
Mas US$ 200 milhões é muito dinheiro. Qual seria o retorno esperado para justificar isso?
Exatamente o problema que Spielberg identificou. Você precisaria de um fenômeno global, algo que arrecadasse mais de meio bilhão em bilheteria. Ficção científica é imprevisível. Mesmo diretores consagrados não conseguem garantir isso.
A DreamWorks, sua própria produtora, estava disposta a bancar. Por que ele recusou?
Porque ele não queria arriscar a própria empresa. Se o filme fracassasse, poderia prejudicar a DreamWorks e todos os projetos futuros dela. Há uma responsabilidade com as pessoas que trabalham lá.
Isso significa que Hollywood está chegando a um limite com orçamentos gigantescos?
Parece que sim. Quando até Spielberg diz não, é sinal de que algo mudou. Os números ficaram tão grandes que a matemática deixou de fazer sentido, mesmo para os melhores.
E o filme nunca será feito?
Não há indicação disso. Pode ser que em dez anos, com tecnologia mais barata, alguém tente novamente. Mas por enquanto, "Robopocalypse" é um projeto que nem o próprio Spielberg conseguiu justificar.