St Marche vende 100% para Cencosud e pede recuperação judicial

Operação visa preservar funcionamento normal e empregos dos funcionários do St Marche durante processo de recuperação judicial.
A Selic saltou de 2% para 15% enquanto a rede crescia
O crescimento do St Marche foi real, mas os juros subiram muito mais rápido que a receita conseguia acompanhar.

O St Marche, rede varejista premium paulista que cresceu aceleradamente enquanto os juros brasileiros subiam de forma igualmente acelerada, chegou a uma encruzilhada histórica: pediu recuperação judicial e acertou a venda integral de suas operações à chilena Cencosud. A trajetória da empresa ilustra uma tensão clássica do capitalismo contemporâneo — o crescimento real que não consegue superar o custo do dinheiro. O desfecho ainda depende da Justiça e do Cade, mas já sinaliza uma reconfiguração do varejo alimentar de alto padrão em São Paulo.

  • Apenas oito meses após concluir uma recuperação extrajudicial de R$ 528 milhões em dívidas, o St Marche voltou ao limite e protocolou pedido de recuperação judicial na madrugada de quarta-feira.
  • A Selic que saltou de 2% para 15% entre 2021 e 2024 corroeu o fluxo de caixa da rede mesmo enquanto ela expandia de 21 para 32 lojas e dobrava seu faturamento.
  • A Cencosud, gigante chilena já presente no Brasil com Prezunic, GBarbosa e Bretas, fechou acordo para comprar 100% do St Marche por valor não divulgado, enxergando uma entrada estratégica no varejo premium de São Paulo.
  • Um aporte emergencial de R$ 25 milhões será injetado nos próximos dias para manter lojas abertas, funcionários em seus postos e clientes atendidos durante o processo judicial.
  • A transação ainda aguarda dois filtros críticos: a homologação judicial da recuperação e a aprovação antitruste do Cade, que definirão se a venda avança ou encontra obstáculos.

Na madrugada de quarta-feira, o St Marche protocolou um pedido de recuperação judicial. Horas depois, a rede anunciou ter fechado acordo para vender 100% de suas operações à Cencosud, gigante varejista chilena. O valor da transação permanece em sigilo, mas as negociações vinham avançando desde o final de 2025.

O momento revela a profundidade da pressão sobre o negócio. A empresa havia encerrado uma recuperação extrajudicial apenas oito meses antes, em outubro de 2025, após renegociar R$ 528 milhões em dívidas e receber R$ 90 milhões em financiamento DIP. O fundo americano L Catterton, então controlador de 70% da rede, havia injetado R$ 45 milhões na reestruturação, enquanto o BTG Pactual acumulou mais de R$ 280 milhões em créditos da empresa.

A raiz do problema está na trajetória dos juros. Entre 2021 e 2024, a Selic foi de 2% a 15%, tornando insustentável a equação financeira de uma varejista em expansão. Nesse período, o St Marche cresceu de 21 para 32 lojas e de R$ 700 milhões para R$ 1,3 bilhão em receita — mas o custo do dinheiro subiu muito mais rápido do que o faturamento conseguia acompanhar.

Com a venda acertada, a Cencosud aportará R$ 25 milhões em caixa nos próximos dias para manter as operações, preservar empregos e garantir o atendimento aos clientes. Para o grupo chileno — que já opera no Brasil com Prezunic, Giga Atacado, GBarbosa e Bretas — a aquisição representa uma entrada estratégica no varejo alimentar premium de São Paulo, voltado às classes A e B.

A transação, porém, ainda não é definitiva. Depende da homologação judicial da recuperação e da aprovação do Cade, que avaliará eventuais questões concorrenciais. Enquanto essas etapas se desenrolam, o St Marche segue funcionando e seus funcionários permanecem em seus postos.

Na madrugada de quarta-feira, o St Marche protocolou um pedido de recuperação judicial. Horas depois, veio o anúncio: a rede havia fechado um acordo para vender 100% de suas operações para a Cencosud, a gigante varejista chilena. O valor da transação permanece em sigilo. As conversas entre as duas empresas vinham acontecendo desde o final de 2025, mas agora ganhavam forma legal e urgência.

O timing revela a pressão real sobre o negócio. O St Marche havia saído de uma recuperação extrajudicial apenas oito meses antes, em outubro de 2025, depois de renegociar R$ 528 milhões em dívidas. Naquele processo, a empresa recebeu R$ 90 milhões em financiamento DIP — um tipo de crédito destinado a companhias em dificuldade financeira. O fundo americano L Catterton, que controlava 70% do negócio, injetou R$ 45 milhões nos estágios iniciais da reestruturação. O BTG Pactual complementou o esforço, e um de seus fundos acabou acumulando mais de R$ 280 milhões em créditos da rede.

O que levou a essa situação? A resposta está na trajetória dos juros brasileiros. Entre 2021 e 2024, a Selic saltou de 2% para 15% — um movimento que transformou completamente a equação financeira de uma varejista em expansão. Naquele período, o St Marche havia crescido: saiu de 21 lojas com faturamento de R$ 700 milhões em 2021 para 32 unidades e receita de R$ 1,3 bilhão em 2024. O crescimento era real, mas o custo do dinheiro subiu muito mais rápido que a receita conseguia acompanhar.

Agora, com a venda para a Cencosud, a rede receberá um reforço de R$ 25 milhões em caixa nos próximos dias. O objetivo é simples: manter as operações funcionando normalmente, preservar os empregos e garantir que clientes continuem sendo atendidos enquanto o processo judicial segue seu curso. A Cencosud, por sua vez, vê na aquisição uma oportunidade de ampliar sua pegada no varejo alimentar premium de São Paulo, focando nas classes A e B. No Brasil, o grupo chileno já opera marcas como Prezunic, Giga Atacado, GBarbosa e Bretas.

Mas a venda ainda não é um fato consumado. O acordo depende de duas aprovações críticas: primeiro, a homologação do pedido de recuperação judicial pelos tribunais; segundo, o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que agora analisará se a operação levanta questões de concorrência. Essas são as próximas etapas que determinarão se a transação avança ou enfrenta obstáculos. Enquanto isso, o St Marche segue operando, seus funcionários mantêm seus postos, e a Cencosud aguarda a oportunidade de consolidar sua presença no segmento premium do varejo alimentar paulista.

O negócio ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que passará a analisar a operação.
— Comunicado sobre a transação
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o St Marche precisou de uma recuperação judicial tão logo após sair de outra, apenas oito meses antes?

Model

A recuperação extrajudicial resolveu o estoque de dívidas acumuladas, mas não resolveu o problema estrutural: a Selic continuou subindo, e os custos financeiros da rede não pararam de crescer. A empresa estava em expansão, mas o crescimento de receita não acompanhava o aumento dos juros.

Inventor

E por que a Cencosud está interessada em comprar uma empresa que acabou de entrar em recuperação judicial?

Model

Porque a Cencosud vê valor no que o St Marche construiu — 32 lojas em São Paulo, marca consolidada no segmento premium, clientes de classes A e B. A questão financeira é um problema de curto prazo que a Cencosud, com sua escala e recursos, consegue resolver.

Inventor

O reforço de R$ 25 milhões é suficiente para manter a operação funcionando?

Model

É suficiente para o funcionamento normal enquanto o processo judicial avança. Não é um resgate completo, é um colchão de caixa. A ideia é que a operação continue gerando receita enquanto a transação é homologada.

Inventor

Qual é o maior risco agora?

Model

A aprovação do Cade. Se o órgão entender que a concentração de mercado fica muito alta com essa aquisição, pode bloquear o negócio. Nesse cenário, o St Marche ficaria em recuperação judicial sem um comprador definido.

Inventor

E os funcionários? O que muda para eles?

Model

Formalmente, nada muda enquanto a transação não é aprovada. Mas a presença de um comprador sólido como a Cencosud reduz a incerteza. Há mais chances de que os empregos sejam preservados do que se a rede tivesse que se reestruturar sozinha.

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