Copom reduz Selic para 14,5% com cautela diante de incertezas externas

Serenidade e cautela na condução da política monetária
O Banco Central reafirma sua postura diante de incertezas externas crescentes e conflitos no Oriente Médio.

Terceira redução consecutiva de 0,25 pp na Selic, decisão unânime do Copom, mas sem sinalização clara para próxima reunião em junho. Inflação estimada sobe para 4,6% em 2026, acima do teto de 4,5%, pressionada por conflitos no Oriente Médio e cenário externo incerto.

  • Selic reduzida para 14,50% ao ano, terceira redução consecutiva de 0,25 ponto percentual
  • Inflação estimada para 2026 sobe para 4,6%, acima do teto de 4,5%
  • Mercado projeta Selic em 13% ao fim de 2026
  • Decisão do Copom foi unânime, mas sem sinalização clara para junho

O Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual para 14,50% ao ano, mantendo cautela diante de incertezas externas e inflação acima da meta.

O Banco Central cortou a taxa básica de juros em um quarto de ponto percentual na quarta reunião do Comitê de Política Monetária deste ano, levando a Selic para 14,50% ao ano. A decisão foi unânime, mas o comunicado que se seguiu trouxe mais perguntas do que respostas. O Copom não indicou qual será o próximo passo em junho, deixando o mercado em suspenso. Em vez disso, a diretoria do banco central preferiu falar em "serenidade" e "cautela", palavras que ecoam a preocupação crescente com o que acontece fora das fronteiras brasileiras.

O conflito no Oriente Médio pesou nas contas. O Banco Central revisou suas projeções para a inflação deste ano de 3,9% para 4,6%, ultrapassando o teto da meta de 4,5%. Para o último trimestre de 2027, o horizonte que o Copom monitora com mais atenção, a inflação acumulada em quatro trimestres subiu de 3,3% para 3,5%. Enquanto isso, nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve seus juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, sinalizando que não há pressa em mexer. O Senado americano, aliás, aprovou Kevin Warsh como novo presidente do Fed, substituindo Jerome Powell.

O corte de 0,25 ponto percentual foi a terceira redução consecutiva no mesmo tamanho, e o mercado esperava por isso. Mas a cautela que permeia o comunicado do Banco Central sugere que o ritmo pode não ser mantido por muito tempo. Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, observa que o BC ainda vê a inflação como "relativamente comportada", o que justifica continuar reduzindo. Ele aposta que a Selic chegará a 13% ao fim do ano. Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, concorda que o próximo corte provavelmente será do mesmo tamanho, mas avisa que o tom mais cauteloso do comunicado aponta para uma Selic mais alta no fim de 2026 do que se imaginava antes.

O setor produtivo, porém, não celebra. A taxa Selic segue em patamar que restringe a atividade econômica, prejudicando investimentos e a competitividade industrial. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro criticou o ritmo "inferior ao esperado" dos cortes, argumentando que o ambiente global desafiador e a falta de fundamentos macroeconômicos robustos exigem mais agilidade. A entidade pediu que o governo fortaleça o arcabouço fiscal e aumente a previsibilidade das políticas públicas para que a economia consiga absorver choques externos sem penalizar o crescimento de longo prazo.

Para a Confederação Nacional da Indústria, o corte é simplesmente insuficiente. Ricardo Alban, presidente da CNI, chamou atenção para o fato de que o custo do capital continua em nível "proibitivo", inviabilizando projetos que poderiam ampliar a competitividade. Ao mesmo tempo, o endividamento de empresas e famílias bate recorde mês após mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia. A mediana das projeções do mercado para a Selic no fim de 2026 é de 13% ao ano, mas a questão agora é se o Banco Central conseguirá chegar lá sem que novas incertezas externas forcem uma pausa ou até uma reversão no caminho.

A discussão toda, agora, pela frente, será o ponto final para os juros neste ano. Acredito que a Selic em 13% é a taxa mais provável
— Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados
O corte de 0,25 ponto percentual é insuficiente e piora o endividamento das empresas e das famílias. O custo do capital continuará em um nível proibitivo
— Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o Banco Central não sinalizou claramente o que fará em junho?

Model

Porque há muita incerteza no horizonte. O conflito no Oriente Médio está afetando as projeções de inflação, e o BC prefere manter as mãos livres para reagir conforme novas informações chegarem.

Inventor

A inflação subiu nas projeções. Isso não deveria fazer o Banco Central parar de cortar?

Model

Deveria, mas o BC ainda vê a inflação como controlável. O problema é que ela está acima da meta, e isso limita quanto o banco pode continuar reduzindo sem perder credibilidade.

Inventor

O que o mercado espera para o fim do ano?

Model

A maioria aposta em uma Selic em torno de 13%. Mas isso depende de como o cenário externo evolui. Se as tensões geopolíticas piorarem, o BC pode ter que parar antes.

Inventor

Por que a indústria está insatisfeita se os juros estão caindo?

Model

Porque caem muito lentamente. A 14,5%, a taxa ainda é restritiva demais para investimentos produtivos. As empresas estão endividadas e precisam de juros mais baixos para respirar.

Inventor

O que mudaria se o governo tivesse um arcabouço fiscal mais forte?

Model

Tudo. Com confiança na sustentabilidade das contas públicas, o Banco Central poderia cortar mais agressivamente sem temer que a inflação saia do controle. A indústria poderia investir com mais segurança.

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