Prejuízo de quase 5 bilhões, mas o mercado aposta no que pode ser
SpaceX arrecadou US$ 85,7 bilhões no maior IPO da história, saltando do sétimo para quinto lugar em valor de mercado global em poucos dias. A Starlink gera 61% da receita (US$ 11,4 bilhões) com 10,3 milhões de clientes em 164 países, enquanto empresa opera no vermelho com prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões.
- IPO de US$ 85,7 bilhões, o maior da história global, em 12 de junho de 2026
- Saltou do sétimo para quinto lugar em valor de mercado em apenas 4 dias
- Starlink gera US$ 11,4 bilhões (61% da receita) com 10,3 milhões de clientes em 164 países
- Prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões em 2025 apesar de receita de US$ 18,7 bilhões
- Elon Musk tornou-se primeiro trilionário do mundo com fortuna de US$ 1,4 trilhão
SpaceX superou Amazon e tornou-se a quinta empresa mais valiosa do mundo após seu IPO histórico de US$ 85,7 bilhões em junho, com receita de US$ 18,7 bilhões em 2025 impulsionada pela Starlink.
Quatro dias após abrir capital na Nasdaq, a SpaceX já havia reescrito seu lugar no ranking global de empresas. No dia 16 de junho, a companhia de tecnologia aeroespacial e inteligência artificial de Elon Musk ultrapassou a Amazon, consolidando-se como a quinta empresa mais valiosa do mundo. A trajetória foi vertiginosa: desde o IPO em 12 de junho, a empresa saltou do sétimo para o quinto lugar, um movimento que reflete tanto a magnitude da oferta quanto a confiança do mercado em seu modelo de negócios.
O lançamento foi histórico em escala. A SpaceX arrecadou US$ 85,7 bilhões em ações vendidas, o maior IPO da história global. No horário de fechamento em Brasília, cada ação era negociada a US$ 213,075. Esse capital massivo chegava a uma empresa que, em 2025, havia consolidado receitas de US$ 18,7 bilhões, um crescimento de 32,7% em relação ao ano anterior. Mas havia uma contradição importante: apesar de faturar bilhões e gerar US$ 6,6 bilhões em lucro operacional medido por Ebitda, a SpaceX fechou 2025 com prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões. Esse resultado refletia o apetite voraz da empresa por investimento em projetos estratégicos — o desenvolvimento do foguete Starship e a expansão em inteligência artificial consumiam recursos em ritmo acelerado.
O motor financeiro da companhia era a Starlink, sua divisão de internet por satélite. Presente em 164 países com 10,3 milhões de clientes conectados a uma constelação de 9.600 satélites ativos, a Starlink gerou US$ 11,4 bilhões em 2025, representando 61% de toda a receita do grupo. A unidade operava com margem saudável de 38,6% e lucro operacional de US$ 4,4 bilhões. Mensalmente, a Starlink adicionava entre 750 mil e 1,5 milhão de novos assinantes, um crescimento que sinalizava demanda robusta por conectividade global.
Mas a SpaceX não era apenas internet. Seu portfólio incluía cinco frentes de negócios distintas. Os serviços de lançamento Falcon e Dragon — foguetes reutilizáveis que dominavam 90% do mercado global de lançamentos comerciais em massa para órbita em 2025 — geraram US$ 4,2 bilhões em receitas. A divisão Starshield, focada em contratos com o governo americano, incluindo acordos confidenciais com o Departamento de Defesa e o National Reconnaissance Office, responsável por satélites espiões, produziu aproximadamente US$ 1,8 bilhão. A xAI, incorporada à SpaceX em fevereiro de 2026 após fusão, contribuiu com US$ 1,36 bilhão em receitas, embora ainda operasse no vermelho com prejuízo operacional de US$ 1,24 bilhão. O Starship, o foguete de próxima geração projetado para missões complexas — desde lançamento de grandes constelações de satélites até transporte de módulos de estações espaciais e, no longo prazo, viagens à Lua e Marte — permanecia em desenvolvimento, consumindo cerca de US$ 3 bilhões em pesquisa e desenvolvimento em 2025.
O que sustentava a avaliação astronômica da empresa era seu mercado potencial mapeado. No formulário S-1 enviado à SEC, a SpaceX declarou um mercado total endereçável de US$ 28,5 trilhões. Mais de 90% desse potencial estava ligado a inteligência artificial. Desse total, US$ 22,7 trilhões viriam de demanda corporativa por aplicações de IA, US$ 2,4 trilhões de infraestrutura para IA, US$ 760 bilhões de assinaturas de IA para consumidores, além de receitas via publicidade digital de IA, banda larga e telefonia da Starlink, e serviços espaciais.
O sucesso da SpaceX elevou seu fundador a um patamar sem precedentes. Elon Musk tornou-se o primeiro trilionário do mundo, com fortuna estimada em US$ 1,4 trilhão segundo a Forbes. A maior parte dessa riqueza agora vinha da SpaceX, da qual Musk detinha 38%, incluindo opções de ações. O empresário também liderava cinco outras grandes companhias de tecnologia e infraestrutura. Havia fundado a SpaceX em 2002 e a Tesla em 2003 — a primeira montadora americana a negociar ações na Bolsa desde 1956. Sua participação na Tesla, atualmente capitalizada em cerca de US$ 1,58 trilhão, representava aproximadamente 12% da companhia. O movimento da SpaceX para o mercado público marcava não apenas um marco corporativo, mas uma reconfiguração do poder econômico global em torno de um único indivíduo e suas visões para tecnologia, energia e exploração espacial.
Citações Notáveis
Mercado potencial de US$ 28,5 trilhões mapeado pela SpaceX, com mais de 90% ligado a inteligência artificial— Formulário S-1 da SpaceX enviado à SEC
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Como uma empresa que perde quase 5 bilhões de dólares consegue ser avaliada como a quinta maior do mundo?
Porque o mercado está apostando no que ela pode ser, não no que ela é hoje. A Starlink já é lucrativa e crescendo rápido. O Starship e a xAI ainda queimam dinheiro, mas representam opções sobre mercados trilionários.
Qual é o risco real aqui? Parece que toda a avaliação depende de inteligência artificial.
Sim, 90% do mercado potencial que a SpaceX mapeia está ligado a IA. Se esse mercado não se materializar como esperado, ou se a concorrência em IA ficar mais acirrada, a história muda. Mas por enquanto, o mercado acredita.
A Starlink é realmente tão boa quanto parece?
É o negócio mais saudável da SpaceX. Margem de 38%, crescimento de centenas de milhares de clientes por mês em 164 países. Mas ainda é apenas 61% da receita total. Tudo o mais está em modo de investimento pesado.
E Elon Musk agora é trilionário. Isso muda algo para a empresa?
Muda a narrativa. Ele agora tem mais poder, mais visibilidade, mais pressão. Mas também significa que sua riqueza está concentrada em empresas que ele controla — SpaceX, Tesla, xAI. Se algo der errado em qualquer uma delas, tudo sofre.
Qual é o próximo capítulo?
Depende se o Starship funciona como prometido e se a xAI consegue competir em IA. Se ambos decolarem, a SpaceX pode valer muito mais. Se não, o mercado vai reavaliar rapidamente.