Sespa reúne 150 profissionais em Belém para fortalecer combate às hepatites virais

Levar o cuidado para quem precisa, onde quer que esteja
O Pará descentraliza o tratamento de hepatite B, começando pela zona ribeirinha com o projeto piloto em Ponta de Pedras.

Em Belém, cento e cinquenta profissionais de saúde se reuniram por três dias para enfrentar um silêncio que ainda adoece e mata: as hepatites virais. O 6º Encontro dos SAEs em Hepatites Virais não é apenas um evento técnico — é um pacto coletivo do Pará com a meta global de eliminar essas doenças como problema de saúde pública até 2030. Num Estado de dimensões continentais e populações ribeirinhas distantes dos centros de tratamento, descentralizar o cuidado é, antes de tudo, um ato de justiça.

  • As hepatites virais ainda matam e adoecem milhares de paraenses, e o Estado corre contra o prazo global de eliminação fixado para 2030.
  • Gestores, profissionais dos 42 SAEs, representantes do Ministério Público e um infectologista federal convergem para Belém num esforço raro de coordenação interinstitucional.
  • A descentralização do tratamento avança timidamente: Ponta de Pedras, município ribeirinho, já acompanha quatro pacientes com hepatite B — um sinal de que o cuidado começa a chegar a quem mais precisa.
  • Em 2025, 815 profissionais foram capacitados na rede assistencial, e a hepatite C — curável em mais de 95% dos casos com medicamentos disponíveis — está no centro das discussões de ampliação do acesso.
  • Os resultados do encontro não ficarão em atas: eles definirão a linha de cuidado das hepatites nas regiões participantes e orientarão a resposta do Pará até 2030.

Cento e cinquenta profissionais de saúde abriram, nesta quarta-feira em Belém, três dias de trabalho intenso sobre um problema que persiste em silêncio: as hepatites virais. O 6º Encontro dos SAEs em Hepatites Virais reuniu gestores, equipes dos 42 serviços especializados espalhados pelo Pará, representantes do Ministério Público e um infectologista do Ministério da Saúde, todos orientados por um tema comum — levar o Estado rumo à eliminação das hepatites B e C até 2030, meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde.

A programação combina oficinas de manejo clínico voltadas a profissionais da atenção primária e das prisões com um diálogo aberto à sociedade civil no último dia. Caroline Figueiredo, coordenadora estadual de Hepatites Virais da Sespa, explicou que os participantes analisarão dados epidemiológicos, avaliarão um diagnóstico situacional da rede e trabalharão na ampliação do acesso ao tratamento da hepatite C — doença com taxa de cura superior a 95% graças a medicamentos já disponíveis no sistema público. A vacinação contra hepatites A e B e o alcance a populações vulnerabilizadas também integram a pauta.

O esforço já produz resultados concretos. Em 2025, a Coordenação Estadual qualificou 815 profissionais — agentes comunitários, equipes da atenção primária, SAEs e Centros Regionais de Saúde. Esse investimento viabilizou um projeto piloto de descentralização: Ponta de Pedras, município da zona ribeirinha, passou a oferecer tratamento para hepatite B, acompanhando hoje quatro pacientes. É um passo modesto, mas simbólico, de um cuidado que começa a alcançar quem vive longe dos grandes centros.

Rosiana Nobre, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde, abriu os trabalhos reforçando que aperfeiçoar a linha de cuidado exige esforço permanente entre todas as esferas de governo e a sociedade civil. O infectologista Leonardo Carrara Matsuura, consultor técnico do Ministério da Saúde, destacou que o diálogo promovido pelo encontro permitirá identificar gargalos e oportunidades de qualificação da rede. O que for construído nesses três dias não ficará em atas: subsidiará a pactuação da linha de cuidado nas regiões participantes e em todo o Estado, traçando o caminho do Pará rumo a 2030.

Cento e cinquenta profissionais de saúde se reuniram em Belém nesta quarta-feira para discutir um problema que ainda mata e adoece milhares de paraenses: as hepatites virais. O 6º Encontro dos Serviços de Atendimento Especializado (SAEs) em Hepatites Virais abriu suas portas no auditório da Secretaria de Estado de Saúde Pública com um objetivo claro e ambicioso — transformar a forma como o Pará enfrenta essas doenças nos próximos anos.

O encontro, que se estende por três dias, reúne gestores, profissionais de saúde dos 42 SAEs espalhados pelo Estado, representantes do Ministério Público, e até um infectologista do Ministério da Saúde. A programação é dividida em duas frentes: oficinas sobre manejo clínico das hepatites voltadas para profissionais da atenção primária e das prisões nos dias 17 e 18, seguidas de um diálogo com a sociedade civil no dia 19. O tema que une tudo isso é direto: "Prevenção Combinada: o Pará rumo à eliminação das hepatites virais". Não é apenas um encontro de troca de experiências — é um esforço coordenado para alinhar o Estado com a meta global da Organização Mundial da Saúde de eliminar hepatites B e C como problemas de saúde pública até 2030.

Caroline Figueiredo, coordenadora da Coordenação Estadual de Hepatites Virais da Sespa, explica que a iniciativa segue as orientações do Guia de Eliminação das Hepatites Virais no Brasil. Durante esses três dias, os participantes analisarão dados epidemiológicos do Pará, discutirão os resultados de um diagnóstico situacional da rede de saúde, e trabalharão especificamente na ampliação do acesso ao tratamento da hepatite C — doença que hoje conta com medicamentos capazes de alcançar taxas de cura superiores a 95%. A vacinação contra hepatites A e B também está na pauta. Figueiredo ressalta que as propostas contemplam populações vulnerabilizadas, buscando oferecer subsídios concretos para definir como o cuidado será organizado no Estado.

O trabalho já começou a render frutos. Em 2025, a Coordenação Estadual de Hepatites Virais intensificou suas atividades de treinamento e capacitação, qualificando 815 profissionais na rede assistencial — agentes comunitários de saúde, profissionais da atenção primária, equipes dos SAEs e dos Centros Regionais de Saúde. Esse investimento em formação abriu caminho para um projeto piloto de descentralização do tratamento: Ponta de Pedras, um município na zona ribeirinha, passou a oferecer tratamento para hepatite B, atualmente acompanhando três pacientes da zona ribeirinha e um da zona urbana. É um sinal de que o cuidado está chegando mais perto de quem precisa.

Rosiana Nobre, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde, abriu os trabalhos lembrando que o aperfeiçoamento da linha de cuidado para hepatites virais exige esforço permanente entre Ministério da Saúde, Estados, Municípios e sociedade civil. As direções apontam para descentralização e coordenação do cuidado, garantindo que cada pessoa tenha acesso à prevenção, diagnóstico e tratamento de forma equitativa e humanizada. Leonardo Carrara Matsuura, infectologista que atua como consultor técnico da Coordenação-Geral de Vigilância das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, participou do encontro e afirmou que o diálogo promovido permitirá identificar gargalos assistenciais e oportunidades de qualificação da organização da rede no Pará.

Os resultados desses três dias de trabalho não ficarão apenas nas atas. Eles subsidiarão a definição e pactuação da linha de cuidado das hepatites virais nas regiões participantes e em todo o Estado, contribuindo para o fortalecimento da resposta às hepatites virais e para o avanço no alcance das metas de eliminação da hepatite B e C. O Pará está traçando o caminho para 2030.

O aperfeiçoamento da linha de cuidado para as pessoas com hepatites virais comporta um esforço permanente entre o Ministério da Saúde, Estados, Municípios e a sociedade civil
— Rosiana Nobre, diretora do Departamento de Vigilância em Saúde
O diálogo promovido por esse encontro nos permitirá a identificação de gargalos assistenciais e de oportunidades de qualificação da organização da rede de atenção no Pará
— Leonardo Carrara Matsuura, consultor técnico do Ministério da Saúde
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que reunir 150 pessoas especificamente agora? O que mudou?

Model

O Brasil e o mundo estabeleceram uma meta clara: eliminar hepatites B e C como problemas de saúde pública até 2030. O Pará precisa se organizar para isso. Não é mais apenas tratar quem chega doente — é preciso estruturar toda a rede de forma coordenada.

Inventor

Mas hepatite viral não é algo que já sabemos tratar?

Model

Sabemos, sim. A hepatite C tem cura acima de 95% com os medicamentos disponíveis agora. O problema é que muita gente não sabe que tem, não tem acesso ao diagnóstico, ou vive longe de um lugar que oferece tratamento. Por isso o projeto piloto em Ponta de Pedras é importante — leva o tratamento para a zona ribeirinha.

Inventor

E os 815 profissionais treinados em 2025 — isso é muito ou pouco?

Model

É um começo sério. Significa que agentes comunitários, enfermeiros, médicos da atenção primária estão aprendendo a reconhecer hepatite, a orientar prevenção, a encaminhar para tratamento. Mas ainda há gargalos — é por isso que esse encontro existe, para identificar onde a rede está fraca.

Inventor

Qual é o maior desafio que você vê?

Model

A descentralização. Historicamente, o tratamento de hepatite fica concentrado em grandes centros. Levar isso para municípios menores, para a zona ribeirinha, exige logística, capacitação contínua, e garantia de que os medicamentos chegam. É complexo, mas é o caminho.

Inventor

E a sociedade civil — por que está na mesa?

Model

Porque hepatite não é só um problema médico. Afeta populações vulnerabilizadas, pessoas em situação de rua, presidiários. A sociedade civil conhece essas populações, sabe onde estão, como alcançá-las. Sem eles, a rede fica incompleta.

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