Robôs humanoides em fábricas enfrentam vácuo de segurança até 2028

Incidentes recentes incluem robô dançando descontroladamente em restaurante na Califórnia e outro chutando criança em apresentação na China, sem ferimentos graves relatados.
Um humanoide descontrolado pode cair e esmagar alguém
Engenheira de segurança funcional resume o risco central que a indústria enfrenta com robôs cada vez maiores.

Robôs humanoides pesados podem causar ferimentos graves se caírem ou perderem controle perto de pessoas, diferentemente de máquinas industriais tradicionais. Empresas como Nvidia, Fort Robotics e Neura Robotics desenvolvem sistemas de segurança próprios, mas cada fabricante segue soluções diferentes até haver padrão.

  • Robôs humanoides de até 90 quilos já operam em fábricas e armazéns
  • ISO publicará padrão de segurança apenas em meados de 2028
  • Mercado projeta 1 bilhão de humanoides operacionais até 2050, avaliado em US$ 7,5 trilhões
  • Incidentes recentes: robô dançando descontroladamente na Califórnia e outro chutando criança na China

Robôs humanoides de até 90 kg já operam em fábricas, mas faltam padrões de segurança globais. ISO publicará normas apenas em 2028, enquanto incidentes recentes alertam para riscos.

Robôs humanoides com até 90 quilos já estão trabalhando em fábricas e armazéns ao redor do mundo. Conforme ganham peso e tamanho, porém, cresce uma preocupação que ninguém consegue ignorar: o que acontece quando um deles cai ou perde o controle perto de uma pessoa? Michele Silva, engenheira de segurança funcional da Reynolds & Moore, foi direto ao ponto em conversa com o Wall Street Journal: um humanoide descontrolado pode cair e esmagar alguém.

Dois incidentes recentes colocaram o problema em perspectiva. Na Califórnia, um robô humanoide começou a dançar de forma incontrolável dentro de um restaurante. Na China, outro chutou uma criança durante uma apresentação pública. Ninguém sofreu ferimentos graves em nenhum dos casos, mas a indústria sabe que a sorte pode não durar conforme essas máquinas ficam maiores e mais onipresentes. A conferência Automate, realizada em Chicago na semana passada, reuniu empresas do setor justamente para enfrentar esse desafio.

A diferença entre robôs industriais tradicionais e humanoides é fundamental. Soldadores, empilhadeiras e carregadores convencionais são determinísticos: seguem regras fixas e produzem resultados previsíveis. Humanoides que realizam múltiplas tarefas funcionam com inteligência artificial e são probabilísticos: operam por probabilidades estatísticas, não por certeza absoluta. Isso significa que precisam de camadas de proteção muito mais sofisticadas antes de poderem trabalhar lado a lado com humanos.

Várias empresas estão desenvolvendo soluções em paralelo. A Nvidia anunciou um novo sistema de segurança baseado em seus chips Blackwell que interpreta dados de sensores sobre possíveis riscos e para o robô quando as condições não são seguras. Amit Goel, diretor sênior de robótica da empresa, explicou que o cérebro de segurança e o cérebro funcional precisam se comunicar com frequência e muito mais contexto. A Fort Robotics, de Filadélfia, trabalha em controladores que processam informações de múltiplas fontes, incluindo reconhecimento de pessoas e suas posições, para que o robô tome decisões de segurança mais precisas. A Neura Robotics, alemã, criou um modelo de 80 quilos que, ao detectar uma falha como um joelho que para de responder, tenta recuperar o equilíbrio. Se não conseguir, colapsa sobre si mesmo, como um prédio em implosão, segundo o fundador David Reger. A Dexmate, do Vale do Silício, eliminou o problema de outra forma: desenvolveu robôs sobre bases com rodas em vez de pernas, com bateria e eletrônica no compartimento inferior, garantindo um centro de massa baixo e eliminando o risco de queda.

O problema é que não existe padrão global. Um painel de especialistas da Organização Internacional de Normalização está analisando o tema e deve publicar um padrão de segurança para humanoides até meados de 2028. Até lá, cada fabricante adota suas próprias soluções, criando um vácuo regulatório que preocupa especialistas.

Apesar dos desafios, o setor avança em velocidade impressionante. A Agility, que já opera robôs em uma fábrica de autopeças no Oregon, anunciou planos de abrir capital com avaliação de 2,5 bilhões de dólares. Pesquisadores do Morgan Stanley projetam 1 bilhão de humanoides em operação no mundo até 2050, com um mercado total de 7,5 trilhões de dólares. Algumas empresas já planejam levar os robôs para residências.

Brad Porter, CEO da Cobot, pediu perspectiva sobre os riscos. Seus robôs sobre rodas se movem na velocidade de uma pessoa caminhando e não têm força de preensão suficiente para causar danos sérios. "Não precisamos imprimir muita energia nesse espaço", disse ao Wall Street Journal. "Não estamos tentando esmagar melancias." Mas enquanto a indústria espera pelas normas da ISO, a questão permanece: quanto tempo leva para que alguém saia ferido de verdade?

Se você fizer isso com um humanoide, ele pode cair e te esmagar
— Michele Silva, Reynolds & Moore
O cérebro de segurança e o cérebro funcional precisam se comunicar com frequência e com muito mais contexto
— Amit Goel, Nvidia
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que robôs humanoides são tão diferentes de máquinas industriais tradicionais quando se trata de segurança?

Model

Porque os robôs tradicionais fazem sempre a mesma coisa, da mesma forma. Um soldador solda. Uma empilhadeira carrega. Humanoides usam inteligência artificial e precisam tomar decisões em tempo real. Isso significa que ninguém consegue prever exatamente o que vão fazer em cada situação.

Inventor

E isso torna mais perigosos?

Model

Muito mais. Se um robô de 90 quilos cai, pode esmagar alguém. Se perde o controle, ninguém sabe para onde vai. Os incidentes na Califórnia e na China foram leves, mas foram avisos.

Inventor

As empresas estão prontas para isso?

Model

Estão tentando. Nvidia, Fort Robotics, Neura Robotics — cada uma desenvolvendo seu próprio sistema de segurança. Mas é como se cada carro tivesse freios diferentes. Não há padrão.

Inventor

Quando teremos um padrão?

Model

A ISO promete publicar normas em 2028. Até lá, é cada um por si. E o mercado não está esperando — a Agility já está operando robôs em fábricas e planejando abrir capital.

Inventor

Então estamos correndo risco?

Model

Estamos em um espaço cinzento. Os riscos são reais, mas ainda não mataram ninguém. A pergunta é: quanto tempo isso dura?

Quieres la nota completa? Lee el original en Olhar Digital ↗
Contáctanos FAQ