Robinho diz ter sido condenado injustamente por estupro na Itália

Mulher albanesa de 23 anos foi supostamente estuprada coletivamente por seis homens em boate em Milão em 2013, resultando em condenação de Robinho confirmada em múltiplas instâncias judiciais.
Eu fui injustiçado e as provas estão aí que mostram isso
Robinho apresenta documentos durante entrevista para defender-se de condenação por estupro confirmada em todas as instâncias italianas.

Em um caso que atravessa fronteiras jurídicas e morais, o ex-futebolista Robinho rompeu o silêncio para contestar publicamente sua condenação por estupro coletivo na Itália — crime cometido, segundo a Justiça italiana, contra uma jovem albanesa de 23 anos em uma boate milanesa em 2013. Diante de câmeras, ele admitiu o ato sexual, mas o revestiu de consensualidade, apresentou documentos como escudo e invocou o racismo como sombra sobre o processo. Enquanto ele fala, os tribunais italianos já encerraram todas as possibilidades de recurso, e o Brasil se prepara para decidir se o homem cumprirá sua pena em solo nacional.

  • Após anos de silêncio, Robinho concedeu entrevista nacional e admitiu a relação sexual com a acusadora, mas insistiu que foi consensual — contradizendo o que três instâncias da Justiça italiana já concluíram.
  • O ex-atleta exibiu documentos que, segundo ele, provam sua inocência: um exame toxicológico e a ausência de DNA nas roupas da vítima — evidências que os tribunais italianos já avaliaram e não consideraram suficientes para absolvê-lo.
  • A alegação de que a vítima teria pedido 60 mil euros foi rebatida pelo advogado dela em tempo real: o valor é indenização determinada pela própria Justiça italiana, não um acordo extrajudicial.
  • Robinho invocou o racismo como fator determinante em sua condenação, afirmando que jogadores negros eram tratados de forma diferente na Itália — argumento que não foi reconhecido em nenhuma das instâncias judiciais do país.
  • O STJ brasileiro marcou para 20 de março o julgamento sobre o cumprimento da pena no Brasil, tornando a entrevista um movimento estratégico às vésperas de uma decisão que pode mudar radicalmente sua vida.

Robinho falou publicamente pela primeira vez sobre sua condenação por estupro na Itália, em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record TV. O ex-jogador de 40 anos admitiu ter tido relações sexuais com a mulher que o acusa, mas descreveu o episódio como consensual, rápido e superficial. Para sustentar sua versão, exibiu dois documentos: um exame toxicológico que, segundo ele, indica que a vítima não estava embriagada o suficiente para não consentir, e um laudo policial mostrando ausência de seu material genético nas roupas dela.

A entrevista também exibiu trechos de conversas em que Robinho comenta que a mulher estava extremamente embriagada e não sabia quem ele era. O ex-atleta alegou que essas mensagens foram tiradas de contexto e que vinham de pessoas que tentaram extorqui-lo. Apresentou ainda um documento indicando que a acusadora teria solicitado 60 mil euros — valor que o advogado dela, presente na entrevista, esclareceu ser uma indenização por danos morais determinada pela Justiça italiana, não um pedido particular.

Robinho também atribuiu sua condenação ao racismo, afirmando que jogadores negros sofriam discriminação na Itália e que isso influenciou seu julgamento. O caso remonta a 2013, quando investigações italianas apontaram que ele e cinco amigos teriam embriagado uma jovem albanesa de 23 anos em uma boate em Milão e a estuprado coletivamente. A condenação foi confirmada em primeira instância em 2017, em apelação em 2020 e pela Corte de Cassação — instância máxima da Itália — em janeiro de 2022, encerrando qualquer possibilidade de reversão no país europeu.

A entrevista ocorre dias antes de uma decisão crucial: o STJ brasileiro marcou para 20 de março o julgamento sobre o cumprimento da pena de Robinho em solo nacional.

Robinho falou pela primeira vez publicamente sobre sua condenação por estupro na Itália. O ex-jogador de 40 anos concedeu entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record TV, onde apresentou documentos que, segundo ele, provam que foi condenado injustamente. Admitiu ter tido relações sexuais com a mulher que o acusa, mas descreveu o episódio como consensual, rápido e superficial.

Para sustentar sua defesa, Robinho exibiu dois documentos. O primeiro é um exame toxicológico que aponta "mudanças motoras e emocionais leves" causadas por álcool na mulher. Segundo o ex-atleta, isso significa que ela não estava embriagada o suficiente para não consentir. O segundo documento mostra que a polícia italiana não encontrou material genético seu na roupa da acusadora. "Eu fui injustiçado e as provas estão aí que mostram isso", declarou Robinho durante a entrevista com a apresentadora Caroline Ferraz.

A entrevista exibiu trechos de conversas entre Robinho e outras pessoas, onde ele afirma que a mulher estava extremamente embriagada e não sabia quem ele era. Robinho alegou que essas mensagens foram tiradas de contexto e que ele não estava conversando com amigos próximos, mas com pessoas que tentaram extorqui-lo. Apresentou um documento indicando que a mulher solicitou 60 mil euros dele. O advogado da acusadora, que participou da entrevista, esclareceu que esse valor foi determinado pela Justiça italiana como ressarcimento por danos morais, e que os tribunais italianos não permitem acordos para retirada de queixas em casos de estupro.

Robinho também alegou que sua condenação foi motivada por racismo. Afirmou que jogadores negros na Itália sofriam discriminação racial e que isso se refletiu em seu julgamento. "O negro sem voz, sem falar nada, se o meu caso fosse com um branco teria sido diferente", disse o ex-atleta.

O caso remonta a 2013, quando investigações da Justiça italiana indicaram que Robinho e cinco amigos teriam embriagado uma jovem albanesa de 23 anos em uma boate em Milão e a estuprado coletivamente. Robinho foi condenado em primeira instância em 2017 pelo Tribunal de Milão por violência sexual. Na época, ele tinha contrato com o Milan. O Tribunal de Apelação de Milão confirmou a condenação em 2020. Em janeiro de 2022, a Corte de Cassação da Itália, órgão máximo da Justiça italiana, negou os recursos da defesa, encerrando as possibilidades de reversão da decisão.

O Supremo Tribunal de Justiça brasileiro marcou para 20 de março o julgamento do pedido para que Robinho cumpra sua pena no Brasil. A decisão italiana permanece firme em todas as instâncias.

O negro sem voz, sem falar nada, se o meu caso fosse com um branco teria sido diferente
— Robinho, durante entrevista ao Domingo Espetacular
Em casos de estupro os tribunais italianos não permitem que sejam feitos acordos para retirada das queixas
— Advogado da acusadora, participante da entrevista
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Robinho decidiu falar sobre isso agora, depois de tanto tempo?

Model

Ele está enfrentando a possibilidade real de cumprir a pena no Brasil. O julgamento no STJ está marcado, então talvez seja uma tentativa de influenciar a opinião pública antes dessa decisão.

Inventor

Os documentos que ele apresentou — o exame toxicológico e a ausência de DNA — realmente mudam a história?

Model

Ele interpreta assim. Mas o advogado da mulher estava lá na entrevista para contra-argumentar. A Justiça italiana já analisou tudo isso e confirmou a condenação três vezes.

Inventor

E quanto às mensagens onde ele diz que ela estava "extremamente embriagada"?

Model

Robinho diz que foram tiradas de contexto, que ele estava falando com pessoas que tentavam extorqui-lo. Mas é difícil descontextualizar uma frase assim.

Inventor

Ele mencionou racismo. Isso é uma defesa legítima ou uma distração?

Model

Racismo no sistema judicial italiano é real e documentado. Mas usá-lo como argumento central quando há uma condenação confirmada três vezes é uma estratégia de defesa, não uma explicação do que aconteceu naquela noite.

Inventor

O que muda agora com essa entrevista?

Model

Provavelmente nada na Justiça italiana — aquela porta está fechada. Mas pode influenciar como o STJ vê o caso, e certamente muda a narrativa pública no Brasil.

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