Desistência formal marca fim de negociação entre Ultra e Rumo
No ritmo contínuo da vida corporativa brasileira, grandes empresas ajustam trajetórias, comunicam resultados e redistribuem capital — gestos que, somados, revelam o estado de saúde e as apostas estratégicas de um mercado em permanente reconfiguração. Do Santander ao Banco do Brasil, da Cogna à Petrobras, cada movimento reflete escolhas sobre risco, crescimento e responsabilidade com acionistas e com o país.
- O Grupo Ultra surpreende ao desistir formalmente da compra da Rumo, encerrando uma negociação que movimentou o mercado de logística e deixa a Cosan a reiterar seu foco em desalavancagem.
- A família Coelho Diniz consolida poder no GPA ao atingir 25,10% das ações ordinárias, sinalizando uma concentração de influência que pode redesenhar a governança do grupo varejista.
- A Cogna avança sobre a Educbank, elevando sua participação para 90% e apostando na digitalização financeira do setor educacional como vetor de crescimento.
- O TCU aprova novo cronograma para o Banco do Brasil devolver R$ 4,1 bilhões em instrumento híbrido, aliviando pressões de capital no curto prazo e preservando pontos essenciais de capital principal.
- Uma semana densa de pagamentos de proventos — de Itaú a Cemig, de Bradesco a Log — confirma que o mercado brasileiro segue distribuindo resultados mesmo em meio a incertezas macroeconômicas.
O Banco Santander Brasil anunciou que divulgará seus resultados do segundo trimestre de 2026 no dia 29 de julho. Sua controladora europeia publicará os números consolidados do grupo uma semana antes, em 22 de julho. O banco brasileiro fez questão de alertar que os dados sobre suas operações presentes no relatório da matriz obedecem a critérios contábeis internacionais, não comparáveis diretamente aos seus próprios demonstrativos.
No campo das aquisições, o Grupo Ultra comunicou formalmente ao BTG Pactual — banco que coordenava o processo — sua desistência da compra da Rumo. A Cosan, controladora da ferrovia, havia declarado em maio não haver decisão sobre venda de controle, mas mantinha aberta a possibilidade de negociar participações minoritárias como parte de sua estratégia de simplificação do portfólio.
A família Coelho Diniz ampliou sua presença no GPA: cinco membros da família informaram que suas participações conjuntas chegaram a 25,10% das ações ordinárias, com cada um detendo individualmente 5,02% do capital. O comunicado foi feito na noite de sexta-feira, 26 de junho.
A Petrobras recebeu a segunda parcela do subsídio federal ao diesel, no valor de R$ 170 milhões, referente ao início de abril de 2026. A primeira parcela, de R$ 752 milhões, havia sido recebida em junho, cobrindo o período final de março.
A Cogna, por meio da Somos Sistemas de Ensino, adquiriu 47% da Educbank por cerca de R$ 46 milhões, elevando sua participação total na fintech educacional para 90%. A plataforma oferece soluções de gestão financeira para escolas, incluindo cobranças, recebimentos e parcelamento de mensalidades.
O TCU aprovou a repactuação do cronograma de devolução do Instrumento Híbrido de Capital e Dívida do Banco do Brasil. O saldo de R$ 4,1 bilhões será amortizado em quatro parcelas entre 2026 e 2029, medida que o banco enquadra em seu plano de capital de médio prazo e que preservará cerca de 7 pontos-base de capital principal nos próximos dois anos.
A semana também foi marcada por um calendário intenso de distribuição de proventos entre companhias listadas na B3, com pagamentos de dividendos e juros sobre capital próprio realizados por empresas como Itaú, Bradesco, Copel, Cemig e Log — esta última distribuindo R$ 250 milhões em dividendos na quarta-feira, 1º de julho.
O Banco Santander Brasil marcou para 29 de julho o lançamento de seus resultados do segundo trimestre de 2026. Uma semana antes, em 22 de julho, sua controladora europeia, o Banco Santander S.A., divulgará os números consolidados do grupo. O banco brasileiro aproveitou para esclarecer que as informações sobre suas operações que aparecerem no relatório da matriz seguem critérios contábeis e metodologias do grupo internacional, portanto não são diretamente comparáveis aos seus próprios demonstrativos financeiros.
No front das aquisições, o Grupo Ultra desistiu formalmente de comprar a Rumo. Segundo informação publicada pelo jornalista Lauro Jardim no O Globo no fim de semana, o BTG Pactual, que coordenava o processo, recebeu uma carta oficial na semana anterior comunicando a desistência. A Cosan, controladora da Rumo, havia dito em 31 de maio que não havia decisão sobre venda de controle naquele momento, mas reafirmou seu compromisso com desalavancagem e simplificação do portfólio, deixando em aberto discussões sobre venda de participações minoritárias.
A família Coelho Diniz ampliou sua presença no GPA. Cinco membros da família — André Luiz, Alex Sandro, Fábio, Henrique Mulford e Helton — informaram à companhia que suas participações conjuntas atingiram 25,10% do total de ações ordinárias. Cada um deles detém 24.734.200 ações, correspondentes a 5,02% cada. O movimento foi comunicado na noite de sexta-feira, 26 de junho.
A Petrobras recebeu a segunda parcela do programa de subvenção econômica ao diesel. O valor foi de R$ 170 milhões, referente ao período de 1º a 6 de abril de 2026. Anteriormente, em 17 de junho, a estatal havia recebido a primeira parcela de R$ 752 milhões, cobrindo o período de 12 a 31 de março. Os repasses fazem parte do programa federal de subsídio à comercialização do combustível.
A Cogna expandiu seu controle sobre a Educbank Pagamentos Educacionais. Por meio de sua controlada Somos Sistemas de Ensino, a companhia adquiriu 47% do capital social da fintech educacional pelo valor de R$ 46.291.875. Após o fechamento da operação, a Somos terá 90% de participação na Educbank, plataforma que oferece soluções de gestão financeira escolar, incluindo processamento de cobranças, recebimentos e parcelamentos de matrículas e mensalidades.
O Tribunal de Contas da União aprovou a repactuação do cronograma de devolução do Instrumento Híbrido de Capital e Dívida do Banco do Brasil. O saldo remanescente de R$ 4,1 bilhões será amortizado em quatro parcelas: R$ 100 milhões em julho de 2026, R$ 100 milhões em julho de 2027, R$ 1 bilhão em julho de 2028 e R$ 2,9 bilhões em julho de 2029. O banco informou que a medida integra seu plano de capital de médio prazo, alinhado às ações prudenciais adotadas desde 2025, que incluíram redução do payout para 30% nos anos de 2025 e 2026. A aprovação do TCU preservará aproximadamente 7 pontos-base de capital principal tanto em 2026 quanto em 2027.
A semana também trouxe um calendário denso de pagamentos de proventos. De segunda a quinta-feira, diversas companhias como Compass Gás, Copel, Valid, Trisul, Moura Dubeux, M.Dias Branco, IRB, Cruzeiro do Sul, Log, Cemig e outras distribuíram dividendos ou juros sobre capital próprio. Na quarta-feira, 1º de julho, Itaú, Banestes, Bradesco, Itaúsa e Log realizaram seus pagamentos, com Log distribuindo R$ 250 milhões em dividendos. O calendário reflete o padrão de distribuição de resultados das empresas listadas na B3 durante o período de divulgação de balanços trimestrais.
Citações Notáveis
As informações relacionadas às operações brasileiras constantes da divulgação realizada pelo Banco Santander S.A. são preparadas de acordo com critérios contábeis, premissas e metodologias de reporte adotados pelo Grupo Santander, não sendo portanto diretamente comparáveis às demonstrações financeiras da companhia— Banco Santander Brasil
A medida integra o conjunto de ações prudenciais adotadas desde 2025, alinhadas ao Plano de Capital de médio prazo do BB— Banco do Brasil
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que o Santander Brasil precisa esclarecer que seus números não são comparáveis aos da controladora europeia?
Porque as regras contábeis e as metodologias de consolidação são diferentes. A matriz usa critérios do grupo internacional, enquanto o banco brasileiro segue normas locais. Sem esse aviso, um investidor poderia tentar comparar maçã com laranja.
A Ultra desistência da Rumo parece abrupta. O que mudou?
Não sabemos exatamente. A Cosan sempre foi vaga sobre vender controle. Talvez os números não fechassem, ou as condições de mercado pioraram. O fato é que uma carta formal de desistência é definitiva — não é negociação, é fim de jogo.
A Cogna agora controla 90% da Educbank. Por que essa fintech é importante para uma empresa de educação?
Educbank gerencia o dinheiro das escolas — cobranças, parcelamentos, recebimentos. Para Cogna, que já está dentro de escolas com seus cursos, controlar a plataforma de pagamento é integração vertical. Você fica com o aluno e com a carteira dele.
O Banco do Brasil conseguiu adiar pagamentos de um instrumento híbrido. Isso é bom ou ruim?
É prudencial. O banco estava consumindo capital rápido. Ao esticar os pagamentos até 2029, preserva liquidez e capital agora. Para o Tesouro, que é credor, significa receber mais tarde, mas o banco fica mais saudável para pagar.
Por que tanta empresa pagando dividendo na mesma semana?
Porque é o calendário natural. Após divulgar resultados trimestrais, as empresas pagam proventos. Junho e julho são meses de distribuição. Os investidores esperam por isso.