Rússia ataca Ucrânia e mata quatro civis horas antes de encontro Trump-Zelenski

Quatro pessoas mortas, incluindo uma criança e adolescente de 15 anos, além de 29 feridos em ataques aéreos russos; aproximadamente 230.000 soldados russos mortos desde invasão.
A Rússia continua matando civis deliberadamente
Denúncia do chefe de gabinete ucraniano enquanto diplomatas negociavam paz na Casa Branca.

Na madrugada de 18 de agosto de 2025, enquanto o mundo aguardava um encontro decisivo entre Donald Trump e Volodmir Zelenski na Casa Branca, a Rússia lançou novos ataques aéreos sobre cidades ucranianas, matando quatro pessoas — entre elas uma criança. O gesto não era apenas militar: era uma mensagem enviada às vésperas de negociações em que Trump já sinalizara apoio às condições russas de paz, incluindo cessões territoriais que Kiev reluta em aceitar. A guerra, que consome vidas há mais de três anos, encontra-se agora num cruzamento onde a diplomacia e a violência falam ao mesmo tempo.

  • Aviões russos atacaram regiões de Sumi, Odessa e Kharkiv horas antes da reunião Trump-Zelenski, matando quatro civis — incluindo uma criança e um adolescente de 15 anos.
  • Trump chegou ao encontro já tendo descartado a recuperação da Crimeia e a adesão da Ucrânia à OTAN, após abraçar publicamente a proposta de paz russa numa reunião com Putin no Alasca.
  • Uma centelha de esperança surgiu quando Trump sinalizou, por telefone, que os EUA poderiam participar de garantias de segurança para a Ucrânia — uma mudança relevante em relação à posição anterior.
  • Líderes europeus — Merz, Macron, Starmer, Meloni, Rutte e Von der Leyen — planejaram comparecer à Casa Branca ao lado de Zelenski para evitar ser excluídos das negociações.
  • No campo de batalha, tropas russas avançaram cerca de 16 quilômetros no Donbass, negociando de uma posição de força enquanto Kiev enfrenta dificuldades crescentes de recrutamento.

A madrugada de segunda-feira, 18 de agosto, chegou com bombas. Aviões russos atacaram prédios residenciais nas regiões de Sumi, Odessa e Kharkiv, matando quatro pessoas — entre elas uma criança e um adolescente de 15 anos — e ferindo outras 29. O chefe de gabinete da presidência ucraniana, Andriyi Yermak, denunciou o ataque no Telegram com imagens de um edifício em chamas em Kharkiv: "A Rússia continua matando civis deliberadamente."

O timing era deliberado. Poucas horas depois, Zelenski se encontraria com Donald Trump na Casa Branca para discutir o fim da guerra. Mas Trump já havia revelado suas cartas: descartou a recuperação da Crimeia e a entrada da Ucrânia na OTAN, e apoiou publicamente a proposta russa de paz, que exigiria que Kiev cedesse vastas porções de seu território — inclusive áreas do Donbass ainda não ocupadas.

Essa postura americana tomou forma numa reunião realizada três dias antes, numa base militar no Alasca, onde Trump recebeu Putin com cordialidade e adotou integralmente sua abordagem. A cena contrastava com março, quando Trump havia repreendido Zelenski na Casa Branca. Ainda assim, um sinal positivo emergiu: por telefone no sábado, Trump transmitiu a Zelenski uma proposta de incluir garantias de segurança ocidentais num eventual acordo — com participação americana, algo que antes havia recusado.

A Europa observava com desconfiança. Temendo ser excluída das negociações, uma delegação de peso — Merz, Macron, Starmer, Meloni, Rutte e Von der Leyen — confirmou presença ao lado de Zelenski na Casa Branca. No front, a situação era sombria: tropas russas avançaram 16 quilômetros no Donbass, enquanto Moscou concentrava forças para novas ofensivas. Desde o início da invasão, cerca de 230 mil soldados russos morreram — mas a Rússia, com uma população quatro vezes maior, conseguiu reconstruir e expandir seu exército. A Ucrânia, por sua vez, lutava para recrutar. A guerra seguia matando enquanto os diplomatas falavam de paz.

A madrugada de segunda-feira, 18 de agosto, trouxe mais morte à Ucrânia. Aviões russos atacaram cidades nas regiões de Sumi, Odessa e Kharkiv, destruindo prédios residenciais e deixando quatro pessoas mortas — entre elas uma criança e um adolescente de 15 anos. Outras 29 pessoas ficaram feridas. O timing não era acidental. Poucas horas depois, o presidente ucraniano Volodmir Zelenski se encontraria com Donald Trump na Casa Branca para discutir o fim da guerra que a Rússia iniciou em 2022.

Andriyi Yermak, chefe de gabinete da presidência ucraniana, denunciou o ataque em uma publicação no Telegram acompanhada de imagens de um prédio em chamas em Kharkiv. "A Rússia continua matando civis deliberadamente", escreveu. O ataque ilustrava uma realidade que pairava sobre as negociações que estavam prestes a começar: enquanto diplomatas falavam de paz, a guerra continuava matando.

Trump já havia sinalizado suas posições antes mesmo de Zelenski chegar aos Estados Unidos. O presidente americano descartou a possibilidade de a Ucrânia recuperar a Crimeia, ocupada pela Rússia desde 2014, ou ingressar na OTAN. Mais ainda: Trump havia apoiado publicamente a proposta de paz russa, que exigiria que Kiev cedesse grande parte de seu território. A reunião na Casa Branca seria de alto risco para os ucranianos.

O contexto dessa postura americana vinha de uma reunião realizada na sexta-feira anterior, 15 de agosto, em uma base militar no Alasca. Trump havia se encontrado com Vladimir Putin e, segundo relatos, adotou integralmente a abordagem do líder russo. Trump abandonou sua exigência anterior de um cessar-fogo imediato e passou a apoiar um tratado de paz rápido que exigiria que a Ucrânia cedesse a região de Donbass à Rússia — inclusive áreas ainda não ocupadas por tropas russas. Putin ofereceu um cessar-fogo baseado nas linhas de batalha atuais e uma promessa escrita de não atacar a Ucrânia ou países europeus novamente, embora tenha quebrado promessas similares no passado.

Na reunião do Alasca, Trump estendeu um tapete vermelho ao presidente russo, que está sob sanções americanas e enfrenta um mandado de prisão internacional por acusações de crimes de guerra. Os dois riram e conversaram calorosamente. A cena contrastava dramaticamente com a postura que Trump havia adotado em março, quando repreendeu Zelenski na Casa Branca, acusando-o de não ser suficientemente grato pelo apoio americano e tentando forçá-lo a aceitar um acordo de paz nos termos ditados pelos EUA.

Diante desse cenário desfavorável, autoridades ucranianas encontraram um vislumbre de esperança. Trump havia transmitido a Zelenski, por telefone no sábado, 16 de agosto, uma proposta de incluir garantias de segurança para a Ucrânia em um potencial acordo de paz. Essas garantias convocariam parceiros ocidentais para defender Kiev contra futuros ataques russos. Fundamentalmente, Trump indicou que os Estados Unidos estavam prontos a participar dessas garantias — uma mudança em relação à sua posição anterior de deixar a segurança ucraniana exclusivamente para a Europa.

A reação europeia foi fria. Líderes do continente viram Trump repetidamente mudar de posição sobre a Ucrânia após conversar com Putin, e temiam ser excluídos das negociações. Mas também acreditavam que o pior ainda não havia acontecido: Trump não havia limitado a ajuda europeia a Kiev, nem havia concordado formalmente em entregar partes da Ucrânia à Rússia — pelo menos não ainda. Para evitar serem deixados de fora, líderes europeus planejavam acompanhar Zelenski à Casa Branca. O chanceler alemão Friedrich Merz, o presidente francês Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, o secretário-geral da OTAN Mark Rutte e a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen todos confirmaram presença.

No campo de batalha, a Rússia negociava de uma posição de força. Nos últimos dias, tropas russas haviam rompido uma seção das defesas ucranianas na região oriental de Donbass, avançando cerca de 16 quilômetros e ameaçando flanquear posições ucranianas. Moscou havia concentrado forças e equipamentos para novas operações ofensivas. O preço dessa guerra havia sido brutal: aproximadamente 230 mil soldados russos morreram desde o início da invasão, segundo estimativas baseadas em obituários coletados pelo Mediazona e pela BBC News Russian. As perdas ucranianas eram estimadas em menos da metade desse número. Mas a Rússia conseguiu reconstruir e até expandir suas forças, aproveitando uma população quatro vezes maior que a da Ucrânia. Kiev, por sua vez, lutava para reabastecer seu exército por meio do recrutamento.

A Rússia continua matando civis deliberadamente
— Andriyi Yermak, chefe de gabinete da presidência da Ucrânia
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Trump mudou tão radicalmente sua posição sobre a Ucrânia em apenas alguns meses?

Model

A reunião no Alasca com Putin parece ter sido decisiva. Trump adotou integralmente a abordagem russa — cessar-fogo nas linhas atuais, cessão territorial ucraniana. É como se tivesse passado para o lado de Putin.

Inventor

E Zelenski? Como ele reage a isso?

Model

Com esperança cautelosa. Ele viu Trump oferecer garantias de segurança ocidentais, o que é algo. Mas sabe que está em uma reunião onde o presidente americano já descartou Crimeia e a OTAN. É negociar de uma posição muito fraca.

Inventor

Os europeus parecem preocupados em serem excluídos.

Model

Exatamente. Eles não têm uma estratégia própria para a guerra. Passaram meses tentando acompanhar as mudanças de posição de Trump, protegendo linhas vermelhas. Agora veem a possibilidade de serem deixados de fora das negociações finais.

Inventor

E o timing desse ataque russo na madrugada?

Model

Não é coincidência. Enquanto diplomatas falam de paz, a Rússia continua matando civis. É uma mensagem: Moscou não está sob pressão, está em posição de força. Pode se dar ao luxo de atacar enquanto negocia.

Inventor

Qual é o risco real para a Ucrânia nessa reunião?

Model

Que Trump aceite a proposta russa de um tratado rápido que exija cessão territorial. Ele já sinalizou isso. Os europeus e Zelenski tentarão mantê-lo dentro de certas linhas vermelhas, mas Trump já mostrou que muda de ideia quando fala com Putin.

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