Sánchez declara fim da extrema-direita: "A vergonha vai mudar de lado"

A vergonha vai mudar de lado e vai mudar para sempre
Sánchez marca o momento em que a esquerda deixa de se envergonhar dos seus ideais e a direita passa a carregar esse peso.

Em Barcelona, Pedro Sánchez encerrou um encontro de líderes progressistas com um discurso que não celebrava vitórias, mas proclamava o declínio de um adversário e convocava a esquerda a reencontrar o orgulho nas suas próprias ideias. Num momento em que a extrema-direita ocupa grande parte do espaço simbólico da política europeia, o presidente do Governo espanhol argumentou que o ruído não é sinal de força, mas de desespero — e que a vergonha, por fim, deve mudar de lado. O discurso foi também um ato político concreto: a defesa da regularização de 500 mil imigrantes como expressão de uma identidade nacional que recusa a xenofobia.

  • A extrema-direita domina o barulho político europeu, criando a ilusão de que está a vencer — e é precisamente essa ilusão que Sánchez veio desfazer diante de líderes progressistas reunidos em Barcelona.
  • A esquerda carrega o peso de anos em que foi levada a ter vergonha das suas ideias, da sua história e dos seus valores — uma erosão simbólica que Sánchez declarou terminada.
  • O presidente espanhol traçou o colapso ideológico da direita: do neoliberalismo morto em 2008 ao negacionismo climático, passando pela xenofobia e pelo machismo, como os maiores erros de uma geração política.
  • Com Lula da Silva na primeira fila, Sánchez convocou a esquerda a recuperar fé no progresso e a resistir ao pessimismo que a direita usa como arma para paralisar a transformação.
  • A regularização de 500 mil imigrantes foi apresentada como linha vermelha identitária: a Espanha, disse Sánchez, é filha da migração e não será mãe da xenofobia, num aviso direto à oposição.

Pedro Sánchez subiu ao palco em Barcelona para encerrar um encontro de líderes progressistas com uma mensagem que soava menos a análise e mais a chamamento. O presidente do Governo espanhol não veio celebrar vitórias. Veio falar de uma derrota que, segundo ele, já está em curso — a da extrema-direita — e de uma vergonha que precisa mudar de lado.

O argumento central era simples mas deliberado: a extrema-direita grita porque sabe que o seu tempo está a acabar, não porque está a ganhar. Sánchez apontou para o que chamou de colapso ideológico da direita — a ortodoxia neoliberal morta em 2008, a ordem internacional a desmoronar-se, o negacionismo climático, a xenofobia e o machismo como os maiores erros de que a direita demorará muito tempo a recuperar.

Mas o discurso era também um apelo à esquerda para recuperar algo que lhe foi roubado: o orgulho e a fé no progresso. Durante anos, argumentou, a extrema-direita trabalhou para que a esquerda tivesse vergonha das suas ideias. Isso, declarou, termina agora. Com Lula da Silva sentado na primeira fila, pediu orgulho em ser pacifista, ecologista, feminista, socialista, progressista — porque o progressismo, insistiu, é mais necessário agora do que nunca.

Antes de encerrar, Sánchez abordou uma decisão concreta: a regularização de 500 mil imigrantes. E deixou um aviso direto à oposição. A Espanha é filha da migração, disse. Não será mãe da xenofobia. O aplauso foi forte, e o discurso terminou não com uma previsão de vitória, mas com a afirmação de que a luta pela transformação continua.

Pedro Sánchez subiu ao palco em Barcelona no sábado para encerrar um encontro de líderes progressistas com uma mensagem que soava menos como análise política e mais como um chamamento à reafirmação. O presidente do Governo espanhol não veio falar de vitórias conquistadas. Veio falar de uma derrota que, segundo ele, já está em curso — a da extrema-direita — e de uma vergonha que precisa mudar de lado.

O contexto era claro: o horizonte político europeu está carregado de incertezas, e a extrema-direita faz barulho suficiente para parecer que domina a conversa. Mas Sánchez pediu aos seus ouvintes que não se deixassem enganar por essa ilusão sonora. O grito, argumentou, não é sinal de força. É sinal de desespero. A extrema-direita grita porque sabe que o seu tempo está a acabar, não porque está a ganhar.

Para sustentar este argumento, Sánchez apontou para o que chamou de colapso ideológico da direita. A ortodoxia neoliberal morreu em 2008, com a crise financeira. A visão da ordem internacional que defendiam está a desmoronar-se sob o peso das tarifas comerciais e das guerras que considera ilegais. O negacionismo climático, a xenofobia, o machismo — tudo isto, disse, foi o maior erro de que a direita demorará muito tempo a recuperar. E enquanto isso, a direita não lidera. Apenas estagna.

Mas o discurso não era apenas uma análise de declínio alheio. Era um apelo à esquerda para recuperar algo que Sánchez acredita ter sido roubado: o orgulho e a fé no progresso. Durante anos, argumentou, a extrema-direita trabalhou para que a esquerda tivesse vergonha das suas ideias e da sua história. Isso, declarou, termina agora. A vergonha vai mudar de lado. Vai mudar para aqueles que se calam perante a injustiça, que exploram trabalhadores, que criminalizam a diferença, que convertem direitos em mercadorias, que defendem privilégios das elites, que apoiam guerras e violência em Gaza, na Cisjordânia, na Ucrânia, no Líbano, no Médio Oriente.

Com Lula da Silva sentado na primeira fila a ouvi-lo, Sánchez pediu à esquerda que tivesse orgulho. Orgulho em ser pacifista, ecologista, sindicalista, feminista. Orgulho em ser de esquerda, socialista, social-democrata, progressista. Porque o progressismo, insistiu, é mais necessário agora do que nunca.

Mas o orgulho sozinho não chega. Sánchez defendeu que a esquerda precisa também de recuperar a fé no progresso, a confiança de que o amanhã pode ser melhor. A direita, disse, quer vê-los assustados, abatidos, derrotados. Quer que se concentrem tanto em proteger a realidade que deixem de a transformar. Mas a esquerda não vai comprar esse pessimismo nem esse desespero. Vai defender que um mundo melhor é possível.

Antes de encerrar, Sánchez abordou uma decisão concreta do seu Governo: a regularização de 500 mil imigrantes. E deixou um aviso direto à oposição em Espanha. A Espanha é filha da migração, disse. Não será mãe da xenofobia. O aplauso que se seguiu foi forte, e o discurso terminou não com uma previsão de vitória, mas com uma afirmação de que a luta pela transformação continua.

A extrema-direita grita porque sabe que o seu tempo está a acabar, não porque está a ganhar
— Pedro Sánchez
A Espanha é filha da migração e não vai ser mãe da xenofobia
— Pedro Sánchez
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Quando Sánchez diz que a extrema-direita grita porque está a perder, não está apenas a fazer retórica? Como é que ele sabe isto?

Model

Ele está a ler os sinais que vê — a crise do neoliberalismo após 2008, as contradições nas políticas de direita, a crescente rejeição do negacionismo climático. Mas tens razão em questionar. É uma aposta interpretativa, não uma certeza.

Inventor

E quanto ao apelo ao orgulho? Parece quase desesperado — como se a esquerda tivesse perdido confiança em si mesma.

Model

Talvez. Ou talvez seja um reconhecimento honesto de que a direita conseguiu fazer a esquerda duvidar dos seus próprios valores. O discurso é uma tentativa de inverter isso.

Inventor

A regularização de 500 mil imigrantes é uma decisão política arriscada. Por que é que ele a coloca no final do discurso?

Model

Porque é concreto. Enquanto o resto do discurso é sobre ideias e sentimentos, isto é uma ação. É a prova de que a esquerda não apenas fala — faz.

Inventor

Mas isso não vai alimentar exatamente a narrativa da extrema-direita sobre imigração descontrolada?

Model

Sim, provavelmente. Mas Sánchez está a fazer uma escolha: prefere ser criticado por agir do que ser criticado por não fazer nada. E está a redefinicar o termo — não é xenofobia, é história.

Inventor

Há algo que o discurso não diz, não é?

Model

Há. Não diz como é que a esquerda vai ganhar. Diz por que razão a direita vai perder. São coisas diferentes.

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