Se pensam que vão voltar, estão enganados: a Rio Branco de hoje não retrocederá
Jorge Viana criticou Rio Branco em vídeo de aniversário, mencionando 'tempos difíceis' e 'desamor' com a cidade durante crise de enchentes. Prefeitura abriu quatro escolas para acolher desabrigados, atendendo 146 pessoas em 43 famílias afetadas pelas cheias dos igarapés e Rio Acre.
- Jorge Viana criticou Rio Branco em vídeo de aniversário, mencionando 'tempos difíceis' e 'desamor'
- Prefeitura abriu quatro escolas municipais para acolher desabrigados
- 146 pessoas em 43 famílias estão sendo atendidas nos abrigos temporários
- Enchentes dos igarapés e Rio Acre causaram desabrigamento em massa
João Marcos Luz, secretário municipal de Rio Branco, rebateu críticas do presidente da ApexBrasil Jorge Viana sobre a situação da cidade, afirmando que a gestão não retrocederá.
No domingo, 28 de dezembro, João Marcos Luz, secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos de Rio Branco, publicou uma resposta contundente nas redes sociais. Seu alvo era Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, que havia divulgado um vídeo no aniversário da capital acreana criticando duramente a situação da cidade. Viana havia falado em "tempos difíceis" e acusado a gestão atual de "mau gosto" e "desamor" com Rio Branco — palavras que repercutiram entre membros da administração municipal em um momento particularmente sensível.
A cidade enfrentava então os impactos devastadores das cheias dos igarapés e do Rio Acre. Famílias inteiras haviam perdido suas casas, e a prefeitura acionara seus recursos de emergência. Foi nesse contexto que Viana escolheu fazer suas críticas públicas, o que Luz interpretou como inadequado e desrespeitoso com a população que sofria.
Na publicação, Luz destacou as ações concretas da prefeitura no enfrentamento à crise. A administração municipal havia aberto quatro escolas para servir como abrigos temporários. Até aquele momento, 146 pessoas distribuídas em 43 famílias estavam sendo acolhidas nessas unidades, recebendo assistência enquanto suas casas permaneciam inundadas ou inacessíveis. Eram números que falavam por si: não se tratava de inação, mas de mobilização.
O secretário foi direto em sua resposta a Viana: "Se pensam que vão voltar, estão enganados: a Rio Branco de hoje não retrocederá." A frase carregava uma mensagem dupla — tanto uma rejeição às críticas quanto uma afirmação de que a gestão atual não abandonaria seu rumo. Para Luz, as críticas representavam "ingratidão e desrespeito" com eleitores que haviam escolhido seus representantes de forma legítima nas urnas.
Luz também contextualizou as dificuldades presentes. Segundo ele, muitos dos problemas que Rio Branco enfrentava naquele momento eram herança de gestões anteriores — uma acusação comum em disputas políticas, mas que ganhava peso quando a cidade estava literalmente sob água. A administração municipal, argumentava, seguia trabalhando para garantir assistência contínua às famílias atingidas e manter as operações da prefeitura durante o período crítico de cheia.
O que emergiu dessa troca foi um retrato de uma cidade dividida politicamente enquanto enfrentava uma crise humanitária. De um lado, Viana falava de "tempos difíceis" e questionava a competência da gestão. Do outro, Luz apontava para escolas abertas, famílias abrigadas, pessoas sendo atendidas. A disputa não era apenas sobre números ou políticas — era sobre narrativa, sobre quem tinha o direito de falar sobre o sofrimento alheio e com que autoridade.
Citações Notáveis
As críticas representam ingratidão e desrespeito com a população que escolheu seus representantes de forma legítima— João Marcos Luz, secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que Marcos Luz respondeu justamente neste momento, com a cidade ainda enfrentando as enchentes?
Porque as críticas de Viana chegaram num ponto onde a população estava vulnerável. Quando você está desabrigado, ouve alguém dizer que sua cidade vive "tempos difíceis" e "desamor" — isso não é análise, é uma ferida aberta.
Mas Viana não estava completamente errado sobre a situação ser difícil, estava?
Não. A situação era difícil mesmo. Mas havia uma diferença entre reconhecer a dificuldade e usá-la como arma política. Luz estava dizendo: sim, é difícil, mas olhem o que estamos fazendo — quatro escolas abertas, 146 pessoas abrigadas.
Essa frase "Se pensam que vão voltar, estão enganados" — volta quem? Viana ao poder?
Provavelmente. Viana foi governador, tem histórico político. Luz estava dizendo que não há volta para um modelo anterior. Que a Rio Branco atual, mesmo em crise, não vai recuar.
E quanto à acusação de que os problemas vêm de gestões anteriores?
É um argumento clássico, mas não é sem fundamento. Quando você herda uma cidade com infraestrutura frágil, as enchentes expõem tudo isso. Luz estava tentando separar o que é responsabilidade dele do que é estrutural.
O que mais chama atenção é que 146 pessoas estão em escolas. Isso é sucesso ou fracasso?
É ambos. Sucesso porque a prefeitura mobilizou recursos rápido. Fracasso porque 146 pessoas perderam suas casas. Luz estava usando os números para dizer: "Estamos fazendo o que pode ser feito." Viana estava usando a mesma realidade para dizer: "Não deveria estar acontecendo."