Sem Butantan-DV, Qdenga e Dengvaxia seguem como opções contra dengue

42 casos com sintomas graves registrados após vacinação com Butantan-DV, incluindo dois óbitos, motivando investigação do Ministério da Saúde.
A dengue permanece como a maior endemia nacional
Apesar da queda recente em casos, o Brasil continua enfrentando a doença como seu principal problema de saúde pública.

Num país onde a dengue persiste como a maior endemia nacional, a suspensão temporária da Butantan-DV após 42 casos com sintomas graves — incluindo dois óbitos — não deixa a população sem alternativas: Qdenga e Dengvaxia seguem disponíveis, lembrando que a proteção coletiva raramente depende de um único caminho, mas da capacidade de manter múltiplas rotas abertas enquanto a ciência investiga o desconhecido.

  • A suspensão da Butantan-DV criou alarme público após 42 casos com sintomas graves e dois óbitos registrados entre vacinados, mesmo sem confirmação de causalidade.
  • Mais de 500 mil doses já haviam sido aplicadas quando o Ministério da Saúde decretou a pausa em maio, interrompendo uma campanha que havia começado apenas em janeiro.
  • Um dado intrigante tensiona a investigação: os casos graves ocorreram exclusivamente entre profissionais de saúde vacinados, e não nas cidades onde a imunização foi ampliada para o público geral.
  • Qdenga e Dengvaxia continuam em uso, mas a capacidade de produção da Qdenga ainda é insuficiente para cobrir a demanda de um país que enfrenta a maior endemia de dengue do mundo.
  • O Brasil segue em estado de vigilância dupla — contra o vírus nas ruas e contra os sinais adversos que ainda aguardam explicação científica.

O Brasil não ficou desprotegido contra a dengue após a suspensão temporária da vacina do Instituto Butantan. Duas alternativas permanecem disponíveis: a Qdenga, do laboratório Takeda, aprovada pela Anvisa em março de 2023 e já com cerca de 8 milhões de doses aplicadas no país; e a Dengvaxia, da Sanofi, primeira vacina contra dengue aprovada no Brasil, em 2015. A Qdenga pode ser usada por pessoas de 4 a 60 anos, independentemente de infecção anterior, mas no SUS está restrita a crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. A Dengvaxia, disponível apenas na rede privada, exige comprovação de infecção prévia e é indicada para pessoas de 9 a 45 anos.

A decisão de pausar a Butantan-DV veio após o registro de 42 casos com sintomas preocupantes — dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos —, três deles classificados como graves, com dois óbitos. As investigações do Ministério da Saúde ainda estão em curso e não confirmam relação direta com a vacina. Um elemento chama atenção: todos os casos graves ocorreram entre profissionais de saúde vacinados na fase inicial da campanha, e não nas cidades onde a imunização foi posteriormente ampliada para a população geral.

Nos ensaios clínicos, a Butantan-DV havia demonstrado eficácia de 65% no geral e de 80,5% na prevenção de casos graves, sem que os sintomas agora investigados fossem detectados. Apesar da queda recente nos casos prováveis de dengue, a doença permanece como a maior endemia nacional — e a capacidade de produção da Qdenga ainda não é suficiente para atender à demanda do país, tornando urgente tanto a resolução das investigações quanto a expansão da oferta vacinal.

O Brasil segue com opções de proteção contra a dengue mesmo após o Ministério da Saúde interromper temporariamente o uso da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. Duas alternativas com eficácia comprovada continuam disponíveis nas redes pública e privada: a Qdenga, do laboratório japonês Takeda, e a Dengvaxia, do francês Sanofi.

A Qdenga recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária em março de 2023 e é administrada em duas doses. Pode ser aplicada em pessoas de quatro a 60 anos, independentemente de infecção anterior por dengue. No Sistema Único de Saúde, porém, seu uso está restrito a crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. Desde sua chegada ao país, cerca de 8 milhões de doses foram aplicadas, com impactos visíveis no controle da doença. Apesar de o Ministério da Saúde ter adquirido toda a produção disponibilizada pelo fabricante, a capacidade de manufatura ainda não consegue atender à demanda nacional.

A Dengvaxia, por sua vez, foi a primeira vacina contra dengue aprovada pela Anvisa, em dezembro de 2015. Indicada para pessoas de nove a 45 anos que já tiveram a doença, está disponível apenas na rede privada e requer comprovação de infecção prévia pelo vírus. Sua aplicação segue um esquema de três doses.

A decisão de pausar a Butantan-DV veio após o registro de 42 casos com sintomas preocupantes: dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Três desses casos foram classificados como graves, incluindo dois óbitos. Mais de 500 mil doses haviam sido aplicadas até maio, quando a suspensão foi decretada. O Ministério da Saúde ressalva que as investigações ainda estão em andamento e não há conclusão sobre uma possível relação entre os casos e a vacina.

A campanha com a Butantan-DV começou em janeiro deste ano, inicialmente direcionada a profissionais da Atenção Primária à Saúde. Depois foi ampliada para a população de 15 a 49 anos em Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e na região de Araguaína (TO). Um detalhe relevante: os casos graves não ocorreram nas localidades onde a vacinação foi expandida para o público geral, apenas entre os profissionais de saúde.

Nos ensaios clínicos, a Butantan-DV demonstrou eficácia geral de 65% e de 80,5% na prevenção de casos graves. Durante a fase de pesquisa, os sintomas adversos agora investigados não foram detectados. O país registra queda nos casos prováveis de dengue nos últimos meses, mas a doença permanece como a maior endemia nacional, mantendo a urgência da proteção vacinal mesmo enquanto as autoridades trabalham para esclarecer o que aconteceu com a vacina do Butantan.

Ainda não há conclusão sobre uma possível correlação entre os casos e a vacina, e as investigações continuam
— Ministério da Saúde
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o Ministério da Saúde decidiu pausar a Butantan-DV se os testes clínicos não mostraram esses sintomas?

Model

Porque 42 pessoas reais começaram a apresentar sintomas graves após a vacinação em massa. Nos testes, você controla muitas variáveis. Na vida real, você tem milhões de pessoas diferentes, com históricos de saúde diferentes. Às vezes as coisas aparecem depois.

Inventor

Mas eles ainda não sabem se foi a vacina que causou isso?

Model

Exatamente. É por isso que é uma pausa temporária, não um cancelamento. Eles precisam investigar. Pode ter sido coincidência, pode ter sido a vacina, pode ter sido outra coisa. Mas você não pode ignorar 42 casos e dois óbitos.

Inventor

E as outras vacinas? Elas têm o mesmo problema?

Model

Não há relatos assim com a Qdenga ou a Dengvaxia. A Qdenga já tem 8 milhões de doses aplicadas no Brasil sem esse tipo de sinal. A Dengvaxia está há mais de dez anos no mercado. Mas a Qdenga tem um problema diferente: não há doses suficientes para todo mundo que quer.

Inventor

Então o Brasil está em falta de vacina?

Model

Está em falta de capacidade de produção. O Ministério comprou tudo que a Takeda consegue fazer, mas a demanda é maior. Enquanto isso, a dengue continua sendo a maior endemia do país.

Inventor

Qual é o próximo passo?

Model

Esperar pelas investigações da Butantan-DV. Se descobrirem que foi realmente a vacina, precisam entender por quê. Se descobrirem que foi coincidência, ela volta. Enquanto isso, quem pode pagar usa a Dengvaxia na rede privada, e quem depende do SUS fica com a Qdenga, mas com doses limitadas.

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