Única proteína sem proteção diplomática, os pescados ficam à mercê das flutuações
Em meio à renovada pressão tarifária americana, o setor de pescados brasileiro reconquistou esta semana seu lugar em um programa federal de crédito que havia perdido meses antes. A reinclusão no Brasil Soberano 2, confirmada pelo ministro Márcio Elias Rosa após reunião com a Abipesca no Planalto, oferece um escudo financeiro temporário contra tarifas que podem chegar a 37,5% — ameaçando exportações projetadas em US$ 500 milhões para 2026. É o retrato de uma indústria que navega entre decisões tomadas em Brasília e ventos que sopram de Washington.
- O governo Trump sinaliza a reimposição de tarifas de até 37,5% sobre pescados brasileiros, restaurando patamares que haviam sido derrubados pela Suprema Corte americana e reacendendo a crise no setor.
- Os pescados foram a única proteína ausente da lista de exclusão de 73 páginas divulgada pelos EUA, expondo a indústria a uma vulnerabilidade singular em relação a outros setores de proteína animal.
- A Abipesca formalizou o pedido de reinclusão no Brasil Soberano 2 diante do risco concreto às exportações previstas em US$ 500 milhões para 2026.
- O ministro Márcio Elias Rosa confirmou a reinclusão do setor no programa de crédito após reunião no Planalto, revertendo uma exclusão que havia deixado empresas desprotegidas.
- O acesso ao crédito oferece alívio imediato, mas não resolve a dependência estrutural do setor em relação às oscilações da política comercial americana.
O setor de pescados brasileiro reverteu nesta semana uma exclusão que o havia deixado desprotegido: o ministro Márcio Elias Rosa confirmou a reinclusão das empresas de pesca e piscicultura no programa Brasil Soberano 2 após reunião com Eduardo Lobo, presidente da Abipesca, no Planalto.
O programa funciona como um mecanismo de crédito para empresas afetadas por turbulências externas — tarifas americanas e instabilidade no Oriente Médio. O setor havia sido removido dessa proteção quando a Suprema Corte dos EUA derrubou um pacote anterior de impostos, o que pareceu resolver o problema. A situação, porém, mudou rapidamente: o governo Trump agora sinaliza novas tarifas de até 37,5% sobre pescados brasileiros, essencialmente restaurando os níveis anteriores de taxação e ameaçando exportações projetadas em US$ 500 milhões para 2026.
O que torna o cenário ainda mais delicado é um detalhe revelador: os pescados foram a única proteína ausente da lista de exclusão de 73 páginas divulgada pelos americanos. Enquanto outros setores conquistaram alguma proteção diplomática, os pescados ficaram de fora — sinal de exposição contínua às flutuações da política comercial em Washington.
A reinclusão no Brasil Soberano 2 oferece alívio imediato, mas sublinha uma realidade persistente: a indústria de pescados brasileira segue oscilando entre períodos de esperança e de ameaça, dependente de negociações que estão além do seu controle.
O setor de pescados brasileiro conseguiu reconquistar acesso a um programa de crédito federal nesta semana, revertendo uma exclusão anterior que havia deixado a indústria vulnerável diante de novas ameaças comerciais dos Estados Unidos. A decisão foi anunciada pelo ministro Márcio Elias Rosa após encontro com Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados, no Planalto na quarta-feira.
O programa Brasil Soberano 2 funciona como um escudo financeiro para empresas atingidas por turbulências econômicas externas — especificamente, as tarifas americanas e a instabilidade no Oriente Médio. O setor havia sido removido dessa proteção meses antes, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou um pacote anterior de impostos sobre importações. Aquela vitória judicial pareceu resolver o problema. Mas a situação mudou rapidamente.
Agora o governo Trump sinaliza a imposição de novas tarifas que podem chegar a 37,5% sobre pescados brasileiros — essencialmente restaurando os níveis de taxação do ano anterior. Para a indústria, isso representa uma ameaça concreta a um volume de exportações que havia sido projetado em US$ 500 milhões para 2026. Diante dessa perspectiva, a Abipesca solicitou formalmente a reinclusão das empresas de pesca e piscicultura no programa de crédito.
O que torna a situação particularmente delicada é um detalhe revelador: os pescados foram a única proteína que não apareceu na lista de exclusão de 73 páginas divulgada pelo governo americano. Enquanto outros setores de proteína animal conquistaram alguma proteção diplomática ou comercial, os pescados ficaram de fora — um sinal de que essa indústria permanece especialmente exposta às flutuações da política comercial americana.
A reinclusão no Brasil Soberano 2 oferece algum alívio imediato, fornecendo às empresas acesso a crédito para absorver o impacto de possíveis tarifas. Mas a decisão também sublinha uma realidade mais ampla: a indústria de pescados brasileira segue dependente de negociações que estão fora de seu controle, oscilando entre períodos de esperança e períodos de ameaça conforme as prioridades políticas em Washington mudam.
Notable Quotes
O setor de pescados será incluído entre os que podem se beneficiar do programa Brasil Soberano 2— Ministro Márcio Elias Rosa
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o setor de pescados foi excluído do programa em primeiro lugar?
Quando a Suprema Corte americana derrubou as tarifas anteriores, o governo brasileiro interpretou que a ameaça havia passado. Não havia mais razão para manter o programa de emergência. Mas foi uma leitura otimista demais.
E agora Trump está trazendo de volta as mesmas tarifas?
Não exatamente as mesmas — pode ser até 37,5%, o que é praticamente o mesmo nível. O ponto é que a indústria de pescados nunca teve certeza de estar segura. Enquanto outras proteínas conseguiram alguma proteção, os pescados ficaram de fora da lista de exclusão americana.
O que significa estar de fora da lista de exclusão?
Significa que ninguém negociou por você. Outras indústrias tiveram peso político suficiente para conseguir isenções. Os pescados não. Então quando as tarifas voltam, eles voltam sem defesa.
US$ 500 milhões é muito para esse setor?
É o volume inteiro que eles esperavam exportar este ano. Se as tarifas forem aplicadas, aquele número desaba. O crédito ajuda a empresa a respirar, mas não resolve o problema real, que é o acesso ao mercado americano.
Isso vai se resolver?
Depende de negociações que estão acontecendo em Washington. O Brasil pode tentar convencer Trump de que os pescados merecem proteção. Mas historicamente, esse setor não tem tido muita sorte nessas conversas.