O passivo é maior do que estão achando no momento
O colapso contábil da Americanas, iniciado em janeiro com uma confissão de rombo de R$ 20 bilhões, revela-se agora uma ferida muito mais profunda: análises preliminares apontam para um passivo que pode ultrapassar R$ 48 bilhões, mais que o dobro do que foi admitido publicamente. Em torno de 9.460 credores aguardam respostas enquanto equipes de especialistas trabalham contra o relógio para mapear o tamanho real de uma das maiores crises empresariais da história recente do Brasil. O que começou como um escândalo contábil vai se tornando, a cada semana, um retrato mais sombrio da fragilidade das estruturas de confiança no mundo corporativo.
- O passivo da Americanas saltou de R$ 41,2 bilhões para R$ 42,5 bilhões em apenas uma semana, e especialistas alertam que o número pode crescer ainda mais conforme a investigação avança.
- Mais de 9.460 credores — entre bancos, fornecedores e trabalhadores — estão presos em uma espiral de incerteza enquanto o tamanho real do rombo permanece desconhecido.
- Uma proposta de R$ 7 bilhões apresentada pelos acionistas de referência Jorge Paulo Lemann, Carlos Sicupira e Marcel Telles foi rejeitada pelos credores, sinalizando que as negociações estão longe de um acordo.
- Uma equipe multidisciplinar de advogados, especialistas em recuperação judicial e economistas corre para entregar o diagnóstico completo à Justiça do Rio até 23 de março.
- Em meio ao caos, a empresa busca autorização para quitar integralmente R$ 192,4 milhões em dívidas trabalhistas e com pequenas e médias empresas — um gesto que mistura urgência social com estratégia jurídica.
A Americanas entrou em recuperação judicial em janeiro afirmando que seu rombo contábil era de pelo menos R$ 20 bilhões. Dois meses depois, o cenário é dramaticamente pior. Análises preliminares indicam que o passivo total pode chegar a R$ 48 bilhões — mais que o dobro do valor inicialmente revelado aos credores e ao público.
O quadro se agrava semana a semana. A empresa atualizou sua lista de credores, elevando a dívida de R$ 41,2 bilhões para R$ 42,5 bilhões, enquanto o número de credores cresceu de cerca de 7.720 para aproximadamente 9.460. Fontes próximas ao processo afirmam que já foram detectados mais R$ 7 bilhões em dívidas não contabilizadas, com possibilidade de novos aumentos conforme a investigação avança.
Um grupo multidisciplinar — composto por escritórios de advocacia, especialistas em recuperação judicial e economistas — trabalha no rastreamento completo das dívidas. O relatório final deve ser apresentado à Justiça do Rio de Janeiro até 23 de março, prazo legal de 60 dias a partir da aceitação do pedido de recuperação.
Na semana anterior à publicação desta reportagem, a Americanas apresentou uma proposta aos bancos credores prevendo um aporte de R$ 7 bilhões dos acionistas de referência — Jorge Paulo Lemann, Carlos Sicupira e Marcel Telles — além de recompra e conversão de dívida. A proposta foi rejeitada. No mesmo dia, a empresa pediu autorização para pagar integralmente suas dívidas trabalhistas e com pequenas e médias empresas, no valor de R$ 192,4 milhões. A Americanas não se pronunciou sobre as análises que apontam para um passivo ainda maior.
A Americanas entrou em recuperação judicial em janeiro com um rombo contábil que a empresa dizia ser de pelo menos 20 bilhões de reais. Duas meses depois, a história é muito pior. Análises preliminares apontam que o passivo total pode chegar a 48 bilhões de reais — mais que o dobro do que foi inicialmente revelado ao público e aos credores.
O diagnóstico completo deve ficar pronto em março, provavelmente no final do mês, segundo fontes próximas ao processo. Até agora, o quadro só piorou. A empresa atualizou sua lista de credores na semana anterior, elevando a dívida de 41,2 bilhões para 42,5 bilhões de reais. O número de credores também cresceu, saindo de aproximadamente 7.720 para cerca de 9.460. Uma das fontes que acompanha o caso foi direto ao ponto: o passivo é maior do que estão encontrando no momento. Já foram detectados mais 7 bilhões de reais em dívidas não contabilizadas. E há possibilidade de que o número aumente ainda mais conforme a investigação avança.
O trabalho de rastreamento das dívidas envolve um grupo multidisciplinar robusto — escritórios de advocacia, especialistas em lei de Recuperação Judicial e Falências, e economistas renomados. Os primeiros resultados devem ser apresentados à Justiça do Rio de Janeiro após o período do Carnaval. O prazo legal é de 60 dias a partir da aceitação do pedido de recuperação judicial, o que significa que o relatório final precisa estar pronto até 23 de março.
Na quinta-feira anterior à publicação desta reportagem, a Americanas apresentou uma primeira proposta aos bancos credores. A oferta previa um aporte de 7 bilhões de reais dos acionistas de referência — Jorge Paulo Lemann, Carlos Sicupira e Marcel Telles — além de recompra e conversão de dívida. Os credores rejeitaram a proposta. No mesmo dia, a empresa pediu autorização ao administrador da recuperação judicial para pagar integralmente as dívidas trabalhistas e com pequenas e médias empresas, no valor total de 192,4 milhões de reais. A Americanas não comentou imediatamente sobre as análises que apontam para um passivo ainda maior.
Citações Notáveis
O diagnóstico será divulgado em março, mais para o fim do mês— Fonte próxima ao processo
O passivo é maior do que estão achando no momento. É mais do que os 40 bilhões falados. Já foram detectados mais 7 bilhões; o que era 41 passou para 48 bilhões— Fonte próxima ao processo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Como uma empresa do tamanho da Americanas deixa um rombo desse crescer sem ninguém perceber?
Porque o sistema de controle interno falhou completamente. Não é que ninguém soubesse — é que ninguém estava olhando, ou quem estava olhando não tinha poder para agir.
E esses 7 bilhões que apareceram de repente — onde estavam?
Provavelmente em operações que não foram registradas corretamente, em dívidas com fornecedores que não constavam dos livros, em compromissos que foram escondidos. Quando você começa a investigar de verdade, as coisas aparecem.
Os acionistas — Lemann, Sicupira e Telles — eles sabiam?
Essa é a pergunta que a Justiça vai tentar responder. A proposta deles de 7 bilhões sugere que estão tentando resolver o problema, mas a rejeição dos credores mostra que ninguém acredita que isso é suficiente.
E os 9.460 credores? Quem são essas pessoas?
Bancos, fornecedores, pequenas empresas, trabalhadores. A empresa está tentando pagar pelo menos as dívidas trabalhistas integralmente, mas o resto fica em negociação. Muita gente vai perder dinheiro.
Quando saberemos a verdade completa?
Em março, quando o relatório final sair. Mas até lá, o número pode crescer ainda mais. Essa é a parte assustadora — ainda não sabemos o tamanho real do buraco.