Senado dos EUA aprova revogação de tarifas contra Brasil; medida enfrenta obstáculos na Câmara

O que importa é olhar para o futuro. A gente não quer confusão, quer resultado.
Lula após encontro com Trump, sinalizando pragmatismo nas negociações comerciais bilaterais.

Senado dos EUA aprovou revogação de tarifas sobre café, petróleo e suco de laranja impostas ao Brasil desde julho de 2024. Brasil e EUA iniciaram negociações bilaterais; governo brasileiro apresentou dados mostrando superávit americano de US$ 410 bilhões em 15 anos.

  • Senado dos EUA aprovou revogação de tarifas sobre café, petróleo e suco de laranja em 28 de outubro
  • Tarifas estão em vigor desde julho de 2024, após declaração de emergência nacional por Trump
  • Brasil apresentou dados mostrando superávit americano de US$ 410 bilhões em 15 anos
  • Lula e Trump se reuniram por 45 minutos no domingo anterior à votação do Senado

Senado americano aprova projeto revogando tarifas impostas ao Brasil por Trump em produtos como café e petróleo. Medida tem caráter simbólico e segue para Câmara, onde enfrenta obstáculos políticos.

Na noite de terça-feira, o Senado dos Estados Unidos votou a favor de um projeto que revogaria as tarifas impostas ao Brasil pelo governo Trump. Os impostos atingem produtos brasileiros essenciais — petróleo, café, suco de laranja — e estão em vigor desde julho, quando Trump declarou estado de emergência nacional. A votação, porém, é mais gesto político que vitória comercial. O texto segue agora para a Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, onde as regras permitem à liderança bloquear sua tramitação. O senador Tim Kaine descreveu a votação como simbólica, uma expressão de descontentamento com a política tarifária do governo federal e um sinal de abertura para negociações comerciais renovadas.

O timing da aprovação no Senado coincide com um momento de reaproximação entre os dois países. No domingo anterior, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com Trump por aproximadamente 45 minutos — um encontro que marcou o início de um processo de negociação bilateral. No dia seguinte, representantes comerciais de ambas as nações realizaram sua primeira reunião técnica, focando nos setores mais prejudicados pelas tarifas. Lula deixou claro sua postura: "O que importa em uma negociação é olhar para o futuro. A gente não quer confusão, quer resultado."

Durante as conversas, o Brasil apresentou um documento revelador: nos últimos 15 anos, os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 410 bilhões na balança comercial bilateral. O número serve como argumento para a suspensão temporária das tarifas enquanto as negociações prosseguem — uma estratégia que já funcionou com México e Canadá. Trump respondeu aos encontros com cautela, chamando-os de "muito bom", mas advertindo que o entendimento "não garante um acordo imediato".

A delegação brasileira incluiu o chanceler Mauro Vieira, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços Márcio Rosa, e o embaixador Audo Faleiro. O clima foi descrito como cordial, e as discussões resultaram em um calendário de reuniões setoriais. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, ainda não há data marcada para o próximo encontro. Lula reforçou que "não existem temas proibidos" nas tratativas e que o objetivo é garantir condições comerciais equilibradas.

Entidades empresariais — a Confederação Nacional da Indústria, a Câmara Americana de Comércio e outras — saudaram o diálogo como "um avanço concreto" e esperam que um acordo seja fechado nas próximas semanas. O projeto aprovado no Senado, embora enfrente dificuldades na Câmara, abriu espaço para essas conversas mais amplas. O que acontece agora depende menos da votação legislativa e mais da capacidade de Brasil e Estados Unidos encontrarem terreno comum em negociações que ainda estão em seus estágios iniciais.

O que importa em uma negociação é olhar para o futuro. A gente não quer confusão, quer resultado.
— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O encontro foi muito bom, mas não garante um acordo imediato.
— Donald Trump
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o Senado aprovou algo que provavelmente não vai passar na Câmara?

Model

É uma declaração de princípios. Alguns senadores querem sinalizar que discordam da política tarifária de Trump, mesmo que saibam que a Câmara republicana pode bloquear tudo.

Inventor

Então é teatro político?

Model

Não exatamente. É também um sinal para o Brasil de que há apoio legislativo para negociar. Abre espaço para conversas que de outra forma não aconteceriam.

Inventor

O Brasil apresentou dados sobre o superávit americano. Isso muda algo?

Model

Muda a conversa. O Brasil está dizendo: vocês já ganham muito conosco. Por que apertar mais? É um argumento de equilíbrio, não de vitimismo.

Inventor

Lula pediu suspensão temporária das tarifas. Trump vai aceitar?

Model

Trump disse que o encontro foi bom, mas não garante acordo. Ele está deixando em aberto. A próxima rodada de negociações dirá mais.

Inventor

Qual é o risco para o Brasil se isso não avançar?

Model

As tarifas continuam. Café, petróleo, suco de laranja — setores importantes da economia brasileira seguem pagando o preço. Mas pelo menos agora há um canal de diálogo aberto.

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