Rumble e Trump Media registram que Moraes não respondeu ação nos EUA

Moraes não apresentou defesa, não solicitou extensão e não compareceu
Resumo da posição das empresas sobre o descumprimento do prazo processual pelo ministro.

Em meio a um embate que atravessa fronteiras jurídicas e constitucionais, a Rumble e a Trump Media levaram à Justiça federal dos Estados Unidos uma disputa que questiona até onde a soberania de um país pode silenciar plataformas estrangeiras. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, não respondeu a uma ação movida contra ele na Flórida dentro do prazo estabelecido, e as empresas pedem que esse silêncio seja formalmente registrado pelo tribunal americano. A tensão revela um choque de ordens jurídicas distintas — de um lado, a proteção à liberdade de expressão inscrita na Primeira Emenda americana; do outro, a soberania brasileira invocada pela AGU para barrar qualquer revisão estrangeira de decisões nacionais.

  • O prazo de 15 de junho passou sem que Moraes apresentasse defesa, solicitasse extensão ou comparecesse ao processo na Flórida — um silêncio que as empresas agora querem transformar em registro oficial.
  • A tentativa de citação pela Convenção de Haia fracassou, e só após esse impasse a Justiça americana autorizou a notificação por e-mail, em 24 de maio.
  • A AGU entrou no caso após autorização de Fachin, argumentando que decisões judiciais brasileiras não podem ser revistas por tribunais estrangeiros — mas as empresas rejeitam essa intervenção como substituta da resposta do próprio ministro.
  • Rumble e Trump Media sustentam que as ordens de Moraes — que suspendeu a plataforma no Brasil após o não cumprimento de determinações — violam a Primeira Emenda da Constituição americana.
  • O pedido das empresas ainda aguarda análise, e não há decisão sobre as consequências jurídicas da ausência de resposta dentro do prazo.

Na quinta-feira, 18 de junho, a Rumble e a Trump Media & Technology Group — dona do Truth Social — apresentaram um pedido formal à Justiça federal dos Estados Unidos para que o tribunal registrasse oficialmente a ausência de resposta do ministro Alexandre de Moraes a uma ação movida contra ele na Flórida.

O conflito tem raízes em fevereiro de 2025, quando Moraes ordenou que a Rumble removesse perfis ligados ao blogueiro Allan dos Santos e indicasse um representante legal no Brasil. Diante do descumprimento, o ministro suspendeu a plataforma no país em 21 de fevereiro — decisão mantida por unanimidade pelo STF em março. As duas empresas americanas então recorreram à Justiça dos EUA, alegando que as ações de Moraes violavam a Primeira Emenda, que protege a liberdade de expressão.

Segundo o documento apresentado pelas empresas, Moraes foi notificado por e-mail em 24 de maio, após tentativas frustradas pela Convenção de Haia. O prazo para resposta encerrou em 15 de junho, sem que o ministro apresentasse defesa, pedisse extensão ou comparecesse ao processo.

O cenário ganhou nova camada quando a AGU entrou em cena. Fachin autorizou o órgão a atuar na defesa do Brasil, argumentando que os atos questionados foram praticados por Moraes no exercício do cargo, envolvendo soberania do Estado brasileiro. A AGU pediu a extinção da ação, sustentando que decisões judiciais brasileiras não podem ser revistas por tribunais estrangeiros.

As empresas, porém, rejeitaram essa intervenção como insuficiente: os advogados do Brasil não representavam formalmente Moraes, e a participação do país no processo não apagava o fato de que o ministro havia deixado passar o prazo sem responder. O pedido ainda aguarda análise, sem decisão final sobre as consequências do silêncio.

Na quinta-feira, 18 de junho, a Rumble e a Trump Media & Technology Group — proprietária da rede social Truth Social — apresentaram um pedido formal à Justiça federal dos Estados Unidos. Queriam que o tribunal registrasse oficialmente que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal brasileiro, havia deixado passar o prazo para responder a uma ação movida contra ele na Flórida sem apresentar qualquer defesa.

A disputa entre o magistrado e as plataformas digitais norte-americanas começou meses antes. Em fevereiro de 2025, Moraes determinou que a Rumble removesse perfis ligados ao blogueiro Allan dos Santos e indicasse um representante legal no Brasil. Quando a empresa não cumpriu as ordens, o ministro suspendeu a plataforma inteiramente no país em 21 de fevereiro. O Supremo Tribunal Federal manteve essa decisão por unanimidade em março, considerando que a Rumble havia descumprido decisões judiciais brasileiras. Diante disso, as duas empresas norte-americanas decidiram levar o caso à Justiça dos Estados Unidos, argumentando que as ações de Moraes violavam a Primeira Emenda da Constituição americana, que protege a liberdade de expressão.

Segundo o documento apresentado pelas empresas, Moraes foi notificado por correio eletrônico em 24 de maio. O prazo para que respondesse terminava em 15 de junho. Ele não apresentou defesa, não solicitou extensão do prazo e não compareceu ao processo. As empresas tentaram citá-lo através da Convenção de Haia, mas os esforços fracassaram. Apenas depois disso a Justiça norte-americana autorizou que a notificação fosse feita por e-mail. Agora, a Rumble e a Trump Media pediam que o tribunal formalizasse essa ausência de resposta.

O cenário se complicou quando a Advocacia Geral da União entrou em cena. Em 4 de junho, Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, determinou que a AGU adotasse as medidas necessárias para defender o Brasil no processo. Fachin argumentou que a atuação era apropriada porque os atos questionados foram praticados por Moraes no exercício de seu cargo de ministro, envolvendo assim a jurisdição e a soberania do Estado brasileiro. Em 15 de junho, a AGU pediu autorização para atuar no processo e, no dia seguinte, apresentou uma manifestação pedindo a extinção da ação contra Moraes. O órgão sustentava que decisões judiciais brasileiras não podem ser revistas por tribunais estrangeiros.

Mas as empresas norte-americanas não aceitaram essa intervenção como suficiente. No novo documento, a Rumble e a Trump Media afirmaram que os advogados da República Federativa do Brasil tentaram intervir no processo, porém não representavam formalmente Moraes. Além disso, argumentaram que a tentativa do Brasil de participar do caso não resolvia o fato de que o ministro havia deixado passar o prazo sem responder.

O Poder360 procurou Moraes para que se manifestasse sobre a ação nos Estados Unidos, mas não recebeu resposta até a publicação da reportagem. O pedido das empresas ainda aguarda análise pela Justiça norte-americana. Até o momento, não há decisão final sobre quais serão as consequências da falta de resposta de Moraes dentro do prazo estabelecido.

As decisões judiciais brasileiras não podem ser revistas por tribunais estrangeiros
— Argumentação da AGU no processo
Os atos questionados foram praticados por Moraes no exercício do cargo de ministro, envolvendo a jurisdição e a soberania do Estado brasileiro
— Edson Fachin, presidente do STF
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que exatamente a Rumble e a Trump Media levaram isso para a Justiça americana? Não poderiam ter simplesmente aceitado as decisões brasileiras?

Model

Elas argumentam que as decisões de Moraes afetam plataformas sediadas nos Estados Unidos e violam direitos constitucionais americanos — especificamente a liberdade de expressão. Para elas, não é apenas uma questão brasileira.

Inventor

E por que Moraes não respondeu ao processo? Isso parece estranho para um ministro do Supremo.

Model

Há várias possibilidades. Pode ser que ele tenha considerado que não deveria responder a uma ação em tribunal estrangeiro, ou que a AGU deveria fazer isso. A questão de soberania é central aqui.

Inventor

Fachin autorizou a AGU a defender o Brasil. Isso não resolve o problema?

Model

Não, segundo as empresas. Porque a AGU está defendendo o Brasil e a soberania do Estado, não defendendo Moraes pessoalmente. São coisas diferentes juridicamente.

Inventor

Qual é o risco real para Moraes se ele perder esse caso?

Model

Ainda é cedo para dizer. O tribunal americano ainda precisa analisar o pedido. Mas se reconhecer que Moraes não respondeu e que suas ações violaram direitos constitucionais americanos, isso poderia criar precedentes incômodos.

Inventor

Isso significa que decisões de ministros brasileiros podem ser revistas por tribunais americanos?

Model

Esse é exatamente o argumento que a AGU está fazendo — que não podem. Mas as empresas estão dizendo que quando essas decisões afetam plataformas americanas, há jurisdição. É um conflito de soberanias.

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