SNS terá novo centro de dados em Évora com redundância em tempo real até final de 2026

Falha de energia afetou mais de 150 mil consultas e atos clínicos programados sem registo informático em tempo real, impactando diretamente cuidados de saúde.
Se houver uma falha num centro, o outro inicia imediatamente
Como funcionará a redundância em tempo real entre os centros de dados do Porto e Évora quando estiver operacional.

Num tempo em que a saúde pública depende cada vez mais de infraestruturas invisíveis, o Serviço Nacional de Saúde português confronta-se com a fragilidade de um sistema construído sobre um único ponto de falha. Com 15 milhões de euros do PRR, um novo centro de dados em Évora promete criar a redundância que uma falha recente no Porto tornou urgente — 150 mil consultas sem registo e 250 mil receitas diárias interrompidas são o preço humano da dependência tecnológica. O projeto, previsto para 2026, chega com atraso, mas carrega a promessa de que a próxima falha não será sentida por ninguém.

  • Uma falha de energia no centro de dados do Porto paralisou o sistema de prescrição eletrónica usado por dez mil médicos, deixando 250 mil receitas diárias sem emissão.
  • Mais de 150 mil consultas e atos clínicos ficaram sem registo informático em tempo real, expondo a vulnerabilidade crítica de um SNS dependente de uma única infraestrutura.
  • A Ordem dos Médicos exigiu explicações urgentes aos SPMS e agendou uma reunião, sinalizando uma tensão institucional que a falha técnica não fez senão amplificar.
  • O centro de dados de Évora — prometido para o primeiro trimestre de 2023 — acumula quase quatro anos de atraso, com nova data-alvo fixada no final de 2026.
  • Os SPMS garantem que o projeto avança conforme esperado, mas até à sua conclusão o SNS permanece exposto ao mesmo risco que a última sexta-feira tornou dolorosamente visível.

O Serviço Nacional de Saúde está a construir um segundo centro de dados em Évora, destinado a funcionar como espelho automático do sistema que opera no Porto. A ideia é simples na sua ambição: quando um falha, o outro assume de imediato, sem que médicos ou enfermeiros percebam qualquer interrupção. O investimento ronda os 15 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, com conclusão prevista para o final de 2026.

A urgência desta solução ficou exposta na passada sexta-feira, quando uma falha de energia no Porto perturbou serviços críticos do SNS. O sistema de prescrição eletrónica — utilizado por cerca de dez mil médicos e responsável por uma média de 250 mil receitas diárias — foi um dos mais afetados. A Ordem dos Médicos estimou que mais de 150 mil consultas e atos clínicos programados ficaram sem registo informático em tempo real, um número que traduz em pessoas concretas o custo de depender de um único ponto de falha.

Os SPMS, entidade que gere a infraestrutura tecnológica do SNS, explicam que a redundância em tempo real implica sincronização contínua de dados entre os dois centros. Mas o projeto carrega um historial incómodo: em 2022, os servidores de Évora foram prometidos para o primeiro trimestre de 2023. Esse prazo não foi cumprido, e a data-alvo recuou quase quatro anos. A entidade atribui os atrasos à complexidade técnica e às exigências da contratação pública.

A falha reacendeu a tensão com a Ordem dos Médicos, que exigiu explicações urgentes e agendou uma reunião com os SPMS. O episódio deixa uma realidade difícil de ignorar: enquanto Évora não estiver operacional, o SNS continua vulnerável — e uma única falha pode afetar centenas de milhares de pessoas num só dia.

O Serviço Nacional de Saúde está a construir um novo centro de dados em Évora que funcionará como salvaguarda automática para o sistema que opera no Porto. Quando um falha, o outro entra em funcionamento imediatamente — sem interrupção, sem espera, sem que os médicos e enfermeiros percebam que algo correu mal. O projeto custa cerca de 15 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, e deverá estar operacional até ao final de 2026.

A necessidade desta redundância tornou-se evidente na passada sexta-feira, quando uma falha de energia no centro de dados do Porto perturbou o acesso a vários serviços e sistemas do SNS. O impacto foi amplo e concreto: o sistema de prescrição eletrónica de medicamentos, utilizado por cerca de dez mil médicos diariamente e responsável por uma média de 250 mil receitas passadas por dia em Portugal, foi um dos mais afetados. Embora os serviços tenham sido progressivamente repostos, constrangimentos temporários prolongaram-se nos dias seguintes. A Ordem dos Médicos estimou que mais de 150 mil consultas e atos clínicos programados ficaram sem registo informático em tempo real — um número que ilustra a fragilidade de um sistema que depende de um único ponto de falha.

Os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), a entidade que gere toda a infraestrutura tecnológica do SNS, justificaram o investimento em Évora com a necessidade de criar um segundo polo capaz de resistir às vicissitudes que podem afetar centros de dados — falhas de energia, problemas de refrigeração, desastres naturais. A redundância em tempo real significa que os dados são sincronizados continuamente entre os dois centros, de modo que se um cair, o outro assume o funcionamento sem perda de informação.

O projeto, porém, tem um historial de atrasos. No final de 2022, o presidente dos SPMS anunciou que os servidores de Évora seriam instalados até ao final do primeiro trimestre de 2023, com redundância a funcionar a partir dos meses seguintes. Esse calendário não se cumpriu. Agora, quase quatro anos depois, a data-alvo é o final de 2026. Os SPMS argumentam que o atraso reflete a complexidade dos requisitos técnicos envolvidos e os procedimentos exigidos pela contratação pública, e consideram que o projeto está agora a desenvolver-se conforme esperado.

A falha de sexta-feira reacendeu a tensão entre o SNS e a Ordem dos Médicos. A ordem exigiu explicações urgentes aos SPMS sobre o impacto nas consultas e atos clínicos que ficaram sem registo, e as duas entidades têm uma reunião agendada para discutir a questão. O episódio expõe uma realidade incómoda: até que o centro de dados de Évora entre em funcionamento, o SNS continua dependente de uma única infraestrutura no Porto, vulnerável a falhas que podem afetar centenas de milhares de pessoas num único dia.

O novo centro de dados vai permitir redundância em tempo real. Se houver uma falha num centro de dados, o outro iniciará o funcionamento imediatamente.
— Fonte dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS)
Acho que teremos condições para já ter alguns sistemas em redundância a partir de Évora no final do primeiro semestre de 2023.
— Luís Goes Pinheiro, presidente dos SPMS (2022)
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que é que este atraso de quatro anos aconteceu? O que correu mal?

Model

A complexidade técnica é real — sincronizar dados em tempo real entre dois centros de dados separados por centenas de quilómetros não é trivial. Mas há também a questão dos procedimentos de contratação pública, que são lentos e exigem múltiplas aprovações. O projeto foi anunciado com otimismo em 2022, mas a realidade da execução mostrou-se mais complicada.

Inventor

E enquanto isso, o SNS continua vulnerável a uma única falha.

Model

Exatamente. A falha de sexta-feira mostrou o risco real. Quando o Porto caiu, 250 mil receitas de medicamentos não foram registadas. Médicos tiveram de improvisar, pacientes tiveram de esperar. Não é um problema teórico.

Inventor

A Ordem dos Médicos está zangada. Isso é justificado?

Model

Sim. Mais de 150 mil consultas ficaram sem registo informático. Para um médico, isso significa incerteza sobre o que foi feito, o que foi prescrito, o que o doente já tomou. É um risco clínico real.

Inventor

Quando é que isto fica resolvido?

Model

Teoricamente, até ao final de 2026. Mas dado o historial de atrasos, há razão para ser cético. O que é certo é que enquanto Évora não estiver operacional, o SNS continua a funcionar com uma única corda.

Inventor

E se houver outra falha antes disso?

Model

Então repetem-se os mesmos problemas. Perturbações generalizadas, registos perdidos, sistemas offline. Por isso a pressão agora é real.

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