Sob pressão, Putin anuncia conquista de Konstantinovka no 'cinturão das fortalezas'

Ataques aéreos russos mataram 30 pessoas em Kiev na quinta-feira e ao menos três em Sumi na sexta-feira.
Uma vitória militar oferece narrativa diferente para população sob pressão
Putin anuncia conquista enquanto enfrenta crise interna causada por ataques ucranianos ao sistema energético russo.

No leste ucraniano, Moscou declarou a tomada de Konstantinovka, primeira cidade do chamado 'cinturão das fortalezas' em Donetsk — um avanço que, se confirmado, abre caminho para o controle russo sobre os últimos 15% da região ainda sob Kiev. O anúncio chega em momento de fragilidade interna para Putin, pressionado por uma crise de combustível provocada por ataques ucranianos a refinarias. A guerra, como sempre, avança em ciclos de destruição e propaganda, sem horizonte claro de resolução.

  • A queda de Konstantinovka, se confirmada, representa a primeira brecha no cinturão defensivo ucraniano que protege Kramatorsk e Sloviansk — cidades com peso estratégico e simbólico muito maior.
  • O anúncio russo soa conveniente: Putin enfrenta filas em postos de gasolina, aumento de 30% nos preços de combustível e pressão política crescente causada pelos ataques ucranianos às refinarias.
  • No campo de batalha, drones dominam completamente a linha de frente, forçando ambos os lados a abandonar blindados e adotar táticas ágeis com quadriciclos e pequenas equipes — o que torna qualquer avanço lento e sangrento.
  • O terreno montanhoso ao redor de Kramatorsk e Sloviansk trabalha contra os invasores, e as forças russas levaram quase um ano para percorrer o caminho desde sua última grande conquista na região.
  • Enquanto o front avança centímetro a centímetro, os ataques aéreos continuam: 30 mortos em Kiev na quinta-feira, ao menos três em Sumi na sexta — e Kiev respondeu atingindo mais uma refinaria com drones.

Moscou anunciou na sexta-feira a tomada de Konstantinovka, primeira das três cidades que formam o 'cinturão das fortalezas' no leste ucraniano. A conquista, se confirmada, abre uma brecha para o avanço russo sobre os cerca de 15% de Donetsk ainda sob controle de Kiev — mas o caminho à frente promete ser longo e custoso.

O anúncio chegou em momento delicado para Putin. Ataques ucranianos a refinarias provocaram uma crise de abastecimento: filas em postos de gasolina, limitações de venda na Crimeia e em Novorossisk, e alta de 30% nos preços em Sebastopol em apenas uma semana. O próprio presidente reconheceu o problema publicamente, alimentando especulações sobre novas mobilizações ou uso de armas táticas nucleares. Nesse contexto, a vitória militar anunciada pelo chefe do Estado-Maior Gerasimov soa como um presente político conveniente.

Ainda assim, há indícios independentes de que Konstantinovka era de fato uma frente difícil. A Reuters documentou combates de rua com pequenas unidades russas penetrando a zona da morte. Os drones dominam o setor, tornando qualquer movimento de tropas perigoso e levando ambos os lados a adotar quadriciclos e equipes reduzidas no lugar dos tradicionais avanços blindados.

Konstantinovka fica a 30 quilômetros ao sul de Kramatorsk — sede do governo ucraniano regional desde 2014 e próximo alvo estratégico. Quinze quilômetros ao norte está Sloviansk, a terceira cidade do cinturão. Juntas, as três cidades e as vilas ao redor abrigam cerca de 250 mil pessoas, em terreno montanhoso que dificulta enormemente o avanço russo. As forças de Moscou levaram quase um ano para chegar até aqui desde sua última grande conquista na região.

Enquanto isso, o ciclo de violência não para: 30 mortos em Kiev num bombardeio na quinta-feira, ao menos três em Sumi na sexta. Kiev, por sua vez, afirmou ter atingido mais uma refinaria com drones. Konstantinovka é apenas um movimento num conflito que se arrasta sem perspectiva de resolução rápida.

Moscou anunciou na sexta-feira que suas forças haviam tomado Konstantinovka, a primeira das três cidades que formam o que os militares chamam de "cinturão das fortalezas" na região de Donetsk, no leste ucraniano. Se a conquista se confirmar, ela abre uma brecha para o avanço russo sobre os aproximadamente 15% da região que ainda permanecem sob controle de Kiev — um processo que, mesmo assim, promete ser longo e custoso.

O anúncio chegou em um momento delicado para Putin. Nos últimos meses, a Ucrânia intensificou uma campanha de ataques contra o sistema energético russo, danificando refinarias repetidamente e provocando uma crise de abastecimento de combustível que ameaça diretamente a popularidade do presidente. Filas se formaram em postos de gasolina em várias regiões do país. Na Crimeia, em Kaliningrado e em Novorossisk, as autoridades limitaram a venda de combustíveis. Em Sebastopol, os preços nas bombas subiram 30% em apenas uma semana. O próprio Putin reconheceu publicamente o problema, e a situação gerou especulações sobre uma possível nova mobilização de tropas ou até mesmo o uso de armas nucleares táticas.

Por isso, a notícia militar transmitida pelo chefe do Estado-Maior russo, Valeri Gerasimov, soa suspeita — um presente bem-vindo para um líder sob pressão. Mas há indicadores independentes de que a situação em Konstantinovka era de fato precária. A agência Reuters publicou uma reportagem nesta semana documentando as dificuldades naquela frente, com repórteres descrevendo combates de rua entre ucranianos e pequenas unidades russas que conseguiram penetrar a chamada zona da morte. Os drones dominam completamente aquele setor da linha de frente, tornando qualquer movimento de tropas extremamente perigoso. Por isso, ambos os lados abandonaram os avanços tradicionais apoiados por blindados em favor de táticas mais ágeis, usando quadriciclos e pequenas equipes para abrir caminho.

Konstantinovka é apenas o primeiro passo. Ela fica a cerca de 30 quilômetros ao sul de Kramatorsk, que é o próximo alvo e possui importância estratégica muito maior. Desde 2014, quando a capital regional de Donetsk caiu nas mãos de separatistas pró-Rússia, Kramatorsk sedia o governo ucraniano da região. Quinze quilômetros ao norte de Kramatorsk está Sloviansk, a terceira cidade do cinturão. Juntas, essas três cidades e as quase 20 vilas menores ao redor abrigam aproximadamente 250 mil pessoas. O terreno também trabalha contra os invasores: ao contrário do resto de Donetsk, que é predominantemente plano, essa área é montanhosa e irregular, o que dificulta enormemente o movimento das tropas. As forças russas levaram quase um ano para chegar a Konstantinovka desde sua última grande conquista na região.

Donetsk é uma das quatro regiões que Putin anexou ilegalmente em setembro de 2022. Ele controla completamente apenas Lugansk, no leste. Em Donetsk, controla talvez 85%. Em Zaporíjia e Kherson, ambas mais ao sul, controla aproximadamente 75%. Enquanto isso, a resposta do Kremlin à crise dos combustíveis tem sido a de sempre: mais ataques aéreos. Na quinta-feira, um bombardeio contra Kiev matou 30 pessoas. Na sexta, um ataque contra a região de Sumi, no norte, deixou pelo menos três mortos. Kiev, por sua vez, afirmou ter atingido mais uma refinaria com drones. O ciclo continua, e a conquista de Konstantinovka, real ou não, é apenas um movimento em um conflito que se arrasta sem perspectiva de resolução rápida.

A situação em Konstantinovka era precária, com combates de rua entre ucranianos e pequenas unidades russas que conseguiram penetrar a zona da morte
— Repórteres da Reuters
Putin admitiu o transtorno causado pela crise de combustível, que ameaça diretamente sua popularidade
— Governo russo
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o Kremlin anunciaria essa conquista agora, neste momento específico?

Model

Porque Putin está sob pressão interna real. Os ataques ucranianos às refinarias criaram filas de gasolina e aumentos de preço que afetam diretamente a vida das pessoas. Uma vitória militar, mesmo que pequena, oferece uma narrativa diferente para a população.

Inventor

Mas há razão para acreditar que Konstantinovka realmente caiu?

Model

Há indícios. Repórteres independentes já documentavam combates de rua lá há dias. O terreno permite apenas avanços lentos, mas os russos estavam ganhando espaço. Não é improvável que tenham tomado a cidade.

Inventor

O que torna essa região tão importante estrategicamente?

Model

Ela é o portão de entrada para Kramatorsk, que é a sede do governo ucraniano em Donetsk. Se os russos tomarem Kramatorsk, controlam efetivamente toda a região. Mas o terreno montanhoso significa que cada quilômetro custa sangue.

Inventor

Quanto tempo levaria para chegar a Kramatorsk?

Model

Ninguém sabe. Levou quase um ano para chegar a Konstantinovka. O terreno é difícil, os drones estão em toda parte, e os ucranianos estão lutando por sua capital regional. Pode ser meses, pode ser anos.

Inventor

E a crise de combustível em Moscou? Isso muda algo na guerra?

Model

Muda tudo. Afeta a moral da população, questiona a competência de Putin, cria pressão política interna. É por isso que ele precisa de vitórias militares agora. Sem elas, a crise energética pode se transformar em crise política.

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