St Marche pede recuperação judicial e anuncia venda para Cencosud chileno

Potencial preservação de empregos nas 32 lojas da rede durante processo de recuperação judicial e transação com Cencosud.
Uma saída organizada que preserva empregos e garante pagamento a credores
Como o Grupo Hortus descreve a venda ao Cencosud dentro do processo de recuperação judicial.

Uma rede paulista com 24 anos de história chega a um momento de inflexão: a St Marche, sufocada por dívidas de R$ 574,3 milhões e pela escassez de crédito, busca na recuperação judicial e na venda ao grupo chileno Cencosud uma saída que preserve o que foi construído — empregos, fornecedores, uma marca. É o retrato de como empresas sólidas podem ser corroídas não pela falta de receita, mas pela arquitetura do endividamento em tempos de juros altos. O destino da operação depende agora de dois árbitros: a Justiça e o Cade.

  • A St Marche acumula R$ 574,3 milhões em dívidas e não tem caixa suficiente para honrar compromissos de curto prazo, mesmo faturando mais de R$ 1 bilhão por ano.
  • A crise de liquidez se agravou com a alta dos juros e o fechamento de linhas de crédito — uma tentativa anterior de recuperação extrajudicial já havia fracassado em fevereiro.
  • A solução negociada prevê a venda das 32 lojas ao Cencosud, que adquire apenas os ativos operacionais sem herdar as dívidas, financiando a compra com recursos de uma venda anterior em Minas Gerais.
  • A recuperação judicial abre uma janela de até 180 dias de proteção legal, período em que as cobranças são suspensas e a transação precisa ser concluída.
  • O negócio ainda depende da homologação judicial do plano de recuperação e da aprovação do Cade — dois obstáculos que definem se centenas de empregos serão preservados ou não.

A St Marche, rede de supermercados paulista fundada em 2002, chegou a uma encruzilhada após 24 anos de operação. Na quarta-feira 24 de junho, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar R$ 574,3 milhões em dívidas, ao mesmo tempo em que anunciou a venda de suas 32 lojas ao grupo chileno Cencosud, controlador da Giga Atacado. O Grupo Hortus, controlador da St Marche, apresenta o movimento como uma "saída organizada" — uma tentativa de preservar empregos e garantir algum retorno a fornecedores e credores.

A transação tem uma arquitetura específica: o Cencosud compra apenas os ativos operacionais — as lojas, o centro de distribuição de 7,5 mil metros quadrados e a marca — sem herdar o endividamento financeiro. O financiamento virá de recursos obtidos pelo grupo chileno com a venda recente de suas operações em Minas Gerais. Mas o negócio não está fechado: depende da homologação judicial do plano de recuperação e do aval do Cade.

A crise não surgiu de repente. A empresa já havia tentado uma recuperação extrajudicial, suspensa em fevereiro sem sucesso. O documento apresentado à Justiça de São Paulo aponta endividamento crescente, alta dos juros e redução das linhas de crédito como causas centrais — uma crise de liquidez clássica, em que a empresa possui ativos mas não tem caixa para honrar compromissos imediatos, mesmo faturando mais de R$ 1 bilhão nos últimos 12 meses.

A recuperação judicial oferece uma proteção de até 180 dias contra cobranças, janela dentro da qual a venda ao Cencosud precisa ser concluída. Se o prazo for cumprido e as aprovações chegarem, a rede continuará funcionando sob novo comando. Caso contrário, a situação pode se deteriorar rapidamente — e com ela, os empregos de centenas de trabalhadores nas lojas espalhadas por São Paulo.

A St Marche, rede de supermercados paulista com 24 anos de história, encontrou uma saída para sua crise financeira: vender suas 32 lojas ao grupo chileno Cencosud, controlador da Giga Atacado. Ao mesmo tempo, na quarta-feira 24 de junho, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial para renegociar uma dívida de R$ 574,3 milhões. A operação é apresentada pelo Grupo Hortus, controlador da St Marche, como uma "saída organizada" — uma forma de preservar empregos e garantir o pagamento a fornecedores e credores enquanto a companhia se reestrutura.

A transação não é simples. O Cencosud comprará a rede livre de dívidas e sem caixa, ou seja, sem herdar o endividamento financeiro que sufoca a operação. Isso significa que a empresa chilena está adquirindo apenas os ativos operacionais — as lojas, o centro de distribuição de 7,5 mil metros quadrados, a marca. O financiamento virá de recursos que o Cencosud obteve recentemente com a venda de suas operações em Minas Gerais. Mas a conclusão do negócio depende de duas aprovações: a Justiça precisa homologar o plano de recuperação do Grupo Hortus, e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) precisa dar seu aval à transação.

A St Marche não chegou aqui de repente. Fundada em 2002, a rede operava com receitas sólidas — mais de R$ 1,078 bilhão nos 12 meses até março. Mas a empresa já havia tentado uma recuperação extrajudicial, suspensa em fevereiro, que não foi suficiente para resolver seus problemas. O documento apresentado à Justiça de São Paulo aponta as causas da crise: endividamento crescente, alta dos juros no país e redução das linhas de crédito disponíveis no mercado. Trata-se de uma crise de liquidez — a empresa não tem caixa suficiente para honrar seus compromissos de curto prazo, mesmo que tecnicamente possua ativos.

A recuperação judicial funciona de forma diferente da extrajudicial. Enquanto a segunda envolve negociação direta entre empresa e credores com posterior homologação judicial, a primeira é um processo supervisionado pela Justiça que permite à companhia reorganizar suas dívidas sob proteção legal. Na prática, a recuperação judicial suspende a cobrança das dívidas por até 180 dias, período durante o qual a empresa mantém suas operações normalmente. É nesse intervalo que a venda ao Cencosud precisa ser concluída.

O que está em jogo agora é se essa estrutura consegue funcionar. A St Marche emprega centenas de pessoas nas 32 lojas espalhadas por São Paulo. Fornecedores dependem de seus pagamentos. Credores esperam recuperar parte de seus investimentos. O Cencosud, por sua vez, vê uma oportunidade de expandir sua presença no varejo brasileiro — as 32 lojas da St Marche se somarão à sua operação existente. Se tudo correr conforme planejado, a transação será concluída dentro do prazo de proteção oferecido pela recuperação judicial, e a rede continuará funcionando sob novo comando. Se não, a situação pode se deteriorar rapidamente.

O negócio representa uma saída organizada para a companhia, com preservação de empregos e garantia de pagamento a fornecedores e credores
— Grupo Hortus, controlador da St Marche
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a St Marche não simplesmente entrou em falência? Por que essa estrutura de recuperação judicial combinada com venda?

Model

Porque falência é destruição. A recuperação judicial oferece proteção legal — suspende as cobranças por 180 dias enquanto a empresa negocia. Nesse tempo, a venda pode ser concluída. Se fosse direto para falência, as lojas fechariam, os fornecedores perderiam tudo, os funcionários ficariam sem emprego. Essa forma preserva algo.

Inventor

Mas por que o Cencosud quer comprar uma empresa quebrada?

Model

Não está comprando uma empresa quebrada. Está comprando 32 lojas operacionais, um centro de distribuição, uma marca com clientes. O que não quer é a dívida de R$ 574 milhões. A St Marche tem receita — mais de um bilhão por ano. O problema é que não consegue pagar seus compromissos. O Cencosud vê valor nos ativos.

Inventor

E quem fica com a dívida?

Model

Fica com o Grupo Hortus, que controla a St Marche. Eles entram com a recuperação judicial justamente para renegociar isso — tentar pagar menos, estender prazos, chegar a um acordo com os credores. É um processo supervisionado pela Justiça.

Inventor

Isso funciona? Os credores aceitam perder dinheiro?

Model

Nem sempre aceitam de bom grado, mas é melhor do que nada. Se a empresa falir, os credores podem não receber nada. Com a recuperação, há chance de receber uma parte. É um cálculo de risco.

Inventor

E os funcionários?

Model

Teoricamente, a venda preserva os empregos. As 32 lojas continuam operando, agora sob o Cencosud. Mas isso depende de como a transição acontece, se o novo dono mantém toda a equipe ou faz demissões.

Inventor

Quando saberemos se isso vai funcionar?

Model

Quando a Justiça aprovar o plano de recuperação e o Cade autorizar a venda. Tudo precisa acontecer dentro daqueles 180 dias de proteção. Se não conseguirem, a situação fica muito mais complicada.

Quieres la nota completa? Lee el original en G1 ↗
Contáctanos FAQ