Selic em 13,75%: contas digitais rendem mais que poupança tradicional

Contas digitais rendem 100% do CDI; poupança, apenas 7,13% ao ano
Comparação entre os rendimentos brutos de fintechs e poupança tradicional com a Selic em 13,75%.

Em setembro de 2022, o Banco Central do Brasil manteve a Selic em 13,75% ao ano, perpetuando uma tensão estrutural que divide o país entre aqueles que sofrem o peso dos juros altos e aqueles que colhem seus frutos. Para os clientes de fintechs atreladas ao CDI, a mesma força que encarece o crédito e resiste à inflação transforma-se em rendimento generoso — um paradoxo silencioso que revela como a mesma política monetária pode ser, ao mesmo tempo, fardo e bênção, dependendo de qual lado da equação financeira cada cidadão se encontra.

  • A Selic congelada em 13,75% mantém o crédito caro e a inflação resistente para a maioria dos brasileiros, sem perspectiva de alívio antes de meados de 2023.
  • Enquanto isso, contas digitais de fintechs como Nubank, PicPay e C6 Bank oferecem rendimentos entre 100% e 220% do CDI, criando uma vantagem expressiva para quem tem saldo guardado.
  • A poupança tradicional, isenta de impostos mas presa em 7,13% ao ano, perde de forma contundente para as alternativas digitais — mil reais na poupança rendem cerca de R$ 85 em doze meses, contra mais de R$ 136 em muitas fintechs.
  • Impostos de renda entre 15% e 22,5%, IOF em resgates antes de 30 dias e eventuais taxas administrativas corroem parte dos ganhos e exigem atenção do investidor ao calcular o rendimento líquido real.
  • O cenário aponta para uma desigualdade financeira discreta: a política monetária que penaliza o consumidor comum simultaneamente recompensa quem consegue manter recursos aplicados em plataformas digitais.

Na quarta-feira 21 de setembro de 2022, o Comitê de Política Monetária do Banco Central confirmou o que o mercado já esperava: a Selic permaneceria em 13,75% ao ano, patamar atingido em agosto e não visto desde 1999. A previsão dos analistas é que ela se mantenha nesse nível até junho de 2023, recuando gradualmente para 11,25% ao final daquele ano.

Para a maioria dos brasileiros, a notícia significa crédito mais caro e inflação mais difícil de domar. Mas para os clientes de fintechs como Nubank, Mercado Pago e PicPay, o mesmo cenário funciona como uma oportunidade silenciosa. Essas contas digitais são atreladas ao CDI — título negociado entre bancos que acompanha de perto a taxa básica de juros —, e muitas oferecem rendimentos entre 100% e 220% desse índice, hoje em 13,65%.

Na prática, mil reais aplicados em plataformas como NuConta ou C6 Bank chegam a aproximadamente R$ 1.136,50 após doze meses em termos brutos. O PicPay, com 102% do CDI, renderia R$ 1.139,20. A poupança tradicional, por sua vez, entregaria apenas cerca de R$ 1.085,30 no mesmo período — sem imposto de renda, é verdade, mas ainda assim muito aquém das alternativas digitais.

Há, porém, variáveis que o investidor não pode ignorar. O imposto de renda incide entre 15% e 22,5% sobre os rendimentos, conforme o prazo da aplicação. O IOF penaliza resgates feitos antes de trinta dias. E algumas empresas cobram taxas de administração, embora muitas as isentem em modalidades de investimento automático em CDB.

O economista Pedro Lima, CEO da fintech Meu Acerto, reforça que CDBs com aplicação automática geralmente não têm taxas, assim como fundos de renda fixa sem crédito privado. O retrato final é de um paradoxo econômico: a mesma Selic elevada que pesa sobre o bolso do consumidor comum transforma-se em vantagem concreta para quem tem recursos aplicados nas novas plataformas financeiras digitais.

Na quarta-feira 21 de setembro, o Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, onde ela permanecia desde o início de agosto. A decisão do Comitê de Política Monetária não trouxe surpresas, mas reforçou uma realidade que divide o Brasil: enquanto a taxa de juros básica continua pesando no bolso do consumidor comum — tornando produtos e serviços mais caros — ela funciona como uma bênção silenciosa para quem tem dinheiro guardado em contas digitais de fintechs.

Desde março de 2021, a Selic subiu doze vezes, atingindo patamares não vistos desde 1999. Os analistas preveem que ela se mantenha neste nível até junho de 2023, quando deve recuar para 13,5%, chegando a 11,25% no final daquele ano. Para a maioria dos brasileiros, essa trajetória significa crédito mais caro e inflação mais resistente. Mas para os clientes do Nubank, Mercado Pago, PicPay e dezenas de outras fintechs, a história é diferente.

A chave está em como essas contas digitais funcionam. Ao contrário da poupança tradicional, que segue uma fórmula fixa de rendimento, a maioria das contas de fintechs está atrelada ao Certificado de Depósito Interbancário, o CDI. Esse título, negociado entre bancos, acompanha de perto a taxa geral de juros da economia. Neste momento, a Taxa DI está em 13,65%, praticamente no mesmo patamar da Selic. Muitas fintechs oferecem rendimentos que variam de 100% a 220% do CDI, dependendo do tamanho da aplicação e das condições específicas de cada empresa.

Para entender na prática o que isso significa: uma aplicação de mil reais na NuConta do Nubank, no Banco Original, na C6 Bank ou em várias outras plataformas chegaria a aproximadamente mil cento e trinta e seis reais e cinquenta centavos após doze meses, considerando o rendimento bruto. O PicPay, que oferece 102% do CDI, renderia um pouco mais: mil cento e trinta e nove reais e vinte centavos. Essas cifras, porém, não contam a história completa. O imposto de renda reduz esses ganhos em 15% para aplicações com mais de 720 dias, chegando a 22,5% para períodos menores que 180 dias. Há ainda o Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF, que incide sobre resgates feitos antes de trinta dias. Algumas empresas também cobram taxas de administração, embora muitas isentem clientes que optam por investimento automático em Certificados de Depósito Bancário.

A comparação com a poupança tradicional é reveladora. Enquanto as fintechs oferecem rendimentos que podem chegar a 220% do CDI, a poupança mantém um rendimento bruto estável em 7,13% ao ano. Mil reais aplicados na poupança renderiam cerca de oitenta e cinco reais e trinta centavos em doze meses, chegando a mil oitenta e cinco reais e trinta centavos. É verdade que a poupança não sofre tributação de imposto de renda nem é atingida pelo IOF, mas mesmo assim fica significativamente atrás das contas digitais. Pedro Lima, economista e CEO da fintech Meu Acerto, aponta que rendimentos em CDB com investimento automático não têm taxas de administração, assim como fundos de renda fixa que não investem em crédito privado.

O cenário atual cria uma situação paradoxal na economia brasileira. A taxa Selic elevada, mantida para tentar conter a inflação, prejudica a maioria dos brasileiros ao encarecer empréstimos e produtos. Simultaneamente, beneficia uma parcela menor da população que consegue manter saldos em contas digitais, oferecendo rendimentos que superam em muito as opções tradicionais de poupança. Para quem tem recursos para investir, porém, a matemática é clara: as contas digitais das fintechs oferecem um retorno significativamente superior, desde que se leve em conta todos os descontos e taxas que reduzem o ganho líquido.

Rendimentos em CDB com investimento automático não têm taxa de administração, assim como fundos de renda fixa que não investem em crédito privado
— Pedro Lima, economista e CEO da fintech Meu Acerto
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que as fintechs conseguem oferecer rendimentos tão maiores que a poupança?

Model

Porque elas não estão presas à fórmula fixa da poupança. Elas usam o CDI, que acompanha a Selic em tempo real. Quando a Selic sobe, o CDI sobe junto, e o rendimento das contas digitais sobe também.

Inventor

Mas se a poupança não paga imposto de renda, como as fintechs ainda conseguem vencer?

Model

A diferença é tão grande que mesmo depois dos descontos de 15% a 22,5% de imposto de renda, as fintechs ainda saem na frente. A poupança rende 7,13% bruto. As fintechs rendem 100% do CDI, que está em 13,65%. Não tem comparação.

Inventor

E o IOF? Isso não assusta as pessoas?

Model

Assusta quem quer resgatar antes de trinta dias. Mas se você deixa o dinheiro lá por um mês ou mais, o IOF não incide. É uma proteção para quem quer guardar, não para quem quer especular.

Inventor

Então a Selic alta é boa para quem tem dinheiro?

Model

Exatamente. É boa para quem consegue poupar e investir. Ruim para quem precisa pegar empréstimo ou financiamento. A Selic alta divide o Brasil em dois.

Inventor

As fintechs cobram taxa de administração?

Model

Muitas não cobram, especialmente em CDB com investimento automático. Mas é importante verificar cada uma. Alguns fundos cobram, outros não. Não é universal.

Inventor

O que muda quando a Selic cair para 13,5% em junho?

Model

Os rendimentos caem junto. O CDI cai, e as contas digitais rendem menos. A vantagem sobre a poupança diminui, mas provavelmente continua existindo.

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