Senado dos EUA aprova bloqueio às tarifas de Trump para o Brasil

É uma meta muito difícil de alcançar até que eles votem contra o presidente
Senador republicano Rand Paul sobre a dificuldade de convencer colegas a se oporem a Trump nas tarifas.

Numa votação de 52 a 48, o Senado dos Estados Unidos decidiu contestar a autoridade tarifária do presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros — um momento raro em que cinco senadores republicanos se uniram à oposição democrata para questionar os limites do poder executivo. A medida, liderada pelo senador Tim Kaine, invoca o direito do Congresso de rever decisões tomadas sob poderes emergenciais, abrindo uma fissura visível dentro do partido que governa. O episódio revela que a tensão entre soberania legislativa e ambição presidencial raramente permanece silenciosa por muito tempo.

  • Cinco republicanos romperam com Trump numa votação que expôs rachaduras profundas na coesão do partido sobre política comercial.
  • O vice-presidente JD Vance tentou conter a dissidência num almoço fechado com senadores, mas saiu enfrentando críticas sobre um plano de quadruplicar importações de carne bovina argentina.
  • Rand Paul acusou Trump de invocar uma 'emergência fabricada' para usurpar poderes tarifários que, constitucionalmente, pertencem ao Congresso.
  • A medida aprovada segue para a Câmara, onde líderes republicanos já endureceram regras processuais para bloquear votações semelhantes até março.
  • A Suprema Corte deve julgar em breve se Trump extrapolou seus poderes ao impor tarifas unilaterais em escala global, adicionando uma frente judicial à crise.

O Senado dos Estados Unidos votou na terça-feira para bloquear as tarifas impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros. O resultado — 52 a 48 — surpreendeu pela composição: cinco senadores republicanos, entre eles Lisa Murkowski, Susan Collins, Rand Paul, Mitch McConnell e Thom Tillis, cruzaram a linha partidária e se juntaram a todos os democratas. A medida, liderada pelo democrata Tim Kaine, invoca uma lei que permite ao Congresso contestar decisões presidenciais tomadas sob poderes emergenciais.

A votação aconteceu horas depois de o vice-presidente JD Vance se reunir em almoço fechado com senadores republicanos na tentativa de consolidar apoio à administração. Em vez de unidade, Vance encontrou resistência: legisladores de estados agrícolas manifestaram preocupação com um plano do governo para quadruplicar importações de carne bovina da Argentina, temendo prejuízos aos produtores locais.

Rand Paul, um dos autores da resolução, foi enfático ao afirmar que Trump havia ultrapassado seus poderes constitucionais ao reivindicar o direito de impor tarifas unilateralmente, invocando o que chamou de uma 'emergência fabricada'. A divisão no Senado reflete uma inquietação mais ampla no partido, com outros legisladores expressando reservas, embora nem todos dispostos a votar publicamente contra o presidente.

O caminho adiante é incerto. Na Câmara, líderes republicanos já endureceram regras para bloquear votações sobre contestações tarifárias até março. E a Suprema Corte deve em breve julgar se Trump extrapolou seus poderes ao impor tarifas em escala global — uma batalha legal que, somada à resistência no Senado, sugere meses de turbulência para a agenda comercial da Casa Branca.

O Senado dos Estados Unidos votou na terça-feira para bloquear as tarifas que o presidente Donald Trump havia imposto sobre produtos brasileiros. A votação terminou em 52 a 48, com um resultado que surpreendeu pela sua composição: cinco senadores republicanos cruzaram a linha partidária e se juntaram a todos os democratas para derrotar uma peça central da agenda econômica da Casa Branca.

Os republicanos que votaram contra Trump foram Lisa Murkowski, do Alasca; Susan Collins, do Maine; Rand Paul e Mitch McConnell, ambos do Kentucky; e Thom Tillis, da Carolina do Norte. A medida, que agora segue para a Câmara dos Representantes, foi liderada pelo senador democrata Tim Kaine e se baseia em uma lei que permite ao Congresso contestar decisões presidenciais tomadas sob poderes emergenciais. Ao aprovar a resolução, o Senado essencialmente revogaria a autoridade de Trump para manter as tarifas sobre bens brasileiros em vigor.

A votação ocorreu em um contexto de tensão dentro do partido republicano. Na tarde de terça-feira, o vice-presidente JD Vance havia se reunido em almoço fechado com senadores republicanos para tentar consolidar apoio à administração. Mas em vez de conseguir unidade, Vance enfrentou uma onda de críticas de legisladores de estados agrícolas. O motivo da preocupação era um plano que o governo estava considerando para quadruplicar as importações de carne bovina da Argentina — uma medida que produtores de gado nos distritos desses senadores temiam que prejudicasse seus negócios.

Rand Paul, um dos autores da medida que bloqueia as tarifas brasileiras, foi direto em sua crítica. Ele argumentou que Trump havia ultrapassado seus poderes constitucionais ao reivindicar o direito de impor tarifas unilateralmente sobre importações. Para Paul, o presidente havia invocado uma "emergência fabricada" para justificar ações que, na verdade, competem ao Congresso. Quando perguntado sobre seus colegas republicanos que ainda apoiavam Trump, Paul foi cético: "É uma meta muito difícil de alcançar até que eles votem contra o presidente."

A divisão no Senado reflete uma inquietação mais ampla entre republicanos sobre a estratégia tarifária de Trump. Muitos legisladores do partido expressaram reservas sobre as políticas comerciais do presidente, embora nem todos estejam dispostos a votarem contra ele publicamente. A situação deve se intensificar nas próximas semanas. O Senado espera considerar medidas semelhantes para bloquear as tarifas de 35% que Trump impôs sobre produtos canadenses e as tarifas que variam entre 10% e 50% sobre importações de outros países.

Na Câmara, porém, os líderes republicanos já se movimentaram para dificultar o caminho dessas resoluções. Eles endureceram as regras processuais para bloquear votações em plenário sobre contestações tarifárias até março do próximo ano — uma manobra que pode impedir que medidas semelhantes à do Brasil avancem rapidamente.

O futuro das tarifas de Trump também dependerá de uma decisão judicial. A Suprema Corte deve em breve ouvir argumentos sobre se o presidente extrapolou seus poderes ao impor tarifas em escala global. Essa batalha legal, combinada com a resistência no Senado e as preocupações de senadores republicanos sobre os efeitos colaterais das políticas comerciais, sugere que a agenda tarifária de Trump enfrentará obstáculos significativos nos próximos meses.

Trump estava invadindo o poder do Congresso sobre a tributação ao reivindicar o direito unilateral de cobrar impostos de importação, baseando-se em uma emergência fabricada
— Senador Rand Paul
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que cinco republicanos votaram contra seu próprio presidente em uma questão tão central para a agenda dele?

Model

Porque as tarifas têm vítimas reais nos distritos deles. Senadores de estados agrícolas viram seus produtores de gado assustados com a possibilidade de importações em massa de carne argentina. Quando o vice-presidente foi ao Senado pedir unidade, encontrou legisladores preocupados com seus próprias bases eleitorais.

Inventor

Mas isso não é raro? Um presidente de seu próprio partido ser derrotado assim?

Model

Raro, sim. Mas Trump já havia testado os limites do poder presidencial. Rand Paul foi bem claro: Trump estava reivindicando um direito que constitucionalmente pertence ao Congresso. Alguns republicanos decidiram que havia uma linha que não podiam cruzar.

Inventor

E agora a Câmara vai bloquear tudo isso?

Model

Não necessariamente. Os líderes republicanos lá endureceram as regras para impedir votações sobre tarifas até março. É uma manobra para ganhar tempo, talvez para que a pressão diminua ou para que Trump negocie.

Inventor

Qual é o verdadeiro risco aqui para Trump?

Model

A Suprema Corte. Se os juízes decidirem que ele extrapolou seus poderes, toda a estrutura das tarifas desaba. Nesse caso, o voto do Senado seria apenas o começo de uma derrota muito maior.

Inventor

Os democratas conseguiram uma vitória real, então?

Model

Conseguiram um voto, mas não uma vitória completa. A medida ainda precisa passar pela Câmara, onde as regras foram mudadas contra eles. E há ainda a questão de saber se Trump vai simplesmente ignorar o Congresso e deixar que a Suprema Corte decida.

Fale Conosco FAQ