Centenas de drones primeiro, depois mísseis quando o escudo estava exaurido
Na virada de julho de 2026, a Rússia desferiu contra Kiev um dos mais vastos bombardeios aéreos desde o início da invasão, combinando enxames de drones suicidas com mísseis hipersônicos e balísticos para saturar e romper as defesas ucranianas. Pelo menos oito vidas foram ceifadas na capital e trinta e quatro pessoas ficaram feridas, enquanto multidões desciam ao metrô em busca de abrigo. O ataque revela a lógica brutal de uma guerra que se retroalimenta: cada golpe ucraniano à infraestrutura energética russa convoca uma resposta ainda mais devastadora, e as negociações de paz permanecem suspensas no vazio deixado pela atenção desviada das grandes potências.
- Centenas de drones Gerânio-2 foram lançados em ondas deliberadamente projetadas para esgotar o escudo antiaéreo ucraniano antes da chegada dos mísseis mais letais.
- Mísseis hipersônicos Tsirkon, de cruzeiro Kalibr e balísticos Iskander-M atingiram Kiev em 20 impactos diretos, incendiando edifícios no centro e matando ao menos oito pessoas.
- A Polônia mobilizou caças para vigiar seu espaço aéreo, lembrando que no ano anterior 21 drones russos o penetraram — episódio que Moscou nega ter sido intencional.
- Putin rejeitou qualquer recuo e reafirmou o objetivo de conquistar o Donbass inteiro e a chamada Nova Rússia, enquanto forças russas avançam sobre as últimas linhas defensivas ucranianas em Donetsk.
- Membros do círculo interno do Kremlin admitem, em conversas reservadas, o temor de que a pressão sobre a energia russa possa empurrar Putin a cogitar armas nucleares táticas ou ações contra aliados da Otan no Báltico.
Na noite de quarta para quinta-feira, a Rússia lançou um dos maiores ataques aéreos da guerra contra a Ucrânia, concentrando o bombardeio sobre Kiev com uma estratégia em duas etapas: primeiro, centenas de drones suicidas Gerânio-2 saturaram as defesas antiaéreas; depois, com o escudo enfraquecido, vieram os mísseis hipersônicos Tsirkon, os de cruzeiro Kalibr e Kh-101 e os balísticos Iskander-M. Bombardeiros estratégicos Tu-95 e Tu-160 também foram mobilizados, numa ação que não ocorria há algum tempo no conflito.
Na capital, incêndios eclodiram no centro. O CityHotel Residence e a torre comercial Tarian foram atingidos. Ao menos oito pessoas morreram e 34 ficaram feridas. O metrô encheu tão rapidamente de moradores em busca de abrigo que as autoridades precisaram indicar outros pontos de proteção para evitar que a superlotação se tornasse um risco adicional.
O ataque é uma resposta direta à campanha ucraniana contra a infraestrutura energética russa. Nos meses anteriores, Kiev intensificou o uso de mísseis de cruzeiro domésticos, causando escassez de combustível em regiões russas — o próprio Putin reconheceu o problema na semana anterior. A Crimeia chegou a decretar estado de emergência, e o vice-premiê Alexander Novak chegou a sugerir cortes nas exportações de derivados de petróleo, embora depois afirmasse que a situação estava controlada.
Putin, porém, descartou concessões, classificando os ataques ucranianos de meras distrações e reafirmando o objetivo de conquistar o Donbass inteiro e as regiões da chamada Nova Rússia. As negociações de paz estão paralisadas desde que Donald Trump redirecionou sua atenção para o Oriente Médio, no fim de fevereiro. Enquanto isso, forças russas avançam sobre o que os ucranianos chamam de cinturão das fortalezas em Donetsk. Em conversas reservadas com jornalistas, membros do Kremlin expressam o temor de que a pressão crescente sobre a energia russa possa levar Putin a considerar o uso de armas nucleares táticas — ou até ações contra membros da Otan no Báltico.
Na noite de quarta-feira e madrugada de quinta-feira, as forças russas desencadearam um dos maiores bombardeios aéreos contra a Ucrânia desde o início da invasão em 2022, concentrando seus esforços na capital Kiev com uma combinação devastadora de drones e mísseis de diversos tipos.
O ataque começou com centenas de drones suicidas Gerânio-2, a versão russa do conhecido Shahed-136 iraniano. Essa primeira onda foi tão volumosa que saturou completamente as defesas aéreas ucranianas, deixando o país vulnerável para o que viria a seguir. Conforme a noite avançava na Europa e a tarde terminava no Brasil, as sirenes de alerta soavam continuamente.
Depois que o escudo aéreo ucraniano foi sobrecarregado, os russos iniciaram o bombardeio com armamento muito mais letal. Foram utilizados mísseis hipersônicos Tsirkon, mísseis de cruzeiro Kalibr e Kh-101, além dos balísticos Iskander-M. Apenas contra Kiev, até a primeira metade da madrugada, houve 20 ataques diretos. Os russos também mobilizaram bombardeiros estratégicos Tu-95 e Tu-160, uma ação que não ocorria há algum tempo no conflito.
Na capital ucraniana, incêndios eclodiram na região central. Dois edifícios de grande porte foram atingidos: o CityHotel Residence e a torre comercial Tarian. As autoridades confirmaram pelo menos oito mortos e 34 feridos. O metrô de Kiev ficou tão cheio de pessoas procurando proteção que as autoridades tiveram de sugerir outros pontos de abrigo, temendo que a superlotação se tornasse um risco adicional.
A Polônia respondeu à ameaça mobilizando caças para monitorar seu espaço aéreo. O país tem razão para estar vigilante: no ano anterior, durante outro mega-ataque à Ucrânia, 21 drones russos penetraram o espaço aéreo polonês — uma ação que Moscou nega ter sido intencional, mas que foi relatada como deliberada a jornalistas.
Este ataque massivo é uma retaliação direta à campanha de Volodimir Zelenski contra a infraestrutura energética russa. Nos últimos meses, Kiev tem empregado mísseis de cruzeiro domésticos junto com seus drones habituais, causando disrupção significativa no vizinho. No domingo anterior, o próprio Putin admitiu que havia escassez de gasolina e diesel em algumas regiões russas por causa desses ataques. A Crimeia, anexada por Moscou em 2014, chegou a decretar estado de emergência. Alexander Novak, vice-premiê responsável pelo setor energético, sugeriu que a Rússia poderia cortar exportações de derivados de petróleo — o que afetaria diretamente o Brasil, grande comprador de diesel russo — mas na quarta-feira afirmou que a situação estava sob controle.
Putin, porém, descartou qualquer concessão. Na terça-feira, declarou que os ataques ucranianos eram meras "distrações" que não o desviariam de seu objetivo de conquistar a totalidade do Donbass, no leste, e da chamada Nova Rússia — o nome russo para as regiões de Zaporíjia e Kherson, parcialmente ocupadas, embora o termo possa se estender até as áreas costeiras de Odessa, no sul.
As negociações para encerrar a guerra estão paralisadas desde que Donald Trump, presidente americano que liderava as tentativas de solução, redirecionou seu foco para seu conflito no Oriente Médio a partir do fim de fevereiro. Enquanto isso, há relatos de avanços russos na região de Donetsk, no leste, com forças operando nas primeiras linhas do que os ucranianos chamam de cinturão das fortalezas — suas últimas defesas na região. Membros do círculo interno do Kremlin, em conversas com jornalistas, expressam temor de que a crescente pressão sobre a infraestrutura energética russa possa levar Putin a considerar o uso de armas nucleares táticas de menor potência contra a Ucrânia, ou até mesmo ações contra membros da Otan na região do mar Báltico — cenários com implicações ainda mais graves.
Citações Notáveis
Os ataques são meras distrações que não o desviarão de conquistar a totalidade do Donbass e da Nova Rússia— Vladimir Putin
A situação está sob controle— Alexander Novak, vice-premiê russo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que esse ataque foi tão diferente dos anteriores? O que mudou na estratégia russa?
A saturação das defesas foi proposital. Centenas de drones primeiro, depois mísseis quando o escudo estava exaurido. É uma tática de esgotamento — forçar a Ucrânia a gastar munição cara contra máquinas baratas, depois atacar com o que realmente mata.
E a mobilização polonesa de caças — isso significa que a Otan está entrando no conflito?
Não ainda. É vigilância, não confronto. Mas mostra que a Polônia está nervosa. Já tiveram drones russos em seu espaço aéreo antes. Estão preparadas para o pior.
Putin disse que os ataques ucranianos são "distrações". Ele realmente acredita nisso?
Provavelmente não. Admitir que a Ucrânia está prejudicando sua economia energética seria reconhecer que a guerra não está indo como planejado. É mais fácil chamar de distração e continuar avançando em Donetsk.
O que assusta mais as pessoas dentro do Kremlin?
Duas coisas. Que Putin use armas nucleares táticas porque está desesperado. Ou que ele ataque a Otan diretamente no Báltico para mudar o jogo. Qualquer uma dessas ações teria consequências que ninguém consegue controlar.
Trump saiu da negociação. Isso muda tudo?
Muda porque remove a pressão diplomática. Sem alguém tentando negociar, não há limite para o quanto cada lado está disposto a escalar. É um vácuo perigoso.