Primeira cidade de data centers da América Latina
Em Eldorado do Sul, no Rio Grande do Sul, a Scala Data Centers prepara-se para erguer aquilo que será a primeira cidade dedicada exclusivamente a data centers da América Latina — um empreendimento que começa com R$ 3 bilhões e a ambição de reconfigurar onde e como o continente processa sua vida digital. Previsto para entrar em operação ao final de 2028, o projeto não é apenas uma aposta em infraestrutura, mas uma tentativa de repatriar a soberania digital brasileira, hoje dispersa em servidores estrangeiros. A escolha do lugar revela uma lógica antiga: energia farta, clima favorável e terreno seguro são, no fundo, as mesmas condições que sempre guiaram a fundação de cidades.
- Cerca de 60% dos dados de empresas e usuários brasileiros ainda são processados fora do país, expondo informações sensíveis a infraestruturas estrangeiras — e esse projeto nasce, em parte, para reverter essa dependência.
- A autorização para conectar até 5 gigawatts ao sistema elétrico nacional coloca o campus em escala comparável às maiores operações de computação em nuvem do mundo, sinalizando que o alvo são gigantes globais de tecnologia e inteligência artificial.
- Eldorado do Sul foi escolhida com precisão cirúrgica: energia abundante, clima temperado que reduz custos de refrigeração e terreno elevado que resistiu às enchentes devastadoras de 2024 — três vantagens que transformam uma cidade gaúcha em endereço estratégico continental.
- O investimento inicial de R$ 3 bilhões é apenas o ponto de partida; a expectativa interna da Scala é que aportes de dezenas ou centenas de bilhões de dólares sigam nas próximas décadas, conforme empresas globais se instalem no campus.
- O Rio Grande do Sul, ainda em recuperação das enchentes de 2024, posiciona-se agora como possível centro de gravidade da transformação digital latino-americana — uma virada de narrativa que vai muito além da construção de galpões para máquinas.
O Rio Grande do Sul está prestes a sediar um empreendimento sem precedentes na América Latina: a Scala Data Centers construirá em Eldorado do Sul a primeira cidade inteiramente dedicada a data centers do continente. Com investimento inicial de R$ 3 bilhões e operações previstas para o final de 2028, o projeto já conta com autorização para conectar até 5 gigawatts ao sistema elétrico nacional — energia suficiente para atrair as maiores empresas globais de computação em nuvem e inteligência artificial.
A escala é deliberadamente aberta à expansão. O campus será formado por múltiplos edifícios interligados, e a expectativa interna é que os aportes totais possam alcançar dezenas ou centenas de bilhões de dólares ao longo das próximas décadas, conforme gigantes tecnológicos internacionais se instalem no local.
A escolha de Eldorado do Sul seguiu uma lógica estratégica precisa: a região oferece energia abundante, clima temperado que reduz custos de refrigeração — um dos maiores gastos operacionais desse setor — e terreno elevado considerado seguro mesmo após as enchentes que atingiram o município em 2024.
O projeto também responde a uma vulnerabilidade estrutural do Brasil: hoje, cerca de 60% dos dados processados por empresas e usuários brasileiros são armazenados em servidores no exterior. Com essa nova infraestrutura, o país ganharia capacidade doméstica significativa para manter suas informações dentro do território nacional.
Para o Rio Grande do Sul, o impacto prometido vai além dos prédios e das máquinas — trata-se de posicionar o Estado como principal hub de tecnologia e economia digital da América Latina, atraindo empregos qualificados e investimentos de ponta em um momento em que a região ainda se reconstrói das enchentes de 2024.
O Rio Grande do Sul está prestes a receber um empreendimento que promete transformar a infraestrutura digital de toda a América Latina. A Scala Data Centers vai construir em Eldorado do Sul aquilo que será a primeira cidade inteiramente dedicada a data centers do continente — um complexo massivo de processamento de dados que começará a operar no final de 2028, com um investimento inicial de R$ 3 bilhões.
O projeto não é modesto em escala ou ambição. A empresa já obteve autorização para conectar até 5 gigawatts de potência ao sistema elétrico nacional, uma quantidade de energia suficiente para alimentar operações de processamento de dados em escala global. O campus será formado por diversos edifícios interligados, todos projetados desde o início com a possibilidade de expansão contínua. Essa flexibilidade é deliberada: embora o investimento inicial seja de R$ 3 bilhões, a expectativa interna é que, conforme grandes empresas internacionais de computação em nuvem e inteligência artificial se instalem no local, os aportes financeiros possam alcançar dezenas ou até centenas de bilhões de dólares ao longo das próximas décadas.
A escolha de Eldorado do Sul não foi aleatória. A região oferece três vantagens estratégicas que pesaram na decisão. Primeiro, a disponibilidade abundante de energia — essencial para operações de data center que consomem quantidades extraordinárias de eletricidade. Segundo, o clima mais temperado do Sul do Brasil reduz significativamente os custos com refrigeração, um dos maiores gastos operacionais desse tipo de infraestrutura. Terceiro, o terreno escolhido está em uma área elevada, considerada segura mesmo após as enchentes que atingiram o município em 2024, eliminando riscos de inundação que poderiam comprometer equipamentos sensíveis.
O projeto representa uma mudança estratégica para o Brasil como um todo. Atualmente, cerca de 60% dos dados processados por empresas e usuários brasileiros ainda são armazenados e processados em servidores localizados no exterior. Isso significa que informações sensíveis — desde dados financeiros até informações pessoais — saem do país para serem gerenciadas em infraestrutura estrangeira. Com a implantação dessa cidade de data centers, o Brasil ganharia capacidade doméstica significativa para manter seus dados dentro do território nacional, reduzindo essa dependência externa.
Para o Rio Grande do Sul especificamente, o impacto vai além da infraestrutura. O empreendimento promete gerar empregos qualificados em tecnologia, atrair investimentos de empresas globais de ponta e consolidar o Estado como um dos principais hubs de tecnologia e economia digital da América Latina. Não é apenas sobre construir prédios para máquinas — é sobre posicionar uma região inteira como centro de gravidade da transformação digital continental.
Citas Notables
O empreendimento foi projetado para receber grandes empresas globais de computação em nuvem e inteligência artificial, consolidando o Estado como um dos principais polos de infraestrutura digital do continente.— Scala Data Centers
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que Eldorado do Sul especificamente? Há outras cidades no Brasil com energia e espaço.
O clima importa mais do que parece. Refrigeração é o maior custo operacional de um data center. No Sul, você gasta menos com ar-condicionado. Mas também há segurança — aquele terreno elevado significa que as enchentes de 2024 não vão se repetir ali.
E os 5 gigawatts de energia? Isso é muito?
É o suficiente para alimentar uma cidade pequena. Mas data centers são famintos. Essa autorização garante que eles podem crescer sem ficar reféns da capacidade elétrica.
Você mencionou que 60% dos dados brasileiros são processados no exterior. Isso é um problema de segurança?
É mais complexo. Segurança, sim, mas também soberania. Quando seus dados estão em servidores americanos ou europeus, você depende das leis daqueles países. Com infraestrutura local, o Brasil controla mais.
Os investimentos podem chegar a centenas de bilhões de dólares. Como isso acontece?
Não acontece tudo de uma vez. A primeira fase custa R$ 3 bilhões. Mas conforme empresas como Google, Amazon, Microsoft veem que há capacidade aqui, começam a expandir suas operações. Cada expansão é um novo aporte. Ao longo de 20, 30 anos, isso acumula.
E os empregos? Quantas pessoas vão trabalhar ali?
O anúncio não especifica números. Mas data centers não empregam multidões — empregam especialistas. Engenheiros, técnicos em infraestrutura, profissionais de segurança. São empregos bem remunerados, mas não em volume massivo.