Em São Paulo, o tempo e a energia que os vínculos afetivos exigem são devorados pela velocidade da própria cidade — o trânsito, o trabalho sem fim e a promessa perpétua de algo melhor na tela do celular. O psicanalista Christian Dunker nomeia esse fenômeno de 'amores vaporosos': relações que não chegam a se solidificar, dissolvendo-se no ar antes de deixar rastro. A metrópole, paradoxalmente, é ao mesmo tempo o ambiente mais hostil ao amor duradouro e o mais fértil para formas de afeto que em cidades menores sequer encontrariam espaço para existir.