O maior projeto de arrendamento acessível do país
Em Campanhã, no Porto, uma parceria entre a autarquia, a Sonae Sierra e a Solive anuncia a construção de 331 habitações de arrendamento acessível — o maior projeto do género em Portugal. Num país onde a habitação foi durante décadas tratada como ativo financeiro, este acordo representa uma tentativa de reequilíbrio: devolver à cidade a capacidade de acolher quem nela trabalha mas não consegue pagar o preço do mercado. Com rendas entre 525 e 950 euros e gestão pública, o modelo aposta na confiança entre Estado e capital privado como resposta a uma crise que afeta dezenas de milhares de famílias.
- A crise de habitação no Porto atinge famílias de rendimento médio-baixo que o mercado privado simplesmente excluiu — e a pressão para agir tornou-se insustentável.
- Em apenas três meses, a Câmara do Porto assinou dois projetos de grande escala em Campanhã, sinalizando uma aceleração sem precedentes na política habitacional da cidade.
- O modelo público-privado exige um equilíbrio delicado: os promotores precisam de rentabilidade garantida, enquanto a autarquia assume a gestão das rendas e dos inquilinos.
- Com 331 casas, três edifícios e seis mil metros quadrados de espaços verdes, o novo projeto posiciona o Porto como referência nacional — mas a escala real do problema continua a ser muito maior do que a oferta criada.
Na próxima quinta-feira, a Câmara do Porto, presidida por Pedro Duarte, formaliza uma parceria com a Sonae Sierra e a Solive para construir 331 habitações de arrendamento acessível em Campanhã — o maior projeto do género em Portugal. O acordo chega apenas três meses depois de a câmara ter lançado a primeira pedra do "Jardins do Oriente", um complexo de 151 apartamentos também em Campanhã, desenvolvido com a Ageas por 18 milhões de euros. As rendas, entre 525 e 950 euros mensais, destinam-se a famílias de rendimento médio-baixo que o mercado privado deixou para trás.
O novo projeto de 331 casas segue o mesmo modelo: três edifícios, seis mil metros quadrados de espaços verdes e construção industrializada para reduzir custos e prazos. Ambos os empreendimentos integram a estratégia habitacional da autarquia desenvolvida através da Porto Vivo, e a gestão das rendas ficará a cargo do município — uma transferência de responsabilidade que define o espírito do acordo.
Para a Sonae Sierra, este é território novo. A empresa tem apenas três projetos "build-to-rent" em curso em Portugal e Espanha, com investimento global de 100 milhões de euros. Um deles já avança no Carvalhido, no Porto, com 200 apartamentos em parceria com o grupo Casais.
O que estes acordos revelam é uma mudança de paradigma: depois de décadas em que a habitação foi tratada como bem de investimento, autarquias e promotores privados começam a construir juntos oferta acessível. O Porto lidera pela escala, mas a questão que permanece em aberto é se este modelo consegue ser replicado com a velocidade e a dimensão que a crise exige.
A Câmara do Porto está prestes a assinar um acordo que marca um ponto de viragem na forma como a cidade enfrenta a crise de habitação acessível. Na próxima quinta-feira, 18 de junho, a autarquia presidida por Pedro Duarte vai formalizar uma parceria com a Sonae Sierra e a Solive para construir 331 habitações destinadas ao arrendamento acessível — o maior projeto deste tipo em Portugal.
O acordo chega apenas três meses depois de a câmara ter lançado a primeira pedra de outro empreendimento semelhante, o "Jardins do Oriente", um complexo de 151 apartamentos também em Campanhã, a freguesia mais oriental da cidade. Esse primeiro projeto, desenvolvido em parceria com a Ageas, custará 18 milhões de euros e será erguido em dois anos. As habitações terão tipologias que variam entre T0 e T3, com rendas mensais entre 525 e 950 euros — valores pensados para famílias de rendimento médio-baixo que enfrentam dificuldades em encontrar alojamento no mercado privado.
O novo projeto de 331 casas segue o mesmo modelo e será igualmente construído em Campanhã, numa abordagem que a câmara descreve como referência no setor. O complexo incluirá três edifícios e contará com seis mil metros quadrados de espaços verdes, refletindo uma preocupação com a qualidade de vida além do simples acesso a quatro paredes. Ambos os projetos integram-se na estratégia de habitação acessível que a autarquia tem desenvolvido através da Porto Vivo, a sua estrutura de reabilitação urbana.
Para a Sonae Sierra, o braço imobiliário do grupo Sonae, este é um território relativamente novo. A empresa tem apenas três projetos em desenvolvimento na área do "build-to-rent" — construir para arrendar — em Portugal e Espanha, com um investimento global estimado em 100 milhões de euros. Um desses projetos já está em marcha no Carvalhido, no Porto, com 200 apartamentos, desenvolvido em parceria com o grupo Casais e assente em modelos de construção industrializada que permitem reduzir custos e prazos.
O que torna estes acordos significativos é a mudança de paradigma que representam. Durante décadas, a habitação em Portugal foi vista principalmente como um bem de investimento, com proprietários privados a arrendar a preços de mercado. Agora, as autarquias estão a trabalhar com promotores privados para criar oferta acessível, transferindo para o setor público a gestão das rendas e dos inquilinos. É um modelo que requer confiança mútua — os privados precisam de garantias de rentabilidade, as câmaras precisam de parceiros capazes de construir com qualidade e eficiência.
O Porto não está sozinho nesta aposta. Outras cidades portuguesas têm explorado modelos semelhantes, mas a escala destes dois projetos — 151 e 331 habitações — coloca a capital do Norte numa posição de liderança. A questão agora é se este modelo consegue ser replicado noutras cidades e se consegue responder à dimensão real do problema: dezenas de milhares de famílias à procura de casas que possam pagar.
Citas Notables
Este é o segundo projeto de grande dimensão anunciado pela autarquia, reforçando um modelo de parceria que tem vindo a ser apontado como referência no setor— Câmara do Porto
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Porque é que isto importa agora, neste momento específico?
Porque durante anos o Porto viu as rendas a subir enquanto a oferta de casas acessíveis desaparecia. As famílias de classe média estavam a ser expulsas para a periferia. Isto é uma tentativa de inverter essa tendência.
Mas porque é que a Sonae Sierra, uma empresa privada, aceitaria construir casas baratas? Onde está o lucro?
Não é exatamente barato para eles. O modelo "build-to-rent" oferece rendimento estável a longo prazo — aluguel previsível durante décadas. É menos glamoroso que vender apartamentos a investidores estrangeiros, mas é mais seguro.
E a câmara? O que ganha com isto?
Controla as rendas, garante que as casas vão para quem precisa, e consegue reabilitar um bairro inteiro — Campanhã — sem gastar todo o orçamento municipal. É risco partilhado.
331 casas é muito ou pouco?
É um começo. Mas há dezenas de milhares de pessoas à procura de habitação acessível no Porto. É como pôr um penso numa ferida que precisa de cirurgia.
O que pode correr mal?
Se as rendas não forem realmente acessíveis, se a construção atrasar, se o modelo não conseguir ser replicado noutras cidades. E se isto for apenas um projeto-piloto que fica esquecido.