Fé que canta e dança, resistência que não será calada
Em um gesto que atravessa séculos de resistência cultural, o Senado Federal brasileiro aprovou a criação do Dia Nacional dos Congadeiros e Reinadeiros, a ser celebrado em 7 de outubro. A decisão, tomada em caráter terminativo pela Comissão de Educação e Cultura, reconhece o Congado e o Reinado como expressões vivas da herança afro-brasileira — tradições que sobreviveram à opressão e seguem animando ruas, especialmente em Minas Gerais. O projeto aguarda apenas a sanção presidencial para transformar uma data do calendário em afirmação oficial de que essa memória pertence à identidade do país.
- Congadeiros e congadeiras do Triângulo Mineiro viajaram até Brasília para testemunhar, das galerias do Senado, o reconhecimento de uma tradição que carregam no corpo e na fé.
- A aprovação terminativa na comissão eliminou a necessidade de votação em plenário, acelerando significativamente o caminho até a sanção do presidente Lula.
- A deputada Dandara, autora do projeto, alertou que a data é também resposta política àqueles que tentam silenciar o Congado nas ruas e nas câmaras municipais.
- O 7 de outubro passa a carregar duplo peso: celebração cultural e afirmação de que as contribuições históricas do povo negro à identidade brasileira merecem reconhecimento oficial.
- Com a sanção presidencial pendente, o Brasil está a um passo de ter um dia inteiro dedicado a honrar quem mantém vivos os tambores, os desfiles e a memória ancestral afro-brasileira.
Na manhã de terça-feira, o Senado Federal aprovou o projeto que institui o Dia Nacional dos Congadeiros e Reinadeiros, celebrado em 7 de outubro. A votação ocorreu na Comissão de Educação e Cultura, com parecer favorável do senador Paulo Paim, do PT gaúcho. Por ser uma aprovação terminativa, o projeto não precisa passar pelo plenário — seguindo diretamente para a sanção do presidente Lula.
A proposta é de autoria da deputada federal Dandara, do PT de Minas Gerais, e tem um objetivo que parece simples mas carrega peso histórico: reconhecer nacionalmente o Congado e o Reinado como expressões culturais e religiosas de matriz afro-brasileira. Essas manifestações têm raízes profundas em Minas Gerais — em Uberlândia, o Congado é patrimônio cultural imaterial do município — e seus desfiles de ternos ocorrem com maior frequência entre julho e outubro, transformando as ruas em espaço de fé, música e dança.
Para marcar o momento, congadeiros e congadeiras do Triângulo Mineiro estiveram presentes nas galerias do Senado durante a votação — testemunho vivo daquilo que o projeto busca proteger. Dandara descreveu o Congado como fé que canta e dança, resistência negra que sobreviveu por séculos a opressões e preconceitos. Para ela, a data aprovada é resposta direta a quem tenta silenciar essas expressões. Os tambores, afirmou, não serão calados.
Mais do que folclore, a criação dessa data reforça as contribuições históricas do povo negro à identidade nacional e reconhece oficialmente que essas tradições são práticas vivas — não relíquias. O 7 de outubro passa a ser, ao mesmo tempo, celebração e afirmação política. Quando Lula assinar, o Brasil terá um dia dedicado a honrar quem dança, toca os tambores e passa adiante a memória e a fé.
Na terça-feira pela manhã, o Senado Federal selou uma vitória que vinha sendo perseguida há tempo: aprovou o projeto que institui o Dia Nacional dos Congadeiros e Reinadeiros, a ser celebrado todo 7 de outubro. A votação aconteceu na Comissão de Educação e Cultura, com parecer favorável do senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul. O que torna a aprovação particularmente significativa é que ela foi terminativa — ou seja, não precisa passar pelo plenário inteiro, acelerando o caminho até a mesa do presidente Lula para sanção.
O projeto nasceu da deputada federal Dandara, do PT de Minas Gerais, e busca fazer algo que parece simples mas carrega peso histórico: reconhecer nacionalmente o Congado e o Reinado como expressões culturais e religiosas de matriz afro-brasileira. Essas manifestações estão vivas em várias regiões do país, mas têm raízes particularmente profundas em Minas Gerais — especialmente em Uberlândia, onde o Congado é considerado patrimônio cultural imaterial do município. Os desfiles dos chamados ternos, grupos que compõem a celebração, ocorrem com maior frequência entre julho e outubro, transformando as ruas em espaço de fé, música e dança.
Para marcar a importância do momento, congadeiros e congadeiras do Triângulo Mineiro viajaram até Brasília. Sua presença nas galerias do Senado enquanto a votação acontecia não era apenas simbólica — era testemunho vivo daquilo que o projeto buscava proteger e honrar. Dandara, após a aprovação, não deixou dúvidas sobre o que estava em jogo. Descreveu o Congado como fé que canta e dança, como manifestação negra de ancestralidade que resistiu por séculos a opressões, preconceitos e ataques. Para ela, a data aprovada agora funciona como resposta clara àqueles que tentam silenciar essas expressões nas ruas ou nas câmaras municipais. Os tambores, disse, não serão calados.
O que a deputada estava nomeando é algo que vai além de folclore ou curiosidade cultural. A criação dessa data reforça as contribuições históricas do povo negro para a formação da identidade nacional brasileira. Marca, também, um reconhecimento oficial de que essas tradições não são relíquias do passado — são práticas vivas, resistência contínua, memória encarnada. O 7 de outubro agora carrega esse peso: é data de celebração, mas também de afirmação política.
Com a aprovação na comissão, o projeto segue seu caminho final. Lula precisa assinar para que entre em vigor. Quando isso acontecer, o Brasil terá um dia inteiro dedicado a honrar aqueles que mantêm vivas essas tradições, que dançam nos desfiles, que tocam os tambores, que passam adiante a memória e a fé. Será um marco que diz, oficialmente, que essa história importa.
Citações Notáveis
O Congado é a fé que canta e dança. É uma manifestação negra de ancestralidade viva que resiste há séculos a opressões, preconceitos e ataques.— Deputada Dandara (PT-MG)
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que o 7 de outubro especificamente? Há algo nessa data que conecta com o Congado?
Sim. O Congado tem suas celebrações mais intensas entre julho e outubro, então outubro é naturalmente o mês em que essas manifestações ganham força nas ruas. Escolher o 7 é uma forma de marcar o pico dessa tradição no calendário nacional.
A aprovação foi terminativa, o que significa que não precisou ir ao plenário inteiro. Isso acelera as coisas, mas também significa menos debate público, não?
Verdade. A aprovação terminativa é mais rápida, mas neste caso reflete também que havia consenso na comissão. Não havia oposição organizada — o que pode dizer algo sobre como essa pauta conquistou apoio.
Dandara falou em "não calarão os nossos tambores". Isso sugere que há pressão contra essas manifestações?
Há. Ela está nomeando algo real: tentativas de silenciar ou deslegitimar essas expressões em câmaras municipais, em espaços públicos. O Congado é fé, mas também é política — é afirmação de identidade negra em um país que historicamente tentou apagar isso.
Uberlândia aparece várias vezes no texto. Por que essa cidade é tão central?
Uberlândia é o coração do Congado no Brasil contemporâneo. Lá a tradição não é apenas preservada — é vivida, transmitida, reinventada a cada ano. É onde o Congado tem presença mais forte e contínua, então faz sentido que os congadeiros de lá tenham viajado a Brasília para defender o projeto.
Quando Lula assinar, o que muda na prática?
Muda o status. Deixa de ser apenas uma tradição local ou regional e vira reconhecimento federal. Significa que o Estado brasileiro está dizendo: isso importa, isso é nosso, isso merece ser celebrado. É simbólico, mas símbolos têm poder.